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Notícias | País ALTA DOS PREÇOS

Governo e aliados aumentam a pressão sobre a Petrobras

Presidente da empresa, José Mauro Coelho, pediu demissão do cargo na manhã desta segunda-feira

Por Redação
Publicado em: 20.06.2022 às 03:00 Última atualização: 20.06.2022 às 10:27

Junto com os preços da gasolina e do diesel nas bombas, mais caros desde a manhã de sábado, sobe também a pressão do governo e do Centrão contra a direção da Petrobras. Dois dias depois de ser ignorado ao pedir um congelamento de preços, Jair Bolsonaro (PL) afirmou no sábado que há condições de a Câmara dos Deputados abrir já nesta segunda-feira uma CPI para investigar a Petrobras, estatal controlada pelo governo. Nesta manhã, o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, pediu demissão do cargo.

Preço da gasolina e do diesel em Novo Hamburgo
Preço da gasolina e do diesel em Novo Hamburgo Foto: Igor Müller/GES-Especial
O presidente da Câmara e líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), voltou a ameaçar hoje a estatal. Ontem, ele disse que "chegou a hora de tirar a máscara da Petrobras". "Não queremos confronto, não queremos intervenção. Queremos apenas respeito da Petrobras ao povo brasileiro. Se a Petrobras decidir enfrentar o Brasil, ela que se prepare: o Brasil vai enfrentar a Petrobras. E não é uma ameaça. É um encontro com a verdade", disse Lira. A oposição fala em medidas eleitoreitas e sem efeito prático.

Preocupado com o impacto negativo da alta dos preços dos combustíveis em sua tentativa de permanecer no poder, Bolsonaro prometeu que o governo "vai para dentro da Petrobras". Segundo ele, o reajuste de 5,18% na gasolina e 14,26% no diesel nas refinarias "é traição".

"É inadmissível, com uma crise mundial, a Petrobras se gabar dos lucros que tem. Só no primeiro trimestre foram R$ 44 bilhões, lucro nunca antes visto", criticou o presidente, emendando que "ninguém quer interferir nos preços, mas esse lucro abusivo a diretoria e seus conselheiros poderiam resolver".

Entenda

Desde 2016, a Petrobras trabalha com a chamada PPI, que é a política de paridade de preços internacionais. Isso acontece porque é preciso importar combustíveis para suprir a demanda interna. Na prática, reajustes como o do fim de semana são resultado das oscilações dos preços do petróleo no mercado internacional e do câmbio.

Apesar das críticas ao lucro da Petrobras, o governo está entre os maiores beneficiários do resultado financeiro da petroleira. Nesta segunda, a União receberá mais uma parcela de R$ 8,8 bilhões do lucro da estatal. Entre 2019 e 2021 a União já embolsou R$ 34,4 bilhões em dividendos. Somando impostos e royalties, o valor salta para R$ 447 bilhões.

Os especialistas sugerem que o governo deve usar ao menos parte deste dinheiro com alguma medida para amortecer os impactos do PPI não somente sobre a gasolina e o diesel, mas também sobre o gás de cozinha. "O lucro deve servir para isso", defende o consultor Raul Velloso.

Litro do diesel passa dos 7 reais em Novo Hamburgo

Com o reajuste autorizado na sexta-feira pela Petrobras, o litro da gasolina comum ficou, em média, 20 centavos mais caro neste fim de semana em Novo Hamburgo. Ontem à tarde o Jornal NH pesquisou oito postos de diferentes bandeiras. O litro da gasolina comum variava entre R$ 6,69 e R$ 6,85. Na sexta, o valor mais baixo era de R$ 6,49. Já o diesel S10 chegava ontem a R$ 7,10 em três dos oito postos pesquisados. Apesar da alta, o litro da gasolina na cidade segue mais baixo que em Porto Alegre, por exemplo. No sábado havia postos vendendo a comum a R$ 7,09 o litro na capital.

Deputado quer votar criação de um fundo de estabilização

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Caminhoneiros, o deputado federal gaúcho Nereu Crispim (PSD) está empenhado em incluir na pauta da Câmara para os próximos
dias a votação do projeto de lei 750/21, que cria o fundo de estabilização dos preços dos derivados do petróleo, tendo como fonte a arrecadação do imposto de exportação do petróleo bruto. Das 171 assinaturas necessárias, ele já conta com 129. A taxação das exportações de petróleo está no radar da Câmara. Além do projeto de Crispim, outro sugere que a
arrecadação seja utilizada para subsidiar o diesel.

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