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Viver com Saúde

Veja alguns toques para resolver conflitos entre pais e adolescentes

Um desafio e tanto dentro de casa: vencer as distâncias ao mesmo tempo em que é preciso estimular os filhos a voarem cada vez mais alto
13/05/2019 03:00 14/05/2019 15:12

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A fase antes era conhecida por "aborrecência" e agora virou até verbo com significado de constante mudança: adolescer. A fase intermediária entre a infância e a vida adulta é realmente regada a desafios e alterações, algumas até beirando os extremos do emocional dos filhos e também dos pais. O educador e palestrante Fernando Tepasse ressalta que o olhar do pai, mãe ou cuidador em relação ao adolescente é muitas vezes cheio de medos e dúvidas.

"É justamente nestes dois pontos que pesa a dificuldade em 'largar' os filhos e aceitar que agora eles não são mais as crianças que 'até ontem' eram. Soma-se a isso, os próprios traumas e medos que os pais têm por causa da sua própria adolescência. Não é raro ouvir de um jovem que seu pai ou mãe não quer que ele passe pelas mesmas dores e dificuldades que ele próprio passou. No intuito de ajudar, muitas vezes os pais acabam superprotegendo seus filhos e não deixando que eles passem por momentos essenciais para seu amadurecimento emocional e relacional. É evidente que nenhum pai em sã consciência deseja o mal para seu filho, porém a falta de conhecimento sobre as necessidades dos adolescentes, como estar inserido em grupos e se sentir parte de algo importante, ou o excesso de zelo, acaba prejudicando o desenvolver da sua autonomia, parte fundamental para o aprimoramento da sua autoestima", detalha.

Tecnologia

Foto por: Eduardo Cruz/GES
Descrição da foto: Fernando Tepasse, educador e palestrante
E nada de justificativas para a distância entre as duas gerações. O especialista emocional ressalta que colocar toda a responsabilidade no smartphone, por exemplo, é até injusto. "Seria o mesmo que afirmar que a televisão foi a responsável por fazer com que as famílias parassem de conversar. Não! Os smartphones são extremamente úteis e já fazem parte da nossa vida há alguns anos, o que se deve fazer é organizar e, talvez, limitar a utilização deles. Veja, o meu filho Gabriel, mora na Austrália e o smartphone nos aproxima, pois através dele podemos conversar semanalmente. Agora, ao não se impor limite para sua utilização, acontece como vimos na pesquisa que realizamos, mais de 50% dos adolescentes entrevistados passam 3 horas ou mais por dia ligados as redes sociais através do celular e 30% dos pais também. Há uma regra vital que acredito muito: todo excesso e toda a falta são prejudiciais a saúde, isso também pode ser aplicado ao uso dos celulares", cita.

Sentimentos a mil e as janelas killer

Estouram facilmente. Também se apaixonam numa rapidez incrível. E morrem de vergonha se a mãe fala um pouquinho mais alto em público. Parece que todos os sentimentos do adolescente estão mais ávidos, à flor da pele, certo? "Isso tem uma explicação muito simples: a massa emocional ainda não está cristalizada em suas mentes. Soma-se a isso, a transformação por que passa, sem falar na pressão que sofre, de todos os lados, pais, sociedade, amigos, escola. Não existe a menor possibilidade de exigir de um adolescente que ele seja sempre estável, que saiba lidar bem com todas as situações e frustrações do dia a dia. Outro fator importante de se destacar neste ponto são as próprias cicatrizes emocionais que ele traz consigo por causa da infância que teve. Todas essas marcas, que o Augusto Cury chama de 'janelas killer', dificilmente são neutralizadas, algumas ficam pra sempre, não importando quantas 'janelas ligths' (gestos de carinho e amor) ele tenha recebido. Isso me faz lembrar da minha adolescência e do medo da crítica que eu sentia. A dor de ser criticado chegava a ser física, como um 'soco na boca do estômago'. Mais tarde fui descobrir que a origem disso tinha sido o abandono que eu sofri de meu pai, quando eu tinha apenas 1 ano de idade. Então, é muito comum que o adolescente seja tímido, pois normalmente nem ele se entende direito e com isso passa a ter medo de não ser aceito pela sua família, grupo de amigos ou por um 'crush' que está interessado".

Dar autonomia x cobrar as obrigações

É um eterno conflito, difícil de ser totalmente compreendido nestes anos do adolescer: os pais querem que ele se torne responsável e "ganhe asas", porém que também siga obediente a cada um dos seus conselhos, seguindo tim-tim por tim-tim a cartilha aprendida em casa. Como então permitir esse voo com responsabilidade? "Deixando claro os papéis de cada um. Quando o pai ou mãe consegue estabelecer os limites de forma simples e objetiva, ele passa a ter segurança em suas ações, pois sabe muito bem até onde pode ir. É evidente que ele irá tentar extrapolar esses limites, até para se desafiar, para ver até onde consegue ir, isso é natural. A reação dos pais em relação a isso é que não deve ser de total desaprovação, mas deixar claro que, ao ultrapassar os limites, ele terá que arcar com as consequências. Estas também devem estar claras e sempre devem ser definidas com o propósito de contribuir para a evolução do desenvolvimento do adolescente e nunca como um castigo, prejudicando justamente a parte que era saudável de sua rotina, como 'tirar o filho do teatro' ou de atividades que agregam valor a sua personalidade e desenvolvimento. Outro ponto é delegar responsabilidades. Sempre de forma gradual e saudável, essas responsabilidades só irão torná-lo mais seguro, confiante em si e autorresponsável", informa Tepasse.

O educador ainda reforça que há uma linha muito tênue entre a liberdade e a cobrança. "É importante destacar que todo o limite, em primeira instância, significa proteção, logo ele é fundamental para o processo de desenvolvimento tanto da criança quanto do adolescente. Na medida em que os filhos vão crescendo, esse limite tem que ser ampliado pelos pais, mas a partir de uma conquista dos filhos. Quanto mais autonomia e responsabilidades ele assume, mais liberdade e confiança merece. Para desenvolver esse ponto em específico é necessário deixar as regras e expectativas muito claras, de preferência sempre por escrito. Eu acredito que o 'quadro dos deveres' deve estar posicionado no lugar mais importante da casa, talvez aquele que a televisão ocupa na maioria das residências dos brasileiros, isso desde sempre. Quando a criança é pequena, monta-se ele com desenhos; quando se tornam adolescentes, deixar escrito da forma mais clara possível, especialmente porque todos somos seres interpretativos e os adolescentes normalmente possuem uma forma de ver e perceber o mundo toda particular, isso pode causar divergências e atritos entre pais e filhos. Por outro lado, o excesso de cobranças e expectativas pode ser muito prejudicial, acarretando sobre o jovem uma pressão desnecessária nesta etapa da vida", cita.

Como lidar com erros do filho?

"Encarando com naturalidade. Os erros e fracassos fazem parte do todo e qualquer aprendizado. Se é verdade que aprendemos mais quando erramos do que quando acertamos, por que destruir emocionalmente um filho por ele ter tirado uma nota baixa no boletim, por exemplo? A inteligência emocional nos ensina que tudo aquilo que colocamos foco, tende a se expandir, ou seja, se valorizarmos em demasiado os erros, é bem provável que eles aumentarão. Agora, se focarmos nos acertos, não tenho dúvidas de que eles crescerão de forma exponencial. Valorize, elogie, reconheça, vibre, comemore, crie um momento incrível quando seu filho acerta ou faz algo positivo, por menor que seja. Isso irá estimulá-lo a querer mais", responde o especialista.

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