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Notícias | Região Outubro Rosa

A autoestima para desarmar o câncer

Reviva em Cores e a Liga Feminina de Combate ao Câncer fizeram ação com pacientes da Oncologia

Por Matheus Beck
Última atualização: 09.10.2019 às 15:50

Nair Lemos participou da maquiagem pelo Outubro Rosa na manhã de ontem Foto: Diego da Rosa/GES
"Eu sei que tenho câncer, pois os exames dizem. Mas me sinto uma pessoa com muita saúde. Forte. Bem para meus afazeres diários, para sair para passear. Só dias depois da quimioterapia que dou uma baixada e fico um pouco ruim, mas é uma semana. Depois já fico muito bem. Eu sei que isso vai passar", disse a aposentada Nair Lemos, 65, com um estiloso turbante preto, enquanto recebia sombra com brilhos nos olhos esverdeados e uma marcação de batom desenhando o permanente sorriso. Nair e muitas outras mulheres integraram ação tradicionalmente inserida nas atividades que envolvem o Outubro Rosa, movimento de combate ao câncer. Na manhã de ontem, na Oncologia Centenário, a maquiagem foi uma das ferramentas utilizadas em trabalho composto pelo projeto Reviva em Cores em parceria com a Liga Feminina de Combate ao Câncer.

Com maquiadoras voluntárias, o trabalho foi realizado para adicionar forças às diferentes lutas de cada uma das pessoas que enfrenta o câncer. Nair, que descobriu o problema em abril de 2018, foi uma das que aproveitou a dinâmica em meio a mais uma aplicação de quimioterapia. Já foram seis no ano passado e oito neste. Sobre a ação, a aposentada não poupou elogios e garantiu que permanecerá com a vaidade ao seu lado para se encontrar com a saúde plena. "Foi muito legal, bom. A autoestima aumenta. Apesar de que tenho autoestima. Não me entrego, reajo sempre positivamente. Tem os dias que baixa o astral, mas eu sempre procuro evitar esses dias", aconselha.

O momento "que eleva"

A integrante da Liga Feminina de Combate ao Câncer, Rosângela Bueno Leal, acompanhou a dinâmica em meio as já amigas pacientes. "Elas perdem cabelo, sobrancelha, algumas o seio, então esse momento de beleza é o que eleva elas. Temos grupo de fortalecimento de vínculos. Rodas de conversas, desenvolvemos temas", contou Rosângela, detalhando o trabalho executado. Além da maquiagem, a liga oferece perucas e muitas dicas para as que enfrentam o problema de saúde. "Toda quinta-feira tem atividade. Estamos sempre tentando trazer coisas novas para que elas venham aqui. Trabalhamos muito o pertencimento. Elas precisam conviver e passar a vivência e conhecimento", indicou Rosângela, valorizando o convívio como um dos aliados para o melhor preparo para o enfrentamento do, muitas vezes, desgastante tratamento.

Atividade para deixar o tratamento mais leve

As profissionais voluntárias do Reviva em Cores, são conhecidas como "Maquiadoras do Bem". Elas sabem como a autoestima é necessária para uma boa recuperação ao câncer e buscam ressaltar que essa fase de tratamento, a perda de cabelos e a medicação, é transitória e que isso não impede as pacientes de se sentirem bonitas.

"A gente aproveita esse momento monótono da medicação para maquiar e dar dicas de maquiagem para as mulheres, deixando o tratamento um pouco mais leve", comenta a idealizadora do projeto, Aline Ribeiro. O Reviva em Cores também oferece cursos gratuitos de automaquiagem para as pacientes.

Manter a autoestima e pensamentos positivos este é o objetivo. E orientar esse pensamento também faz parte das atividades da Liga Feminina, que oferece acompanhamento psicológico gratuito para pacientes que sofrem com o câncer.

Para Leonida, o melhor remédio é viajar

Leonida busca sempre uma distração para se livrar de pensamentos ruins e diz ENTITY_quot_ENTITYdepressão na minha vida não existeENTITY_quot_ENTITY Foto: Diego da Rosa/GES
Em 2002, Leonida Lerner, 60 anos, descobriu o câncer na mama. As lutas foram grandes e, em 2014, o fígado foi afetado. Com batalhas em andamento, dessa vez em 2016, foi a vez do corpo indicar a presença do crescimento desordenado de células no pulmão e nos ossos. Ao todo, na matemática de 17 anos combatendo as adversidades, Leonida tabela 35 meses em meio a 39 quimioterapias. “Agora ganho uma folguinha de dois meses”, comentou a leopoldense, que reside sozinha, tem dois filhos casados e aguarda o resultado de novos exames. “No primeiro impacto tu perdes o chão. Mas o câncer não é isso. Hoje em dia, tu tens que usar muito a cabeça. Eu sofro muito. Nas quimioterapias eu fico dez, quinze dias sofrendo de vômito. Então assim, eu fazia a quimio na terça e na quinta-feira já estava pegando avião para viajar. As meninas diziam: “Meu Deus, como tu fazes isso? Está ruim, não vai nem aproveitar o passeio.” Se eu posso vomitar em São Leopoldo, por que não posso no Rio de Janeiro? Se vou fazer isso no meu banheiro, por que não posso no avião? Estou pagando para isso”, revela Leonida, a respeito da receita obtida através das milhagens.

Ficar em casa está longe dos pensamentos da aposentada, que busca sempre uma distração para se livrar dos pensamentos ruins. “Tenho dois filhos, são casados, mas eu não fico em casa. Depressão na minha vida não existe. Meu remédio é o passeio. Se eu estou em casa e vejo que vou ficar para baixo, chamo um Uber, venho pro Centro, vou olhar vitrine. Se não tenho dinheiro para comprar, não quero nem saber. Vou olhar, vou conversar. Eu quero continuar essa pessoa íntegra, bonita. Quero ser essa pessoa que eu sou”, complementou a forte mulher, que brinca com o fato de conhecer muita gente e viver sob sugestões de busca de uma carreira política, fator que ela afirma não integrar as possibilidades encaradas por ela para a própria vida. Umas das ações que deu partida ao Outubro Rosa no Município foi o quarto seminário, realizado no dia 4, com o tema Semear Informação para Colher Saúde.

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