Publicidade
Notícias | Novo Hamburgo Violência

Após feminicídio, Polícia destaca importância de denúncias

Joslaine de Lima Goulart, 28 anos, teria sido morta após discussão por mensagem no celular

Publicado em: 16.08.2021 às 03:00 Última atualização: 16.08.2021 às 09:08

Uma crise de ciúmes pode ter sido o estopim para a morte de Joslaine de Lima Goulart, 28 anos, na manhã do último sábado, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. Por volta das 6h40, ela foi atingida por pelo menos sete facadas e posteriormente jogada dentro do valão da Rua Odon Cavalcante. De acordo com a Polícia, a briga teria iniciado depois de o companheiro, de 26 anos, visualizar uma mensagem no celular da jovem.

Titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), a delegada Raquel Machado Peixoto acompanha o caso. "A gente tem certeza de que foi por causa de ciúme, porque temos depoimento de familiares que tentaram socorrer na hora", afirma, acrescentando que as testemunhas começam a ser ouvidas hoje no inquérito policial.

Entre a sexta-feira e o sábado, o casal havia participado de uma festa. Quando se preparavam para dormir, a discussão começou. "Eles foram a um baile e voltaram por volta de 4 horas da manhã. Nesse horário, já meio embriagado, ele teria pego o celular dela e visto uma mensagem", detalha Raquel. Com uma filha de 7 anos, que estava na casa de um familiar no momento do ocorrido, o relacionamento dos dois era antigo.

Porém, a situação que levou à morte de Joslaine não foi isolada. Testemunhas relataram que o casal já havia brigado outras vezes. Mas ainda que vivesse um relacionamento conturbado com o companheiro, repleto de brigas e discussões, não há registros de ocorrência abertos na delegacia. Para a Polícia, ela não procurou ajuda por medo, já que o suspeito tem antecedentes criminais.

Histórico

O homem, de 26 anos, fugiu depois do crime. Segundo a assessoria de imprensa da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), ele estava em liberdade condicional. O benefício, recebido em 7 de maio, tinha, portanto, pouco mais de três meses. De acordo com vizinhos, o suspeito também usou tornozeleira eletrônica.

Na ficha criminal, constam antecedentes por tráfico de entorpecentes, porte ilegal de arma de uso restrito, receptação e furto qualificado. A prisão preventiva ocorreu por volta das 14 horas do último sábado, quando agentes da Deam o detiveram. "Familiares ligaram para a delegacia, deram a localização, e ele não ofereceu resistência nenhuma", detalha a delegada.

A transferência ao sistema prisional foi na tarde de ontem, após mais de 24 horas aguardando vaga.

Delegada destaca importância de denúncia

Inicialmente, o delegado plantonista Leandro Bodoi recebeu o caso. Segundo ele, depois do início da discussão, o homem teria arrastado a vítima pelos cabelos e buscado a faca que usou para matá-la. O companheiro teria atingido Joslaine com três golpes na cabeça, além do abdômen e do braço. Este último, inclusive, foi presenciado por moradores do local.

Ela ainda tinha marcas de defesa em outros pontos do corpo. Depois do ataque, ele teria empurrado a mulher com os pés para dentro do valão. O corpo foi retirado do local por volta das 10 horas da manhã. Joslaine ainda deixa mais um filho, um menino de 10 anos, fruto de outro relacionamento.

Crimes semelhantes

A delegada explica que a maioria dos crimes de lesão corporal contra mulheres e feminicídios ocorre de maneira semelhante. "Porque eles viram alguma coisa no celular. Às vezes, não tem nada a ver, uma mensagem qualquer vira um motivo de briga", comenta.

Conforme Raquel, a subnotificação é outro problema. Ela estima que este número gire em torno de 90%. Ou seja, de cada dez mulheres agredidas, apenas uma pede ajuda. "Quem morre é quem não registra e não pede medida protetiva. A Polícia pode ajudar", salienta. Dos nove casos em julho deste ano, apenas duas vítimas tinham denunciado as agressões à Polícia.

Em Novo Hamburgo, este é o segundo feminicídio do ano. O primeiro aconteceu em maio, no bairro Santo Afonso. Mulheres que se sintam ameaçadas podem fazer denúncias pelo 180, para a Deam de Novo Hamburgo (3584-5805) e via Whats-App (98444-0606).

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.