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Enfermeira-poeta ajuda amenizar rotina de pacientes através da literatura

Profissional criou um cantinho da leitura e declama poesias

Por Por Redação
Publicado em: 30.06.2022 às 15:38

Quando decidiu cursar Enfermagem, Carolina Miranda, 40 anos, natural de Natal (RN), já sentia que poderia contribuir para melhorar a vida das pessoas por meio do seu trabalho, mas estendeu o cuidado para além dos conhecimentos técnicos e tomou a iniciativa de criar um cantinho da leitura para enfermos, acompanhantes e equipe hospitalar. Com sensibilidade e perseverança Carol transformou o seu local de trabalho. Os corredores frios do hospital ficaram aquecidos diante do acolhimento dado às pessoas ali internadas.

Profissional criou um cantinho da leitura e declama poesias
Profissional criou um cantinho da leitura e declama poesias Foto: Reprodução
O cantinho da leitura foi criado em 2017, na enfermaria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, onde trabalhava. “Era uma caixinha de sapato com cinco livros doados por minha mãe. Esses cinco livros viraram mil com doações de várias pessoas”, relembra a enfermeira. Além de mudar o ambiente, Carol ela ajudou a minimizar a dor dos pacientes por meio de poemas. O retorno positivo rendeu-lhe a criação de dois livros e a participação em feiras literárias.

“O primeiro paciente que pegou um dos livros chegou para mim e falou feliz que já estava na 12ª página. Uma outra pessoa, que estava internada, disse que os livros faziam com que ela saísse pela janela da enfermaria e conhecesse o mundo. Ela fez uma cirurgia neurológica, ficou acamada, teve dificuldade para falar, mas quando passou a pegar os livros ela começou a se restabelecer”, conta entusiasmada.

Durante a pandemia, Carol teve que retirar os livros do local para evitar o manuseio por diversas pessoas, em respeito a uma das regras sanitárias de combate à Covid-19. “Nessa de retirar os meus livros, eu pensei: ‘e agora? O que vou fazer?’. Aí veio uma frase da minha avó que dizia assim: ‘Vai como pode!’. E essa frase fez com que eu começasse a recitar poemas de outros poetas e também da minha avó Dulce, que fazia poesias escondidas para o meu avô”, esclarece.

Ao recitar poemas, a enfermeira começou a escutar mais os pacientes e às histórias, claro, ela também deu uma forma poética. “Eu escrevia as poesias e entregava para eles no final do plantão”, conta.
No hospital, Carol criou o campeonato de poesia. Os participantes recebiam um tema e ganhavam livros.

No campeonato participavam os pacientes, acompanhantes e funcionários. “Eles agradeceram muito, alguns nunca tinham escrito versos na vida e no leito começaram a escrever. Até hoje guardo as poesias deles”, comenta saudosa.

Além de dar conta de acolher os pacientes, a enfermeira Carol arranjou tempo para escrever livros. Autora de “O Poetizar do Cantinho da Leitura” e “Vai como pode - poesia ou saudade?”, ela já se prepara para a terceira obra. “Os livros têm poesias dos meus pacientes e o terceiro vem aí como homenagem a todos eles”, conta.

Nesse mês, a enfermeira-poeta se apresentou no Festival Baiano Literário de Contação de Histórias. Na ocasião não perdeu tempo e fez aquilo que seu coração pedia: criou poemas na hora e entregou para alguns escritores que estavam no local.

“Para mim foi fantástico participar do festival e se houver outros eu vou querer participar. Já penso na Bienal do Livro, no final do ano, que quero estar com os meus dois livros. Nunca passou pela minha cabeça ser uma enfermeira e participar de festivais literários. Eu tenho uma amiga que diz que quando precisei tirar os livros do hospital na pandemia ali surgiu a poeta. Essa observação dela me marcou”, reflete.

Parar com as poesias não está nos seus planos e sua pretensão é continuar usando as palavras para tocar as pessoas. “O que me motiva a fazer esse trabalho é poder transformar o dia das pessoas e poder dar sentimento a tudo que elas pretendem ser no futuro, ou o que querem ser no momento, é poder transformá-las através do sentimento”, conta entusiasmada.

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