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A vida cada vez mais tecnológica

Série de reportagens especiais do projeto Novo Normal começa neste final de semana com o tema tecnologia e seus mais diferentes impactos durante a pandemia e para o futuro Reportagem: Adriana Sikora Barboza

Há seis meses vivíamos em um mundo que já não existe mais. A frase pode soar catastrófica à primeira vista, no contexto norteado pelo coronavírus, porém, ela engloba também a aceleração positiva de muitos processos que estavam na iminência de acontecer ou que foram criados às pressas para novas necessidades. Em termos econômicos, no setor de tecnologia, não é exagero dizer: a colheita é próspera. Amparou não só a continuidade do trabalho e das aulas, como também foi capaz de alavancar marcas que até então desconheciam seu potencial na versão digital. Nesse sentido, as empresas de tecnologia foram cruciais, oferecendo suporte, de forma ainda mais veloz, apontando novos caminhos para salvar a si próprios e a seus clientes. Não apenas salvar, mas também fazê-los prosperar em tempos de retração.

Um desses novos trajetos está ligado à revolução do mercado de e-commerce. De acordo com o mestre em Design e Tecnologia pela UFRGS, Thiago Mendes, o setor como um todo foi beneficiado a partir da situação que se criou. "A demanda por plataformas tecnológicas foi iminente e exponencial, era preciso viabilizar a estrutura remota. Especialmente em e-commerces, a partir da mudança na cultura no processo de virtualização. Até os supermercados passaram a vender on-line. Isso cria a condição ideal para que, quem experimentou o modelo digital, siga usando", comenta Mendes.

Tais avanços são percebidos na prática por especialistas de mercado e tecnologia, a exemplo de Diego Zanelatto, diretor técnico da Server Softwares para Varejo. "A tendência agora é melhorar, as empresas de tecnologia estão contratando de novo. Após um período de desemprego, é hora de oportunidade. Elas existem, mas tem que saber buscar isso no mercado. As pessoas estão voltando a investir. O novo normal chegou", reflete o especialista, que vê na união a maior ferramenta de sucesso: "Existem novos negócios para se fazer, muitas novas parcerias. Criamos muitas coisas novas nessa fase e faremos ainda mais, temos que nos ajudar para que todos sobrevivam", analisa Diego.

Ótimos números

Recente estudo da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) atestou que o faturamento do e-commerce em 2020 cresceu 56,8%, o equivalente a R$ 41,92 bilhões.

Outro relatório referência do setor, o 42º Webshoppers, divulgou que o e-commerce teve sua maior alta em 20 anos, com crescimento de 47% no primeiro semestre deste ano.

Atendimento ágil

As Lojas Paludo Ltda, de Campo Bom, são exemplo de empresa que investiu em novas ferramentas tecnológicas para acompanhar os clientes em suas novas necessidades de consumo, que incluem não só a efetiva compra, como também o processo de pesquisa e comparação de produtos a partir de uma navegação virtual ágil e de alta qualidade.

"Nosso negócio foi modernizado e adaptado a um cliente que mudou hábitos, descobriu coisas boas que não vai mais abrir mão. Entendemos que nada mais seria igual. Mudar não era uma opção, mas uma obrigação. Para isso exploramos ao máximo o que já tínhamos e integramos sistemas, lançamos e-commerce, central de pagamento e aplicativo mobile. Agora ajudamos o cliente ainda mais, seja ao pagar as contas ou comprar produtos. Era o que já fazíamos todos os dias. A diferença é que com a pandemia, aprendemos a fazer em minutos", relata o gerente de Marketing, Marcio Boesing.

Novos nichos

Para Thiago Mendes, mesmo quando a vida social for retomada, o consumo digital não será reduzido drasticamente, pois um novo público consumidor já está criado. "A adesão não será de 100%, mas uma parcela da população vai se estabelecer como um nicho que seguirá consumindo conteúdo digital. Experimentaram e gostaram. Isso vale para conteúdo, e-commerce, home office e uma série de outras questões", explica o professor, enumerando razões que fazem da tecnologia um pilar cada vez mais sólido no novo normal.

Na visão de Diego Silveira, gerente de monitoramento da Protefort, um dos maiores ganhos com as mudanças a partir da pandemia foi a oportunidade de aproximação das pessoas com a tecnologia, principalmente das com idade mais avançada. "Uma grande parcela dos que tinham alguma resistência descobriu vantagens e querem autonomia para trabalhar via notebook, conferir câmeras e seus interesses via aplicativos."

Mais economia e segurança

No condomínio Residencial Club Brasil, em Novo Hamburgo, a tecnologia de portaria remota (sistema à distância) resultou em maior economia para o bolso dos moradores, além de mais segurança. O síndico, João Matheus Assmann Jacobs, relata sobre o impacto do investimento na mudança, realizada pouco antes do início da pandemia e que acabou se tornando ainda mais relevante no novo cenário que se criou: "a implantação foi fundamental para o controle de acessos dos moradores e de prestadores de serviço. Com ela tivemos menos contato humano, como é o esperado na nova rotina afetada pela pandemia. Todos têm acesso com sua própria tag e controle. E ainda identificamos a redução de 50% no valor que custaria uma portaria física."

Além da tecnologia de portaria virtual/remota tradicional, já existem soluções ainda mais completas de identificação, por meio de biometria, leitura da face e aferição de temperatura, podendo identificar, com precisão de 0.2 graus, a situação de até 35 pessoas ao mesmo tempo. "Já temos um condomínio e clientes corporativos que utilizam este leitor para suprir o controle de locais com grande circulação de pessoas. A pandemia agilizou seu desenvolvimento. Até pouco tempo, um leitor desses custava cerca de R$ 100 mil e hoje já caiu para R$ 15 mil'', conta Diego Silveira, da Protefort.

O novo nunca foi normal. Até agora

Lives, home office, aula virtual, treinamentos remotos, videochamada. Estes termos passaram a fazer parte da vida de todos este ano - e para muitos, inclusive, nasceram agora, porque vários não estavam familiarizados com eles no todo ou em parte. Curiosamente, todas essas práticas têm algo em comum. São mediações tecnológicas. Modernidades, como talvez descreveria, orgulhosa, alguma das muitas vovós que do dia para a noite passaram a falar com os netos só por chamada de vídeo do Whats. Bem-vindo ao novo normal.

E aí vem a ironia da coisa, porque o "novo", se a gente for parar bem para pensar, nunca foi "normal". O novo, o moderno, o revolucionário, ou o termo que você escolher, sempre foi um dos lados de uma dicotomia. No reverso da moeda, na outra face, ficava o comum, o careta, o paradigma dominante - o normal. Este aqui podia ser meio chato mas era confiável, conhecido, estável e comprovado. Aquele lá era interessante mas não testado, arriscado, coisa de maluco. Esse juízo do senso comum valia para quase tudo na vida. Atenção para os verbos no passado.

Muitos pais, inclusive este aqui, consideravam ruim deixar os filhos demais no celular ou jogando muito tempo on-line. Até o momento em que as aulas on-line se tornaram a única escola possível, ou em que o único convívio lúdico dos pequenos com seus pares passou a ser o ambiente virtual dos joguinhos e dos chats. Antes um profissional que ficava muito no WhatsApp era irresponsável. Até que os aplicativos de mensagem instantânea passaram a ser a norma para equipes trabalhando remotamente.

O que tudo isso quer dizer? Ninguém sabe ainda. Mas, por enquanto, pense bem na mais importante lição do "novo normal". Procure não esquecer que você passou muito tempo receoso do "novo" - quando devia, mesmo, era ter desconfiado do "normal".

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