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Notícias | Especial Coronavírus Saúde

Fumantes têm 14 vezes mais chances de morrer por Covid, diz Sociedade de Cardiologia de SP

Nacionalmente, o tabagismo causa um prejuízo para o SUS que é avaliado em R$ 44 bilhões; Brasil ainda é o oitavo país com mais fumantes do mundo

Última atualização: 16.06.2020 às 12:13

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) afirmou em sua folha informativa sobre a Covid-19 : fumantes e usuários de tabaco são potencialmente mais vulneráveis à doença. E uma das razões para seria o fato do hábito prejudicar o funcionamento pulmonar, o que aumenta a gravidade e ação do coronavírus. Outro fator também analisado pela OPAS é o possível compartilhamento de cigarros e bongs, que podem tornar a contaminação mais latente ainda. 

Conforme o portal Instituto Dor - Pesquisa e Ensino, para além do que já era suposto pela OPAS, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) é mais precisa em sua prescrição, afirmando que tabagistas têm 14 vezes mais chances de morrer por complicações da Covid-19. Segundo a entidade, apesar do número nacional de fumantes ter caído 38% nas últimas décadas, o Brasil ainda é o oitavo país com mais fumantes do mundo, com quase 10% da população se enquadrando neste vício, o que é um fator muito preocupante por suas consequentes comorbidades cardíacas, hepáticas, cerebrais, pulmonares, entre outras.

Após revisão bibliográfica publicada no periódico científico Environmental Science and Technology, foi constatado que os riscos do tabagismo durante a pandemia não são apenas nocivos àqueles que o praticam. Devido ao isolamento social, muitos fumantes passaram a fumar mais dentro casa, o que aumenta o potencial de transmissão via aerossol (através do ar) e a partir do fumo passivo de outros moradores do lar. Além dos danos severos que o fumo passivo contínuo pode infligir às pessoas, esse perigo não apenas vulnerabiliza a população de risco, como os idosos, mas também pode contaminar crianças e transformá-las em vetores de transmissão. Conforme a revisão, o coronavírus pode se ligar a partículas e gotículas maiores de saliva, que são expelidas em exalações, tosses e espirros. Portanto, a fumaça gerada a partir de cigarros – e isto inclui os eletrônicos – pode ser fonte de contaminação a outras pessoas, considerando ainda que as cargas virais em aerossóis podem sobreviver por horas e pousar em superfícies nas quais o vírus permanece viável por dias.

No Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), a pesquisadora e química de produtos naturais, Dra. Silvia Oigman, já realizava diversos estudos para o desenvolvimento de terapias redutoras do tabagismo. Ela afirma que o cenário é preocupante, ” Essa já era uma das maiores ameaças à saúde pública, sendo responsável por mais de 8 milhões de mortes no mundo todos os anos. Nacionalmente, o tabagismo causa um prejuízo para o SUS que é avaliado em R$ 44 bilhões. Agora, com a pandemia, esse problema parece que irá acelerar velozmente o colapso do sistema de saúde pública”. A pesquisadora informa que, com a pandemia houve, mais lucro no mercado tabagista: em abril, a arrecadação de impostos federais sobre o fumo cresceu 19% em comparação com o mesmo mês de 2019.

Apesar do vício intensificar as chances de mortalidade pela Covid-19 e oferecer risco de contaminação a não-fumantes expostos à aerossóis e fumaça, a pesquisadora dá a boa notícia de que o quadro é reversível para aqueles que estão tentando parar de fumar. “As trocas gasosas, função pulmonar e circulação sanguínea, processos diretamente afetados com a infecção pela Covid-19, melhoram rapidamente após a cessação do tabagismo, reduzindo consigo os riscos potencializados da doença”, explica. Portanto, incentivar os fumantes a reduzir ou cessar o fumo durante a pandemia pode ajudar no controle de possíveis casos graves de Covid-19, mas representaria uma conquista ainda maior no longo prazo, por reduzir os quadros de comorbidades e evitar a vulnerabilização da população frente a futuras crises sanitárias.

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