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Notícias | Especial Coronavírus Pandemia

Tele-entrega cresce, mas não compensa perdas econômicas do período de portas fechadas

Procura pelo serviço cresceu 30% no início da pandemia, mas empresários afirmam que aumento da demanda não supriu prejuízos

Por Jean Peixoto
Última atualização: 22.05.2020 às 07:55

Tele-entrega cresce em São Leopoldo durante a pandemia Foto: Diego da Rosa/GES
Aposta de muitos comerciantes como alternativa durante a pandemia de coronavírus, a tele-entrega ainda não é capaz de suprir os prejuízos econômicos do período de portas fechadas. Conforme estimativa do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindimoto-RS), no primeiro período das medidas de isolamento social, em março, as demandas de tele-entrega tiveram alta de 30% no Estado. Segundo o presidente do sindicato, Valter Ferreira, em abril a demanda estabilizou. "Hoje, a situação já está mais equânime, pois as pessoas estão saindo mais de casa. Mas no início tivemos um acréscimo de 30% a 40%. Aumentou também o número de trabalhadores que perderam o emprego e se vincularam a aplicativos para fazer um 'bico' de fim de semana", comenta. Segundo ele, o setor que mais solicitou o serviço foi o de farmácias.

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Para quem vive das entregas, entretanto, o aumento da demanda foi positivo. Os motociclistas Fernando Martins, 32 anos, e Cristian Pedroso, 23, trabalham com tele-entrega para uma plataforma de pedidos on-line. Profissional do ramo há um ano e meio, Cristian comenta que o crescimento das corridas se reflete no bolso. "Antes, fazia cerca de 13 entregas por dia. Agora, fecho o dia em 22", salienta o entregador.

Mudança de perfil

Proprietário há 13 anos de uma empresa que oferece serviços de tele-entrega, no Centro de São Leopoldo, Juliano Cezar de Souza, 34 , relata que a pandemia provocou um fenômeno inesperado: aumentaram as demandas mas caiu o faturamento. O empresário explica que a redução de cerca de 15% se deve à mudança de perfil dos clientes. "Geralmente trabalhamos para empresas que mandam encomendas para locais mais distantes, como Porto Alegre, por exemplo. Agora, estamos atendendo mais corridas locais, em maior volume, porém, com distâncias menores. Também tem muitas pessoas físicas chamando para buscar exames e medicamentos", esclarece.

Conforme o empresário, as vendas on-line também aumentaram a demanda. "Atendemos lojas de acessórios, roupas, vendas on-line, armações de óculos. Isso não tinha antes", aponta. Juliano conta que no início da pandemia precisou reduzir o horário de atendimento e dispensou um dos seis motoboys da empresa, permanecendo com apenas cinco.

Ainda não receberam

Conforme os profissionais entrevistados, embora a plataforma envie comunicados diários com informações sobre proteção e prevenção à Covid-19, os entregadores ainda não receberam nem máscaras, nem álcool gel.

Alternativa nem tão rentável

Proprietário há cinco anos de um restaurante especializado em comida árabe, no Centro de São Leopoldo, Jonathan Falaneh, 28 anos, comenta que a tele-entrega é uma alternativa que não resolve a quebra do orçamento provocada pelos 56 dias de portas fechadas. "A taxa do iFood é de mais de 20%, além do custo operacional", destaca. Ele aponta que fins de semana e segundas-feiras têm o maior fluxo.

Mantendo a marca ativa

O empresário Jonathan Falaneh comenta, também, que a opção pela tele-entrega foi uma forma de manter a marca ativa durante o fechamento, que encerrou-se, em São Leopoldo, no dia 15 de maio. "A reabertura está sendo bem difícil porque as pessoas ainda estão tendo medo de sair de casa. A demanda pela tele-entrega chegou a triplicar, mas não compensa. Continuamos na atividade para manter a marca visível", afirma. Conforme o empresário, em dias com demanda alta, os pedidos variam de 70 a 80 tele-entregas, mas em dias fracos, cai para 30.

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