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Sétima das Artes

Crítica: Invencível

Por Ulisses da Motta Costa
InvencívelInvencível é o segundo filme dirigido pela estrela Angelina Jolie - não estranhe, caro leitor: ela e o marido Brad Pitt não só atuam como são produtores engajados (Jolie produziu Malévola, Pitt, 12 Anos de Escravidão). Talvez a primeira pergunta seja: ela aparece? Não. Como diretora, ela prefere não distrair a atenção da história que ela quer contar.
 
Invencível, aliás, dificilmente teria um papel para ela. O filme conta a história real (que eu não conhecia) de Louis Zamperini, estadunidense descendente de italianos que competiu nas Olimpíadas de Berlim (1936) e depois foi lutar na II Guerra Mundial na frente do Pacífico, como bombardeiro. Depois que seu avião cai, ele sobrevive penosamente num bote em alto mar apenas para ser aprisionado pelos japoneses. 
 
Em suma, o tema do filme é bom por si só. É um projeto muito bem produzido, mas que tem um problema. Sua primeira metade é muito boa, densa, rica, dirigida com segurança. Contudo, a segunda metade, que trata especificamente do cativeiro do protagonista, ainda que possua momentos fortes, acaba resvalando em clichês do melodrama fácil.
 
Angelina aposta numa direção acadêmica, no bom sentido do termo: é visível que a decupagem é bem cuidada, com planos bem compostos. A cena de abertura, um tenso combate aéreo, é conduzida com firmeza. Idem para os flashbacks que mostram a juventude de Zamperini e a longa sequência de deriva num bote no Pacífico. 
 
As cenas do cativeiro no Japão, porém, parecem pertencer a outro filme. A trilha de Alexandre Desplat, econômica no início, assume tons mais tradicionais, por exemplo. E a caracterização do japonês que comanda o campo de prisioneiros seria mais adequada a um vilão de filme de super-herói do que a um drama realista. O aspecto andrógino (com direito a unhas longas) e o sadismo de HQ do músico japonês Myiavi destoam inteiramente do que a película vem mostrando até então. 
 
No terceiro ato, Angelina escorrega no "novelão", com direito a terminar a projeção congelando o último frame. O que é curioso, porque ela conseguiu um time de colaboradores de peso (além de Desplat na trilha, teve ainda os irmãos Ethan e Joel Coen envolvidos no roteiro). Por mais que a obra prometesse mais no seu início, porém, ainda assim a história (como falei antes) é boa por si só. Contos de sobrevivência são sempre inspiradores e é tarefa difícil estragá-los.

INVENCÍVEL (Unbroken, EUA, 2014). Direção de Angelina Jolie. Roteiro de Joel e Ethan Coen, Richard LaGravenese, William Nicholson, baseado no livro de Laura Hillenbrand. Com Jack O'Connel, Dohmhall Gleeson, Garrett Hedlund, Myiavi. 
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