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Notícias Bandeira vermelha continua

Novo reajuste na conta de luz pode representar de 50 a 58% de aumento

Governo federal trabalha para que aumento não tenha tanto impacto

Por Estadão Conteúdo
Publicado em: 27.08.2021 às 21:40 Última atualização: 27.08.2021 às 22:07

A preocupação com o impacto de mais um aumento no preço da energia sobre a inflação foi o que fez o ministro da Economia, Paulo Guedes, entrar no debate da definição da bandeira vermelha nível dois, que terá de ser reajustada novamente nos próximos dias em razão do agravamento da crise hídrica, a pior dos últimos 91 anos no País. A proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) foi classificada de "bandeiraço" pela área econômica e levou até o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a entrar nas discussões.

Conta de luz terá bandeira vermelha patamar 2 em setembro confirmou Aneel Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ainda não há previsão para quando a agência reguladora irá definir o novo valor da bandeira vermelha 2. O órgão pode convocar reunião extraordinária para analisar o tema até terça-feira, 31, para que o reajuste já passe a valer em setembro. Também é possível que a diretoria colegiada se reúna ao longo da próxima semana e defina a correção com efeitos retroativos a 1º de setembro.

O Ministério da Economia defendeu uma bandeira mais baixa, entre R$ 14 e R$ 15 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, a vigorar entre setembro e maio, o que representaria 50% a 58% de aumento. O argumento é a manutenção de um patamar mais elevado para dar tempo de recompor os reservatórios. A interlocutores, o ministro da Economia tem dito que o presidente Jair Bolsonaro apoia a ideia de um reajuste menor, porém mais duradouro, no valor da bandeira.

Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) calculou que seria necessário um valor mais alto, por volta de R$ 25 a cada 100 kWh, até dezembro deste ano, com possibilidade de retorno aos atuais R$ 9,49 em janeiro.

Essa última possibilidade, no entanto, era vista como menos provável devido ao impacto de curto prazo que teria nas contas de luz e na inflação. Por outro lado, era a preferida das distribuidoras, que estão estranguladas por despesas muito elevadas e com dificuldades para carregar os gastos por muito tempo. Há ainda uma terceira alternativa em estudo, com um valor mais alto entre setembro e dezembro e um mais baixo entre janeiro e maio.

O tema passou a ser tratado como prioridade número um pela equipe econômica, diante do efeito sobre a inflação, que já acumula alta de 8,99% em 12 meses até julho, passando de dois dígitos em algumas capitais. A disparada de preços ocorre em um momento de queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro e levou o Banco Central a apertar o passo na elevação dos juros básicos da economia. (AE)

Impasse

O impasse sobre o valor da bandeira esbarra em questões políticas e econômicas. Segundo o Estadão, o ministro Paulo Guedes defendia que o reajuste na bandeira tivesse sido adotado mais cedo, mas o MME e a Aneel acabaram adiando a decisão. Diante da demora, o ministro da Economia passou a argumentar que a decisão deveria sair apenas depois do anúncio do Auxílio Brasil, novo programa social do governo, que vai substituir o Bolsa Família. Para o ministro, era necessário haver uma agenda positiva para rebater o impacto de mais um aumento na conta de luz em um momento de alta no preço da gasolina e do gás de cozinha.

Bonificação para quem economizar

Mesmo com a perspectiva de piora da crise hídrica entre setembro e novembro, o governo tenta evitar a todo custo um racionamento e impor meta de economia de energia para a população. A aposta é um programa voluntário de bonificação para os consumidores que pouparem energia a partir de setembro.

Até agora, não há definições sobre como o programa vai funcionar, e novas reuniões devem ser realizadas ao longo dos próximos dias para tentar encontrar um modelo equilibrado. O problema, nesse caso, é o financiamento do bônus. O governo não quer destinar recursos do Orçamento para premiar os consumidores conscientes. Até agora, a ideia de abrir um crédito extraordinário (possibilidade para gastos emergenciais e imprevisíveis) desagrada a equipe econômica e não tem tido respaldo.

Situação pode frear crescimento econômico

Para o diretor do Centro das Indústrias do RS e coordenador do Grupo Temático de Energia e Telecomunicações do Conselho de Infraestrutura da Fiergs, Edilson Deitos, os problemas enfrentados pelo País não se resolverão a curto prazo. “É importante destacar que são duas coisas separadas. A crise hídrica é um problema climático, que há muito tempo não se vivia, e o outro problema é a geração de energia, que não vai se resolver a curto prazo”, afirmou Deitos, que pontuou que desde maio, a Fiergs acompanha junto com o Ministério de Minas e Energia, num grupo que congrega 20 entidades e federações estaduais, o passo a passo das ações que vem sendo tomadas.

O diretor da Fiergs cobrou ainda mais celeridade do governo estadual para liberação de projetos para geração de energia que ainda dependem de liberação ambiental. “Temos hoje a nível de Rio Grande do Sul, projetos que superam mais de 14 GigaWatts”, reforçou ele, frisando que não se pode abrir mão da responsabilidade dos empreendedores para minimizar os impactos do uso da energia elétrica atualmente. “A indústria consumidora como um todo, grande parte vem fazendo seu dever de casa, substituindo motores e processos mais eficientes. Temos que estar preparados para um possível racionamento”, completou.


Para o vice-presidente de economia da ACI-NH/CB/EV, André Momberger, o País, infelizmente, não deverá escapar de um racionamento de energia, o que é lamentável também sob o ponto de vista empresarial. “Essa possibilidade indica que o planejamento do governo federal em relação à gestão da energia não é o adequado e pode frear o crescimento econômico previsto, além de alimentar a inflação, dando início a um círculo vicioso com consequências ruins para todos”, afirmou. “Há uma clara falta de investimento para se antecipar às necessidades de energia do País. São coisas do Brasil e, agora, a solução parece ser mesmo rezar para que chova”, lamentou.

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