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Notícias | Novo Hamburgo Especialistas alertam

'Quebra-crânio': a 'brincadeira' perigosa que pode matar; entenda as consequências

Sociedade Brasileira de Neurocirurgia alerta para o risco do 'desafio' da rasteira, em pessoas, sobretudo, jovens se colocam em risco ao provocar a queda de outra pessoa durante um salto da própria altura

Por Débora Ertel*
Última atualização: 14.02.2020 às 07:30

Depois que uma jovem morreu ao bater a cabeça no chão, o sinal de alerta foi ligado para a prática da brincadeira da rasteira ou desafio quebra-crânio.

Quem chamou atenção para o assunto foi a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), que emitiu uma nota oficial nesta semana sobre o assunto. Apesar de se ter conhecimento de uma ocorrência grave da prática, os médicos decidiram agir antes que ocorram mais casos.

A brincadeira consiste num daqueles "desafios" que viralizam pela Internet. O ensaio do tombo, neste caso da rasteira, é protagonizado por jovens que saltam do chão, sendo todo o movimento ser filmado por outra pessoa. A queda provocada pela rasteira pode ser fatal ou, no mínimo causar sequelas.

Segundo a SBN, é preciso que pais e professores estejam atentos a essa prática que pode ter graves consequências. Esta queda pode provocar lesões irreversíveis no crânio e encéfalo (Traumatismo Cranioencefálico - TCE), além de danos à coluna vertebral. Como resultado, a vítima pode ter seu desempenho cognitivo afetado, fraturar diversas vértebras, ter prejuízo aos movimentos do corpo e, em casos mais graves, morrer.

"Deste modo, como sociedade, pais, filhos e amigos, devemos agir para interromper o movimento e prevenir a ocorrência de novas vítimas. Acompanhar e informar sobre a gravidade dos fatos, pode ser a primeira linha de ação", ressalta a nota da SBN.

*Colaborou: Susana Leite

Rasteira matou jovem em 2019

Emanuela Medeiros de 16 anos participava da brincadeira com outras duas meninas na Escola Municipal Antônio Fagundes, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Após pular e sofrer a rasteira, bateu a cabeça no chão e acabou se ferindo.

A jovem chegou a ser socorrida até o hospital, mas acabou morrendo porque foi constatado um traumatismo craniano. O caso aconteceu em novembro do ano passado, mas viralizou pelas redes sociais nesta semana.

"Isso não é brincadeira, de jeito nenhum", diz neurocirurgião

O neurocirurgião Fernando Schmitz, especialista em cirurgia da coluna, é taxativo ao comentar o desafio. "Isso não é brincadeira, de jeito nenhum". Reforçando o alerta da SBN, Schmitz explica que duas regiões do corpo correm mais perigo com o tombo, o crânio e a coluna.

"O crânio, que protege o cérebro, e a coluna cervical, que protege a medula", comenta. Como há aceleração e desaceleração bruta com a queda, os riscos são se sangramento no cérebro, com chances de entrar em coma. Em relação à coluna, podem ocorrer fraturas e luxações, além da perda de movimentos.

Conforme Schmitz, no caso de adolescentes caírem o impacto é maior ainda, pois a queda pode ter dois metros de altura. O médico orienta que esse tipo de brincadeira é perigosa para qualquer idade. "Recebi no meu celular o vídeo de dois homens bêbados, onde um foi para trás e caiu sobre uma mesa, ficando tetraplégico", relata.

Mais perigoso que acidente de carro

Professor do curso de medicina na Universidade Feevale, o neurocirurgião Leandro Dini explica que a "brincadeira" quebra-crânio pode ser mais perigosa que um acidente de carro. "Habitualmente o traumatismo crânio-encefálico é mais grave porque na queda a energia cinética (movimento) é interrompida abruptamente, e não é dissipada. O impacto é absorvido diretamente pelo crânio e pelo cérebro." A rasteira com a pessoa suspensa no ar não permite que possa se segurar em algo para absorver o impacto.

 
 

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Trauma causa dois tipos de lesão na cabeça

A primeira pode ser direta, com pequeno sangramento ou até uma lesão axonal (rompimento de neurônios. A segunda é a lesão secundária, como ruptura de vaso sanguíneo, que formam hematomas. "Como a caixa craniana é inelástica, esse hematoma pode causa pressão no cérebro", explica o neurocirurgião Leandro Dini.

Como lidar de forma preventiva

Para a psicopedagoga clínico-institucional Taís Hatzenberger, família e escola devem estar alertas para o comportamento dos jovens. O viral do quebra-crânio não é o primeiro nem será o último a envolver jovens em desafios.

A especialista comenta que na fase de desenvolvimento, desde a pré-adolescência a fase adulta, o comportamento envolve questões como autoafirmação, aceitação, popularidade. Isso explicaria, em parte, o porquê dos adolescentes se envolverem com esse tipo de brincadeira. "A família precisa dar o suporte pela educação, e a escola pode prestar atenção para observar se algo está fugindo do controle", comenta Taís.

A psicopedagoga também alerta para que os pais prestem atenção no comportamento dos filhos, para observar se manifestam alguma predileção por esse tipo de brincadeira.

Papel da família e da escola de prevenir

Taís Hatzenberger lembra ainda que faz parte do comportamento humano a necessidade de se desafiar, se superar. Mas que esse ímpeto pode representar risco se a família não estiver atenta ao comportamento de crianças e adolescentes.

"A família tem o direito de saber com quem seus filhos andam e a escola tem o dever de regrar o comportamento", observa a psicopedagoga sobre esses desafios que acabam "viralizando" entre os jovens

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