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Notícias | Novo Hamburgo UMA QUESTÃO AMBIENTAL

Novo Hamburgo produz mais de 47 mil metros cúbicos de esgoto por dia e só trata cerca de 7% dos resíduos

Oito estações fazem o tratamento na cidade. A maior delas é a da Vila Palmeira, que tem capacidade para tratar 1,5 mil metros cúbicos de esgoto por dia

Por Redação
Publicado em: 03.06.2022 às 03:00 Última atualização: 03.06.2022 às 07:38

Aproveitando a Semana do Meio Ambiente, vale um olhar sobre um tema importante na área, o tratamento de esgoto. Diariamente, o município de Novo Hamburgo produz mais de 47 mil metros cúbicos de esgoto. A maior parte deste material vai diretamente para os rios e arroios sem qualquer tratamento. Atualmente, o município trata entre 5% e 7% do seu esgoto.

"É pouco e precisamos avançar. Mas o pouco que tem, no contexto, já é muito", avalia a diretora geral Andrea Braun. "Quando eu falo que Novo Hamburgo já tem oito estações, é muito, porque nós não temos na região. E essas oito são muito efetivas", complementa a diretora técnica Luciane Maria, coordenadora de produção.

Andrea destaca que o tratamento de esgoto feito por um município acaba beneficiando principalmente os outros, que estão abaixo no curso do rio. Da mesma forma, o esgoto que não é tratado das cidades que estão acima impacta Novo Hamburgo.

"Obviamente que tem que se trabalhar muito mais. Se pegarmos de Taquara a Novo Hamburgo, quem trata efetivamente esgoto? Ninguém. E nós temos uma população de 1 milhão de pessoas que se abastece do Rio dos Sinos", afirma a diretora geral.

Diferente de outros municípios, Novo Hamburgo não inclui as residências com sistema de fossa, filtro e sumidouro no percentual de unidades com tratamento de esgoto, pois não se tem o número desse dado. Está em andamento um levantamento, ainda sem prazo.

Outros desafios

Outro desafio é a ligação das residências à rede. De acordo com a Comusa, estações operam abaixo da capacidade em função disso. A ETE Vila Palmeira, por exemplo, inaugurada em setembro de 2021, poderia tratar 16 litros por segundo, mas trata apenas três.

Os despejos domésticos não são o único problema do rio. Há despejos de resíduo industrial irregulares. Com frequência, a água captada pela Comusa apresenta condutividade alta, o que indica a presença deste tipo de despejo, principalmente em finais de semana.

Em construção

Em fevereiro, a Comusa assinou a autorização para obra de terraplanagem do terreno onde será construída a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Luiz Rau, que está em andamento. A estação deve ser concluída até o fim de 2024 e tem custo estimado de R$ 61 milhões.

Já a ETE Roselândia, de menor porte, está em fase mais avançada. Com a estrutura pronta, a estação está em testes desde o início do ano, mas ainda sem previsão.

Com estas duas novas estações em funcionamento, o município deve passar dos 50% de esgoto tratado.

O Marco Regulatório do Saneamento prevê que até 2033, os municípios têm que atingir 90% de esgoto tratado. A diretora geral afirma que é possível chegar a esta meta, mas ressalta que é necessário seguir investindo.

Oito estações

Atualmente, oito pequenas estações fazem o tratamento na cidade. A maior delas é a da Vila Palmeira, inaugurada em 2021, com capacidade para tratar 1,5 mil metros cúbicos de esgoto por dia. A ETE Parque Residencial Novo Hamburgo tem capacidade para outros 900 metros cúbicos por dia. As mais recentes são a Jardim do Sol e a da Vila Palmeira. A Vila Palmeira tem a maior vazão e atende cerca de 5,4 mil famílias, no bairro Santo Afonso.

Quem tem o esgoto tratado precisa pagar uma taxa pelo serviço. O valor é 70% do consumo de água.

Como está e como vai ficar

Veja onde o esgoto já é tratado em Novo Hamburgo, e a projeção com novas ETEs

Tratamento de esgoto em Novo Hamburgo

Consórcio Pró-Sinos alerta para o impacto no rio

Na região como um todo, o percentual de tratamento de esgoto é ainda menor. De acordo com o Consórcio Pró-Sinos, cerca de 5% do esgoto lançado pelos municípios da Bacia do Rio dos Sinos é tratado. O total gerado é de cerca de 175 mil metros cúbicos por dia.

Os dados são compilados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis). Todos os anos, os municípios enviam um formulário ao Ministério do Desenvolvimento Regional.

"Quando estiver funcionando com a capacidade total, a ETE Luiz Rau representará 11% a menos de esgoto não tratado para os municípios localizados abaixo de Novo Hamburgo e 8% para toda a bacia do Sinos", afirma o diretor-técnico do consórcio, Hener Nunes Júnior.

Ele destaca que o esgoto não tratado gera um grande dano ambiental, pois vem com uma série de componentes que tornam inviável a vida dentro do rio.

"Uma das principais cargas é de matéria orgânica. Dentro da água, ela se decompõe através da criação de bactérias, forma uma colônia que consome oxigênio e torna a água sem condições de dar suporte para a vida aquática, de peixes e outras espécies. O grande prejuízo começa por aí, pelo desaparecimento do oxigênio."

No período de escassez de água, durante o verão, o problema se torna mais crítico porque a quantidade de água diminui, mas a chegada de esgoto se mantém. Logo, a concentração de esgoto na água aumenta.

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