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Sem padrão, ensino híbrido vai de tema em papel a aula ao vivo

Sem modelo fixo, há diferentes experiências nas escolas municipais

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 26.05.2021 às 03:00 Última atualização: 26.05.2021 às 07:20

Emef Bento Gonçalves, de Lomba Grande (acima), investiu em equipamentos que permitem aulas simultaneamente presenciais e on-line. Outros estudantes da cidade acompanham aulas de casa de forma assíncrona, caso de Brunno, que tem apoio da mãe Fernanda (ao lado). Foto: Inézio Machado/GES
Há quase três semanas, os estudantes da rede municipal de ensino retornaram às escolas. A volta às atividades presenciais não é obrigatória, é uma decisão das famílias. E também há variações na experiência de aprendizado, porque há diferentes modelos. Especialista alerta que será preciso levar em conta, justamente, toda essa diversidade na hora de fazer avaliações ou avaliar desempenho.

Em Novo Hamburgo, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) não fixou formato único para o retorno. Cada uma das 89 escolas tem autonomia para definir de que forma vai oferecer as atividades não presenciais aos alunos, conforme a realidade da comunidade e as condições da escola.

Há desde aulas síncronas, em que o professor atende ao mesmo tempo os alunos que estão na escola e os que estão em casa, por meio de vídeo ao vivo, até as que mantêm as atividades impressas em casa, sem atendimento de professor. E há atividades pela plataforma Google Classroom ou por WhatsApp, além de chamadas de vídeo.

Alternativas

"Cada escola tem seu ritmo, precisamos respeitar. Não podemos determinar algo igual para todos. Tem muitas alternativas de acordo com o que as escolas definiram com as famílias a partir do contexto de cada escola", explica a secretária da Educação, Maristela Guasselli.

Dos 24 mil alunos da rede municipal, 60% optaram pelo retorno presencial, segundo a Smed. Os demais permanecem com atividades em casa.

A secretária afirma que o município fará uma avaliação, ainda sem previsão. "Será necessária uma avaliação diagnóstica para toda a rede, para ver onde precisamos focar mais", comenta. "Vamos diagnosticar e fazer um trabalho intenso em cima do resultado", afirma.

Alunos da rede municipal vivem múltiplas realidades com ensino híbrido Foto: Matheus Chaparini/GES-Especial

Especialista alerta para resultados diferenciados

Na avaliação do doutor em Educação e professor da Universidade Feevale Gabriel Grabowski, as prefeituras estão transferindo às escolas a responsabilidade pelas condições, protocolos e estratégias de acordo com cada situação dos estudantes e famílias.

"Isto resultará em processos de desenvolvimento e aprendizagens diferenciados e, depois, não podemos exigir avaliações e desempenhos uniformes, como já está ocorrendo na rede estadual. Se as condições são de acordo com cada escola, não caberá exigir resultados iguais de todas escolas e estudantes", analisa.

Diversidade

Grabowski afirma que essa realidade ocorre também em outras redes de ensino e é consequência principalmente da falta de uma coordenação articulada nacionalmente entre União, Estados e municípios.

Ele defende como fundamental que o projeto pedagógico de cada escola seja efetivado da melhor forma possível neste contexto e nesta diversidade.

"A questão é, neste ambiente pandêmico, o que é possível desenvolver. Não podemos esquecer que temos famílias, estudantes e professores enlutados, com medo e angústias existenciais. Isto afeta todas nossas atividades."

 

Síncrona: em casa ou na sala, a mesma aula

A Emef Bento Gonçalves, na Lomba Grande, está entre as mais preparadas para o ensino híbrido. Desde o início da pandemia, a escola investiu cerca de R$ 18 mil para equipar todas as salas de aula com notebook, câmera, tripé e smart TVs.

A escola tem cerca de 350 alunos de 1º ao 9º anos. Em função da quantidade de alunos que optou pelo retorno presencial, não é necessário revezamento.

"Alguns voltaram ao presencial e estão vindo todos os dias, outros estão assistindo aulas de suas casas, exatamente no mesmo horário, ao vivo. Podem abrir o microfone para fazer perguntas, esclarecer dúvidas", explica o diretor Felipe Mertins.

É a chamada aula síncrona. Até mesmo a aula de educação física ocorre em síncrono, transmitida por um telefone celular e com o professor utilizando microfone e fone de ouvido. A adaptação foi aos poucos. Desde março, os professores já davam suas aulas de casa por vídeo ao vivo, com quadros brancos fornecidos pela escola.

Equipamento

Para o retorno presencial, a Smed entregou dois notebooks, uma TV e um tripé. Com verbas municipais e federais e o caixa próprio da escola - receita de eventos e contribuições voluntárias de pais - a direção adquiriu os demais equipamentos.

Os professores preparam as aulas em apresentações de Powerpoint. O conteúdo é compartilhado com os alunos e disponibilizado na plataforma virtual.

"Tivemos um retorno muito bom das famílias porque a estrutura de planejamento do professor se reduz. Se o professor atende em tempo real os que estão em casa não fica com demanda dobrada. Ele planeja uma única aula."

Para garantir a conexão dos alunos, a escola incentivou as famílias a contratarem por conta planos de Internet de 30 reais, criados por operadoras justamente para os estudantes em atividades remotas. A escola auxilia os alunos a configurarem os celulares de forma a reduzir o consumo de Internet.

Há ainda alunos sem acesso à Internet ou com conexão precária. Estes realizam atividades impressas em casa. De acordo com o diretor, eram pouco mais de 20 nos primeiros dias após a retomada presencial. Essa semana, o número caiu para 18.

 

Lidando com o desconhecido

Na Emef Nilo Peçanha, no bairro Ideal, dois terços dos 495 alunos voltaram às atividades presenciais, divididos em dois grupos. O aluno tem uma semana de aula na escola e uma em casa.

Para os que vão à escola, a rotina foi adaptada, com aferição da temperatura, tapetes sanitizantes e álcool gel, além de separação no recreio. Os que estão em casa levam material impresso e acessam atividades pela plataforma virtual. Eles têm contato com um professor uma vez por semana, por meio de vídeo.

Entre os alunos no remoto, 20 não têm acesso à Internet. Esses não têm contato com professor e seguem em ensino à distância, por meio de materiais impressos, que são retirados pelos pais.

Para a diretora Marilane Mendes, ainda não é possível aferir se haverá defasagem no ensino, pois cada criança reage de uma forma. "Isso só o tempo dirá. A gente não sabe o que irá acontecer. Estamos lidando com o desconhecido. A educação remota para o ensino superior já era algo conhecido, mas para educação infantil e ensino fundamental é novidade."

Adaptação na rotina

Brunno Linck Antunes, de oito anos, é aluno do terceiro ano e mantém as atividades em casa. A mãe, a arquiteta Fernanda Linck, de 36 anos, trabalha e cursa mestrado. Com suas atividades em casa, ela consegue auxiliar o filho.

"No começo, foi bem complicado para a gente se organizar. Agora estamos tirando de letra, está mais tranquilo", diz Fernanda. O aluno conta que consegue desenvolver as atividades, mas às vezes é mais difícil de começar. A mãe conta que, desde o retorno das aulas presenciais, há mais atividades, embora menos contato com professores.

 

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