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Notícias | Região Comunidade

Famílias retiradas das margens da RS-118 ainda esperam por casas prometidas pelo Estado

Em alguns casos, com o do metalúrgico João Carlos Soares, espera já dura cinco anos

Por Renata Strapazzon
Última atualização: 22.05.2020 às 11:04

A conclusão da obra de duplicação da rodovia está prevista para dezembro deste ano Foto: Diego da Rosa/GES-arquivo
“Fomos esquecidos à própria sorte”. Dessa forma o metalúrgico João Carlos Soares, de 41 anos, resume os cinco anos de espera pela casa prometida pelo Estado. Soares e a família moravam às margens da RS-118, em Sapucaia do Sul e tiveram de sair do local em 2015 para a continuidade das obras de duplicação da rodovia. Desde então vive provisoriamente em um imóvel alugado com auxílio dos R$500 pagos todos os meses por meio do aluguel social. A promessa para as mais de 800 famílias retiradas do trecho sapucaiense era de que elas seriam remanejadas para um loteamento popular, que seria construído no bairro Lomba da Palmeira. A área de 28,8 hectares, localizada na Avenida Justino Camboim, foi adquirida pelo Estado em 2014 para este fim. No entanto passados todos estes anos, as casas sequer começaram a ser construídas no local.

“Morei por 35 anos às margens da RS. Minha casa era de madeira, bem-feita. Tínhamos tudo ali. Esgoto, água, luz, escola próximo. Era um lugar bom de viver. Deixamos nossa casa em 2015, com a promessa de que seríamos ressarcidos do valor da casa ou que receberíamos aluguel social, o qual sempre pagam atrasado ou nem pagam”, conta Soares.  “Depois de termos as casas demolidas não deram mais informações de projetos, absolutamente nada. Não há previsão de entrega das casas. Além disso, os aluguéis são atrasados todos os meses, uma humilhação para todos os ex-moradores”, desabava.

Ainda de acordo com Soares, o valor do benefício pago pelo Governo do Estado, e que até hoje não sofreu reajuste, também é insuficiente. “Os valores dos aluguéis para qualquer casa ou apartamento são, em média de R$850. Queremos o ressarcimento dos valores das casas. Na minha, por exemplo, eu havia gasto R$35 mil. Ou a entrega das casas próprias para que possamos pagar algo nosso. Assim podem cancelar o auxílio”, opina.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Obras e Habitação respondeu, em nota enviada pela Assessoria de Imprensa, que no caso de Sapucaia o atraso no remanejamento das famílias ocorre por causa da “invasão/ocupação da área da Justino Camboim”. “Esse fato, somado ao aumento da crise financeira do Estado e a inexistência de planos habitacionais do governo federal, prejudicaram e causaram um atraso no planejamento realizado anteriormente e a impossibilidade de previsão para a entrega das casas, bem como o aumento do valor pago aos mesmos”, informa o texto.

A obra
A duplicação da RS-118 está com mais de 90% de execução concluída. Dividida em três lotes e retomada em junho do ano passado, esta última fase conta com investimento de R$ 131 milhões oriundos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A conclusão está prevista para dezembro deste ano.

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