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Informe Editorial EDUCA MAIS

Livro conta histórias de 31 agentes comunitários do país

Publicação pode ser baixada gratuitamente em site; confira como

Publicado em: 27.04.2022 às 16:39

Nas capitais ou interiores do país, os cerca de 265 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS) monitoram milhares de famílias atendidas, verificam se as vacinas estão em dia, encaminham gestantes para o pré-natal e outros serviços considerados de atenção básica. Eles também carregam consigo o dom da escuta, acolhimento, parceria e bravura ao fazer com que as pessoas tenham acesso ao que é delas por direito: um serviço de saúde digno.

A agente de saúde Rosilene Monnerat atende 223 famílias no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro
A agente de saúde Rosilene Monnerat atende 223 famílias no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro Foto: Divulgação
O panorama das atividades desses profissionais a partir da vivência de 31 agentes de diferentes lugares está retratado nas 200 páginas do livro Caminhos da Saúde, que pode ser acessado gratuitamente através do site do CEC BRASIL. Dentre as histórias contadas está a de Rosilene Monnerat, ou a Rose, como é conhecida pelas 223 famílias que atende no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo (RJ). São 62 anos de idade, sendo 20 deles dedicados à profissão de agente comunitário. Por onde passa, com sua bicicleta, Rose é cumprimentada e reconhecida pelo sorriso constante que carrega no rosto, embora os desafios da profissão sejam inúmeros.

“Problemas como a falta de recursos para cuidar dos males do público vulnerável que atendo e dificuldade em conseguir encaminhar as pessoas para os órgãos de acordo com suas necessidades”, explica. Essas questões, inclusive, não são de hoje. Quando começou a atuar no bairro, encontrou um ambiente ainda mais precário. “Não tinha estrutura alguma, a gente trabalhava na rua, na calçada, pesando as crianças com balanças penduradas em árvores”, recorda em seu relato no livro.

Por ser da comunidade e vivenciar na pele as mesmas questões dos moradores, Rose tem trato para explicar a eles que ela não faz milagre com as inúmeras demandas que convive diariamente. A troca entre o serviço prestado e a gratidão que as famílias sentem por ela torna sua atuação profisisonal ainda mais especial. Para alguns atendidos em sua área de atuação, Rosilene é mais que uma ACS. “É como se eu fosse da família. Não é com todas, mais algumas delas me avisam tudo o que acontece como alguém que nasceu ou morreu. Se caiu, brigou, teve febre... me param também em pleno domingo para contar”, comenta Rose.

Cleber Correia atende 221 famílias no munícipio de Cerrito, no Rio Grande do Sul
Cleber Correia atende 221 famílias no munícipio de Cerrito, no Rio Grande do Sul Foto: Divulgação
A quase dois mil quilômetros de distância, em Cerrito, Rio Grande do Sul, não é diferente com o Cleber Correia, 45. São 10 anos de profissão e hoje um dos 16 agentes comunitários que atendem o município de 6 mil habitantes. Em sua responsabilidade há 121 famílias – antes de sua microárea de atendimento ser ampliada eram 147 –, entre elas há aqueles que esperam religiosamente o dia da visita de Cleber, quando sai de casa em casa com sua motocicleta, cujo barulho já é de longe reconhecido pelas famílias. “Têm pessoas que realmente esperam só pelo dia da minha visita. Que é o dia com quem eles podem conversar, desabafar e contar sobre tudo que têm. As pessoas que eles têm mais acesso é com a gente. Isso é muito legal, eu gosto porque me deixa bastante ligado com aquela família”, ressalta ele que é grato pela relação de confiança que constrói todos os dias com os moradores.

Também em comum com Rose, Cleber passa por inúmeros desafios em sua jornada diária de ACS, como tentar fazer encaixar as inúmeras solicitações das famílias com a disponibilidade do sistema de saúde público. Para ele, a questão fica ainda mais complicada quando se trata de crianças. No entanto, questionado se mudaria de profissão, ele responde sem titubear. “Não, não tenho nem ideia. Nem se tivesse uma proposta muito boa, eu deixaria de ser agente comunitário de saúde”.

Rosilene também não se vê com outra profissão. “Me sinto muito recompensada quando consigo ajudar de alguma forma. Como está no livro, ser agente é ser um pouco de tudo: psicóloga, assistente social, enfermeiro e professor. Mas, principalmente, ser como uma luz no fim do túnel para as pessoas”, define.

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