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Notícias | Região Durante o isolamento

Registro de casos de violência contra a mulher tem queda de 40% em São Leopoldo

Delegada ressalta, no entanto, que existe um aumento na subnotificação dos casos, tensionada pelo distanciamento social

Última atualização: 03.05.2020 às 11:49

Delegada ressalta, no entanto, que existe um aumento na subnotificação dos casos, tensionada pelo distanciamento social Foto: Diego da Rosa - Arquivo/GES
Na reunião do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M), realizada na semana passada a violência doméstica durante o isolamento social entrou na pauta de discussões. Apesar dos índices de criminalidade em São Leopoldo terem diminuído, os casos de violência contra a mulher têm se mantido altos, principalmente as ocorrências mais graves, como violência física e estupro. Segundo a delegada titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) do Município, Michele Arigony, de 16 de março a 28 de abril houve uma redução de cerca de 40% no registro de ocorrências de violência contra a mulher, em comparação a janeiro e fevereiro deste ano.

Michele explica, no entanto, que existe um aumento na subnotificação dos casos, tensionada pelo distanciamento social. “Os crimes menos graves não estão sendo denunciados e o que nos preocupa mais ainda é o agravamento de situações de violência preexistentes. A crise financeira contribui para dificultar a convivência harmoniosa dentro de casa, onde a gente sabe que ocorrem a maior parte das agressões”, disse. A delegada reforça que a campanha “Fique em casa” tem feito com que as mulheres realmente fiquem em casa e a convivência com o agressor facilita esses incidentes “Sabemos que muitas vítimas não podem se dirigir à delegacia, pelas dificuldades em função dos horários de ônibus e até mesmo pelo valor da passagem, por isso a gente tem tentado facilitar a comunicação com a vítima, telefonando e até mesmo solicitando medidas protetivas sem a assinatura da vítima”, comenta.

Michele salienta que a Polícia Civil disponibilizou canais online para o registro de ocorrência e pede que as mulheres não deixem de denunciar “Hoje é possível fazer o registro no site da Delegacia online, o que não era possível antes da pandemia. Além disso, as mulheres podem fazer a denúncia por whatsapp no número 984.440.606”.

A coordenadora do Centro Jacobina, Ana Claudia Pinheiro, comentou que desde o carnaval aumentaram os atendimentos de casos muito graves pelo serviço. “A gente percebe que a pandemia vem aprimorando as formas de violência contra a mulher e aumentando cada vez mais a exploração dos seus corpos”. Na reunião, Ana falou também que diminuíram as notificações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) das Unidades Básicas de Saúde do Município, demonstrando que a violência realmente está sendo subnotificada.

A diretora de Políticas de Segurança Cidadã, Raquel Zimmermann, expôs dados nacionais de violência contra a mulher, como o aumento de 400% no compartilhamento de relatos de violência nas redes sociais “É perceptível a dificuldade que as mulheres estão tendo para acessar presencialmente os serviços de proteção. O cenário de crise dificulta ainda mais o rompimento da violência, pois as mulheres já estão extremamente fragilizadas e expostas”, evidencia. Raquel reforça que é preciso orientar as mulheres sobre a denúncia, mas não somente elas “vizinhos e conhecidos também devem se sensibilizar porque neste momento todos precisam estar atentos e denunciar”, completa.

Denuncie, procure ajuda

Em caso de emergência a mulher deve ligar para o 190, da Brigada Militar. A Patrulha Maria da Penha segue com o acompanhamento das mulheres com medida protetiva, sendo realizadas, em média, 140 fiscalizações por mês.

Além do Whatsapp, a Deam atende nos telefones 3591.3333 e 3591.3334. A Delegacia da Mulher está localizada na Rua São Paulo, 970, Centro e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.

O Centro Jacobina segue com tele atendimento no telefone 3592-2184, de segunda a sexta-feira, das 8h as 17h.

Mulheres vítimas de violência também podem fazer a denúncia pelo Ligue 180, do Governo Federal. O serviço funciona para casos não urgentes, que podem ser registrados pelo telefone e encaminhados para a Delegacia da Mulher posteriormente. A Central funciona 24 horas, todos os dias da semana.

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