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Cotidiano | Entretenimento Espírito Jovem

Com aumento da expectativa de vida, população tem mais tempo e desafios

País está envelhecendo e, para muitos, é o momento de pensar em como viver bem neste viver mais e seguir fazendo planos no dia a dia

Por Alecs Dall'Olmo
Publicado em: 28.09.2019 às 03:00 Última atualização: 29.09.2019 às 09:03

Foto por: Diego da Rosa/Ges
Descrição da foto: Iselda enfatiza a importância de perceber as mudanças de cada fase da vida
Estamos ficando velhos. Mais do que isso: seremos a maioria, especialmente elas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. O Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, algo em torno de 13% da população do País.

E esse percentual vai aumentar. Vai dobrar nas próximas décadas, segundo a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso representa uma preocupação extra, pois tudo o que se quer é viver mais e com qualidade de vida. E estamos vivendo mais. "Não sinto que sou idosa. Sou juventude acumulada. Me considero jovem. Vivo o dia a dia como todo mundo. Claro que, às vezes, estou louca de dor. Mas bem", ressalta Jussara Terezinha Santos, 66 anos, juntamente com várias amigas.

Para Jussara, Maria da Graça Hofmann, 63, Aida Teresinha Spader, 74, e Iselda Barden Rosa, o que se apresenta a cada ano e prossegue no tempo - em meio a dados e projeções do IBGE e avanços das áreas da Medicina e da Nutrição - e é algo que vai além. Para elas, existe uma nova geração de idosos.

Se a tendência de envelhecimento for mantida, será uma grande geração. Conforme o Observatório da Realidade e das Políticas Públicas do Vale do Sinos (Observasinos), ligado ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU), com base em informações do IBGE, o Brasil se tornará um país idoso no ano de 2031, levando em consideração cálculos do Índice de Envelhecimento (IE).


Viver bem

"Com a idade ocorrem problemas. E como estamos vivendo mais, é fundamental pensar em como viver bem neste viver mais", conta Maria. "Hoje a idade chega e a gente nem percebe. Evidente que há questões de saúde, o preconceito, principalmente com a mulher idosa. Mas estou falando em aprender a conviver consigo mesmo, aprender a viver bem os limites." Na avaliação de Jussara, estamos diante do novo velho.

"Há bem pouco tempo, quem chegava aos 40 anos era velho. Hoje, as pessoas não pensam assim", completa Jussara. "Quando os filhos foram para as suas vidas, eu me perdi um pouco. Foi um momento que a velhice me assombrou", ressalta Aida. "Mas a vida segue. E tem uma coisa que é fantástica: os amigos. A vida muda com amigos, que vão mudando junto com a gente. Tem dias que abraço 45 pessoas. Felicidade é tudo." Iselda acrescenta: "O importante é viver bem."

Superações sempre

Segundo Jussara, o envelhecer tem vários aspectos, especialmente quando se é mulher. "É fundamental entender que o tempo de vida está maior e deve ser vivido. Mas é inegável observar que a mulher idosa sofre constrangimento diariamente. Você passa a ter dificuldade de ler algo, tem que ficar de olho na calçada e suas irregularidades. Tu ficas mais de olho no chão para não cair. E num bar, quando sentamos para beber, confraternizar, parece até que não pode. Nesse momento o papel dos grupos de melhor idade, conviver, maturidade são fundamentais. No grupo é fortalecimento. Os grupos de melhor idade são a segunda casa. As pessoas ficam mais seguras. 'Velho não fala disso, não fala daquilo'. Velha fala do que quiser. À vezes olham para nós e acham que não estudamos, que não sabemos, que não temos Doutorado, que não somos coitadinhos. Que nada. Sonhamos mesmo em fazer mais.”

Afeto que faz toda diferença na vida

Foto por: Diego da Rosa/GES
Descrição da foto: Maria Regina Morales e Suzana Wolff são integrantes do Programa Pró-maior da Unisinos
Em um mundo em que tudo é jovem, se quer adiar a velhice. Ou melhor: prolongar a juventude. Mas o desafio é justamente estar no passar do tempo e se aceitar neste lugar que é o envelhecimento. Para a professora de Educação Física Suzana Wolff e para a psicóloga Maria Regina Morales, ambas integrantes do Programa Pró-maior, serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para idosos da Unisinos, o espírito jovem do idoso passa por assumir as rugas e o cabelo branco.

"Não é simples assumir que estamos mais dependentes, mais frágeis, que estamos ficando feias, feios. E que o corpo já não é mais aquele corpo, que as respostas não são tão rápidas e que o desejo segue", ressalta Maria Regina, enfatizando algo que nos acompanha desde o início e em todas as fases e que deve ser vivida, entendida e conversada: a sexualidade. A função sexual existe desde o princípio de vida e seguirá até o fim. "Nascemos sexualizados e vamos morrer sexualizados", conta Maria Regina, fazendo referência a estudos longos e complexos sobre a sexualidade de Sigmund Freud (1856 - 1939), o criador da psicanálise. Elas esclarecem que a sexualidade, durante todo esse desenvolvimento, do nascimento à morte, passa por mudanças.

"Quando envelhecemos, as alterações são altamente significativas e precisam ser conhecidas. Transformações nos dois, velhos e velhas. E há algo fundamental: diálogo. Se o casal não conversar a respeito do que cada um está percebendo no seu físico, o casamento se transforma em desprazer." Suzana, responsável pela disciplina de Envelhecimento Humano, lembra algo fundamental que deve estar presente sempre: o afeto. "Desejo não tem idade. E esse desejo é mantido através do afeto. Esse afeto se manifesta em uma convivência fraterna, gentil, em momentos de dividir, de vibrar com as conquistas. O afeto é essencial para a saúde, para o emocional, para o casal. Tolerar o erro, o esquecimento, a incapacidade."

No envelhecimento, as questões físicas devem entrar na conversa: "Ele não tem a frequência de ereções que tinha e esse momento é menor, precisa de mais excitação. A mulher tem secura vaginal, que provoca dor, e baixa libido."

Na ponta do lápis

A partir de dados organizados pelo Observasinos, com base nas novas projeções do IBGE, versão feita no ano passado, o envelhecimento do Brasil vai ocorrer no ano de 2031. No ano 2010, havia 48,1 milhões de jovens de 0 a 14 anos e 20,9 milhões de idosos com 60 anos e mais. Período em que o Índice de Envelhecimento era de 43,4 idosos para cada 100 jovens. Em 2018, o número de jovens caiu para 44,5 milhões e o de idosos subiu para 28 milhões, ficando o IE em 63 idosos para cada 100 jovens. Então, na ponta do lápis dos projetos, o número de idosos vai ultrapassar o de jovens em 2031, quando haverá 42,3 milhões de jovens (0-14 anos) e 43,3 milhões de idosos (60 anos e mais). Segundo o IBGE, pela primeira vez o IE será maior do que 100. Ou seja: haverá 102,3 idosos para cada 100 jovens.

Envelhecimento

O envelhecimento populacional continuará sua marcha ao longo do século 21. em dados preparados pelo Observasinos, no ano de 2055, as projeções do IBGE indicam o montante de 34,8 milhões de jovens (0-14 anos) e de 70,3 milhões de idosos (60 anos e mais). Nesse caso, o IE será de 202 idosos para cada 100 jovens. Mais do dobro de idosos em relação aos jovens.

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