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Notícias | País Meio ambiente

Avistamentos de tubarões em Camboriú deve ter relação com alargamento da faixa de areia

Especialistas acreditam que dragagem de areia está mexendo com o fundo do mar e atraindo predadores. Eles ponderam que situação não deve ser permanente

Por Ermilo Drews
Publicado em: 18.10.2021 às 20:56

Tubarões foram vistos em águas rasas ao menos duas vezes nas últimas semanas
Tubarões foram vistos em águas rasas ao menos duas vezes nas últimas semanas Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ao menos dois tubarões já foram avistados em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, nas últimas semanas nadando em águas rasas próximos da orla da Praia Central. Especialistas acreditam que a obra para o alargamento da faixa de areia seja a responsável pelo avistamento das espécies. Na semana passada, surfistas relataram terem visto um tubarão com cerca de um metro de comprimento. O animal teria sondado os surfistas com o focinho e fugido em seguida. Em setembro, outra espécime com cerca de dois metros de comprimento já havia sido visto por pescadores.

Pesquisador e curador do Museu Oceanográfico da Univali, Jules Soto explica que a presença de tubarões em Camboriú é frequente, mas não em águas tão rasas. “E muito raramente são avistados.” Ele acredita que a dragagem de areia do fundo do mar, a 200 metros da costa, tem exposto uma série de microorganismos, o que atrai predadores. “Isso mexe com os poliquetas (vermes marinhos), que atraem camarões, que chamam a atenção de peixes, que atraem tubarões. Cria uma teia alimentar de forma muito rápida”, explica.

Secretária do Meio Ambiente de Camboriú, Maria Heloísa Lenzi admite que a dragagem pode ser a responsável pelos avistamentos recentes. Ela frisa que a obra conta com monitoramento constante da flora e da fauna local, controle que seguirá por 36 meses depois de concluído o alargamento. “Por enquanto, este monitoramento encontrou pinguins, tartarugas, leões-marinhos, golfinhos e baleias”, pontua.

Soto acredita que as intercorrências com tubarões devem parar com a conclusão da obra. Apesar disso, ele admite que existe certo risco com tubarões dividindo o mesmo espaço ocupado por pessoas. “Nenhuma das espécies vistas são potencialmente perigosas, o que não significa dizer que não pode ocorrer um acidente por mordida. Mas um ataque propriamente dito, nos moldes do que se vê em Recife, por exemplo, é de uma improbabilidade enorme”, salienta.

Maria Heloísa considera que não há motivo para alarde. “O fato de estarmos avistando estes animais na enseada, até agora foram duas vezes, não significa nenhum tipo de risco porque são animais que já frequentam a região. Seguiremos monitorando a situação até para termos dados futuros sobre a influência da obra na enseada.”

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