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Viver com Saúde

Medicamento manipulado: saiba como é a produção desse remédio personalizado

Opção traz ganhos em valor mantendo a mesma eficiência dos remédios feitos nos grandes laboratórios
10/06/2019 03:00 12/06/2019 16:26

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Para curar a dor, tratar um mal, cuidar da beleza ou outras dezenas de finalidades que visam nosso bem-estar. Nas mais diferentes formulações, da cápsula ao implante. Os remédios têm papel fundamental na busca pela saúde e já são comuns na nossa rotina, desde o começo do dia ali perto da cabeceira da cama. Existe um grupo deles que foca o tratamento individualizado, chamados de medicamentos manipulados.

Foto por: Gabriel Guedes/GES-Especial
Descrição da foto: MANIPULADOS: medicamentos passam por um rígido controle de qualidade
Segundo um levantamento da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), o setor de farmácias de manipulação no Brasil movimentou cerca de R$ 5 bilhões apenas em 2016. Ainda conforme a entidade, este tipo de medicamento pode chegar, em média, a custar ao consumidor 20% menos do que os remédios industrializados.

Esse cenário promissor é ainda reforçado por algumas vantagens no próprio produto, conforme explica a farmacêutica e doutora em Ciências da Saúde, Marília Garcez Corrêa da Silva. A principal delas, segundo a profissional, é a personalização do medicamento.

"Foi feito especialmente para aquela pessoa e vai atendê-la por um período de tratamento, com todas as suas particularidades e necessidades. Por exemplo: se ela é intolerante à lactose, fazemos uma cápsula sem lactose; se a pessoa é vegana, temos a opção de usar uma cápsula de uma gelatina que não é de origem animal; se a pessoa tem dificuldade de deglutir, em vez de fazer uma cápsula fazemos um xarope ou uma solução. No caso do o uso externo, podemos fazer um medicamento específico para aquele tipo de pele, seca ou mista, por exemplo", detalha.

Resultados como de qualquer outro remédio

Foto por: Gabriel Guedes/GES-Especial
Descrição da foto: Marília Garcez Corrêa da Silva, farmacêutica e doutora em Ciências da Saúde
Eficiente como qualquer outro medicamento, os manipulados seguem legislação específica e rígido controle de qualidade. A excelência em cada etapa garante que se fabrique na manipulação até mesmo medicamentos que não estão mais disponíveis nas drogarias comuns.

"A farmacotécnica do Brasil é referência no mundo todo, até mesmo os americanos consultam o Brasil para saber o melhor jeito de fazer determinados produtos, e o Rio Grande do Sul, especialmente. Isso é bem importante para que as pessoas se sintam seguras com relação à produção que temos aqui. Além da farmacotécnica bem desenvolvida que temos hoje, que fazemos sempre tudo com base em documentos científicos, livros e fichas técnicas feitas e testadas, temos um controle de qualidade antes, durante e depois da fabricação. Termos ainda a rastreabilidade, então se acontece qualquer coisa em relação à matéria-prima, sabemos exatamente para quem a gente vendeu, quem manipulou, quanto foi dispensando. Na nossa ficha interna, há o registro de todo mundo que mexeu naquele medicamento, sabemos quem pesou, o quanto pesou, tudo fica registrado. Depois do medicamento pronto, temos o controle de qualidade e uniformidade de conteúdo e do peso. Sabemos que a legislação permite que a indústria tenha uma variação de 10% no peso de cada comprimido e na farmácia de manipulação é exigida uma diferença de no máximo 7%, na nossa empresa liberamos com no máximo 3%, mais do que isso, o processo é retomado e fazemos um novo medicamento. Além disso, temos outros controles de qualidade, que são medicamentos enviados a um laboratório de São Paulo que faz outros testes que avaliam se o que está ali dentro é aquilo mesmo, se a variação da quantidade do produto que digo que há em cada cápsula é aquilo mesmo e se a diferença do peso está dentro do ideal. É uma segurança muito grande porque temos vários pontos de controle", diz.

