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Notícias | Especial Coronavírus Comunidade

Com quem e onde deixar os filhos com creches e escolas fechadas? O dilema na pandemia

Com creches e escolas fechadas, pais e mães precisam adequar a rotina de trabalho ou buscar ajuda de familiares e mesmo de terceiros para os cuidados com os filhos

Por Alecs Dall'Olmo*
Última atualização: 22.05.2020 às 08:02

A servidora pública Ariana Vigannico da Silva e o filho Heitor, de 6 anos, que está no primeiro ano e em processo de alfabetização Foto: Arquivo pessoal
Muitos pais têm tido um desafio a mais durante a pandemia de Covid-19. Onde deixar os filhos enquanto trabalham? Com creches e escolas fechadas, muitos precisaram encontrar alguém para deixar os seus pequenos. Caso da servidora pública Ariana Vigannico da Silva, 38 anos. "Meu filho Heitor tem 6 anos e está no primeiro ano na escola. Antes de tudo isso ia de manhã em um espaço de contraturno e de tarde na escola. Me mantive trabalhando desde o início do recesso", conta.

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"No início as avós ficaram com ele. Agora estou revezando uma semana de trabalho presencial com de trabalho em casa. Na semana que não estou em casa meu filho fica com a minha mãe. Mesmo ela sendo do grupo de risco não tenho como deixar de trabalhar, porque entendo que não posso deixar de contribuir com meu trabalho na Secretaria da Saúde neste momento tão delicado", ressalta Ariana, servidora pública municipal de São Leopoldo.

"No início, o Heitor estava contente porque se considerava de férias, mas agora está entediado e com saudades das outras crianças. Quer brincar e trabalhando de casa a qualidade da atenção não é a mesma." Ela não acredita que tudo isso vá acabar antes de julho. "Os meses frios são os de maior ocupação de leitos, além de que não consigo entender como fazer crianças do ensino fundamental a manterem distâncias. Já viu o recreio? Prefiro que meu filho repita o primeiro ano do que fazer de conta que será alfabetizado."

*Colaborou: Renata Strapazzon

Revezamento nos cuidados com a filha desde abril

"A partir do final de abril, meu esposo (Muniz Couto Castro) e eu nos organizamos para nos revezarmos nos cuidados com a Clara. Tenho vindo pelo menos duas vezes na semana para o escritório, dias em que ele, então, fica em casa com ela, e me ajuda também em outros horários em que preciso estar com atenção 100%, como é o caso de reuniões", ressalta Maiara Fangueiro, 32 anos, mãe de Clara, 1 ano e 8 meses. "Estamos todos fazendo o nosso melhor. Está sendo necessária muita compreensão de todas as partes", completa ela, que é administradora e gerente executiva da Acist São Leopoldo.

Avó cuida dos netos enquanto a filha trabalha

Moradora da Feitoria Cohab, em São Leopoldo, Paola Caroline de Mello, 34 anos, não parou de trabalhar durante a pandemia. Os filhos, Hiago Arthur, de 2 anos, e Jasminy, de 12, tiveram as aulas suspensas. Para poder continuar trabalhando, Paola conta com a ajuda da mãe, que mora no mesmo pátio que ela. "Dou graças a Deus por ter a minha mãe e por ela poder ficar com as crianças. Não teria condições de pagar alguém para fazer isso para mim. É uma situação complicada. Entendo os motivos das escolas, que precisaram parar para evitar contágio o máximo possível, mas também entendo o lado dos pais que precisam trabalhar e que não têm com quem deixar as crianças", diz. Com a mãe e o caçula no grupo de risco, Paola diz redobrar os cuidados na rua e quando volta para a casa. "Quando chego em casa, antes de ver eles, troco de roupa, tomo banho."

Um gasto a mais para pagar cuidadora

Para a moradora de Esteio, Antônia Gonçalves, 40 anos, a pausa na escolinha do filho Pedro, 3 anos, representou uma gasto a mais no final do mês por conta da pandemia. "Meus pais moram na Serra e não tinha com quem deixar meu nenê. Tirei alguns dias de férias que ainda tinha direito, mas já precisei voltar ao trabalho. Estou pagando uma vizinha para cuidar dele. Apesar de ter ficado aliviada por ter encontrado uma solução, foi um gasto que não previa no meu orçamento", conta Antônia.

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