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Entenda a incontinência fecal, quando o paciente não consegue controlar o intestino

Problema, que pode ocorrer em várias faixas etárias e trazer constrangimento ao paciente, se caracteriza pela saída de gases ou fezes de forma involuntária

Publicado em: 18.11.2019 às 03:00 Última atualização: 20.11.2019 às 11:50

Nayane Clivatti, coloproctologista Foto: Divulgação
A incontinência fecal também inclui pessoas que fazem sua higiene após evacuar e quando vão novamente ao toalete, estão com um restinho de sujeira, como se não tivessem limpado direito, explica a coloproctologista Nayane Clivatti. "O mais importante é entender que isso não é normal. E, se existe incontinência, existe um motivo que deve ser procurado, a dificuldade de reter as fezes pode ser sinal até mesmo de um tumor, mesmo que raro, mas também de doenças neurológicas, de inflamações intestinais", detalha a médica.

Incontinência fecal e diarreia: quais as diferenças?

Diarreia é quando as fezes ficam mais líquidas ou o aumento da frequência de evacuações. A incontinência é quando não há capacidade de controlar a saída de fezes ou gases. Realmente, a maioria de nós acaba experimentando algum episódio de incontinência durante uma infecção com diarreia. Quem tem incontinência, pode se sujar mesmo com fezes sólidas.

Que tipo de fatores podem originar a questão?

Na maioria, temos um conjunto de fatores que se somam ao longo da vida, por isso é mais comum em pessoas de mais idade, mas o diagnóstico é feito a partir de 4 anos, quando a criança tem maturidade neurológica para controlar o intestino. Os maiores fatores são cirurgias anais, como hemorroidas, fissuras, fístulas, gestações, o parto vaginal aumenta muito o risco, obesidade, problemas intestinais (doenças inflamatórias, constipação), além de lesões neurológicas.

Como é o tratamento?

O tratamento inicial é melhorar a consistência das fezes. Entretanto, a incontinência fecal quase sempre envolve algum enfraquecimento da musculatura da pelve e do ânus, que precisa ser avaliado pela manometria anorretal, e associado a exame de imagem e colonoscopia. Assim, descoberta a causa, passamos ao tratamento completo. Algumas patologias vão necessitar de tratamento cirúrgico, como a retocele ou um prolapso. Como falamos de músculos, o fortalecimento com exercícios faz parte do processo de melhora, que é o biofeedback - um tipo específico de fisioterapia pélvica, não é a fisioterapia pélvica convencional. Atualmente, a neuromodulação sacral tem apresentado resultados muito expressivos, reduzindo muito as perdas de fezes. É uma espécie de marcapasso que fica nas costas do paciente e tem um mecanismo complexo e eficaz.

Mudanças no hábito alimentar também são importantes? E a hidratação?

O consumo de fibras e a hidratação adequada ao peso do indivíduo, que gira em torno de 2 litros por dia, é sim fundamental no tratamento. Apesar de o ânus não ser um músculo como os demais, podemos comparar com a mão: é muito mais fácil segurarmos uma banana, que é macia, mas consistente, do que segurarmos chimia, que é cremosa e escorre pelos dedos. Da mesma forma, fezes líquidas são mais difíceis de conter, assim como as fezes endurecidas demais são difíceis de expulsar, e agridem a musculatura. A melhora da consistência das fezes e do hábito intestinal é o primeiro passo.

Pessoas que sofrem com intolerâncias alimentares ou doenças intestinais podem ser mais atingidas?

Sim. Todavia, estes problemas têm tratamento, que a aumentam a consistência das fezes e fazem com que essa pessoa tenha mais facilidade de controlar a região do ânus. Além disso, o tratamento dessa doença de base - que seria inflamações intestinais, intolerâncias alimentares, síndrome do intestino irritável - deve diminuir também a necessidade de ir várias vezes ao banheiro, e por consequência, a perda de fezes.

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