Apresentações e conversões

Cápsulas, xaropes, soluções, emulsões, cremes, pomadas, sachês (em pó), filmes orais, comprimidos. No caso da homeopatia, em líquido e em papéis. Para o uso externo há gel, sérum, pomada, creme, gel creme, enfim os medicamentos manipulados podem assumir uma diversidade enorme de apresentações para atender a necessidade de cada paciente.

Além disso, é possível que se faça uma conversão de formatos, de uma cápsula para xarope, por exemplo. "Temos um compêndio farmacêutico que nos define como fazer esta conversão, fazemos isso sempre baseados na literatura específica porque os veículos mudam, às vezes temos que solubilizar em álcool, noutras vezes em glicerina ou em xarope, que tem a presença do açúcar, então não posso transformar como que eu quiser cápsulas ou comprimidos em xarope, por exemplo. Fazemos muito isso, especialmente para crianças e idosos, e a maioria desses processos já estão descritos na literatura, a não ser que seja um produto muito novo. Nesses casos, precisamos fazer uns experimentos para fazer essa conversão com segurança. Normalmente mandamos esses produtos para análise em laboratório de São Paulo", detalha Marília.

Remédios associados e na quantidade certa

"Além do medicamento personalizado, conseguimos fazer com que a pessoa tome menos cápsulas de cada vez, então podemos associar vários medicamentos em uma cápsula só. Colocamos um princípio ativo e um incipiente, não posso colocar, por exemplo, só 5 mg do medicamento, preciso diluir este princípio em alguma coisa para 'correr' na máquina de comprimido ou encapsular. Não é uma particularidade da farmácia de manipulação, todo medicamento contém incipientes que são os produtos que podem ser usados dentro do comprimido para que possamos então fazer com que o medicamento possa ser consumido. Nesse processo então podemos aproveitar mais de um princípio ativo para fazer um medicamento. Pessoas que tomam, por exemplo, 10 medicamentos, poderão tomar menos, facilita menos, ela engole menos cápsulas", ressalta a farmacêutica.

Você se lembra daquela cartela que vem com 10 comprimidos e você só precisa tomar oito? Com os manipulados não há sobras nem desperdícios. "Se a pessoa precisa de 15 cápsulas é isso que será produzido. E o medicamento não deve ser descartado de qualquer forma, até recolhemos os restos de medicamentos das pessoas aqui também para que isso não seja descartado de qualquer forma na natureza e até chegue aos nossos rios", cita Marília.

Quem escolhe as cores das cápsulas?

"Temos alguns critérios para a definição de cor, especialmente para que a pessoa que usa mais de um medicamento não leve mais de um da mesma cor. Então se a pessoa faz três medicamentos, sempre fazemos de cores diferentes para que ela não se confunda. Isso fica registrado no sistema para que se vier um produto novo possamos saber qual cápsula utilizar. Essa cor não influencia em nada o medicamento, é uma escolha técnica, temos vários tamanhos de cápsulas e algumas cores disponíveis. Em alguns casos a gente pode diferenciar até usando uma cápsula transparente. O critério de seleção das cores normalmente é um para cada farmácia, não existe nada universal nesse sentido", responde.

Nada de partir o remédio!

Com exceção daqueles produtos que já vêm com aquela marcação do sulco no meio, esqueça o ato de partir o comprimido para ajustar a dose. Marília ainda explica que outro benefício dos manipulados é a adequação da dosagem. "Como no caso dos medicamentos para as crianças, por exemplo. A pessoa então compra o medicamento na drogaria, traz para a farmácia e a gente adequa a dose para que a criança possa tomar a quantidade necessária. Fazemos a trituração, ou o que quer que seja necessário, ou uma solubilização, se for um xarope", detalha Marília.

Dica para tomar a cápsula

Para quem tem dificuldade de engolir, Marília deixa uma dica bem legal. "Quando a gente toma uma cápsula, temos que abaixar a cabeça porque ela sobe e a gente engole quase sem sentir, então facilita muito tomar o medicamento. Há casos em que a pessoa está praticamente desistindo do tratamento, não consegue mais tomar a cápsula, e é algo bem simples, é um processo puramente físico. Com o comprimido é diferente, você levanta a cabeça e engole. Parece óbvio, mas faz diferença na adesão ao tratamento", lembra a profissional.

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