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Tradição é preservada nas casas enxaimel existentes na região

Estilo de construção faz parte do legado deixado pelos milhares de imigrantes alemães que colonizaram a região Reportagem: Moacir Fritzen

Como várias pessoas conseguiam conviver em poucos cômodos? Essa pergunta pode ser formulada quando se visita uma típica casa enxaimel - estilo de construção com hastes de madeira em posições verticais, horizontais e diagonais, com os espaços geralmente preenchidos por tijolos ou pedras. Os imigrantes alemães que chegaram ao Rio Grande do Sul a partir do dia 25 de julho de 1824 são os principais responsáveis por deixar este legado. Assim como também trouxeram uma língua que, mesmo tanto tempo depois, ainda é falada nos rincões gaúchos: o Hunsrik-Plat Taytx. Estes são alguns dos motivos para celebrar, neste 25 de julho, o Dia do Colono e do Motorista.

Para a diretora de Cultura de Ivoti, Marines Teckemeier, existem explicações para famílias numerosas conseguirem habitar uma mesma casa. "Cada pessoa possuía poucas mudas de roupas. Geralmente, eram as vestimentas para o trabalho e uma outra para as ocasiões especiais", destaca. Assim, apenas um roupeiro era necessário e todas as peças cabiam nele. A chamada "roupa de domingo" era usada para ir às celebrações religiosas ou eventos festivos como aniversários e o Kerb.

Kerb de São Miguel é tradição em Dois Irmãos Foto: Divulgação

Comprar os artigos de vestuário também era uma tarefa mais árdua do que atualmente. "A maioria não tinha posses em abundância, então comprava-se os tecidos e as mulheres confeccionavam as roupas para todos da família. Elas tinham habilidade para costurar e bordar, pois isso era repassado de geração para geração", conta.

Grande parte das casas contava com cozinha – que comumente era separada dos dormitórios como uma espécie de anexo –, o quarto principal, o sótão e o porão. "No dormitório do casal ficava uma cama, o roupeiro, uma cômoda ou criado mudo, onde era guardada a Bíblia, e o berço do bebê. Quando outra criança nascia, aquela que estava no bercinho era acomodada no sótão. E assim subsequentemente", enumera Marines.

Formatos, disposições e materiais foram adaptados de acordo com os recursos disponíveis em cada época. E para preservar esse patrimônio histórico, arquitetônico e cultural é que prefeituras, empresas e particulares tentam manter esses imóveis de pé. Além de suas sólidas paredes, assoalhos, forros e telhados, essas habitações ajudam a entender como era o modo de vida dos pioneiros e seus descendentes.

Outro fator que influenciou para que essas construções se espalhassem pela região é a chamada "política de boa vizinhança" - em alemão, chamada de Nachbarschaft. Os vizinhos se ajudavam em diferentes tarefas porque a mão de obra era escassa.

Capricho e zelo em cada detalhe

A família Kreuz cuida com muito orgulho da casa enxaimel que fica na localidade de Boa Vista do Herval, na cidade de Santa Maria do Herval. A inscrição de um número na fachada indica a idade daquela estrutura: 1931, o ano da sua construção. A agricultora Nelci Terezinha Schneider Kreuz, 68 anos, é da terceira geração a viver na casa que já foi dos seus avós. Seu marido, o agricultor Luiz Breno Kreuz, 71, diz que fez adaptações, mas que a essência é mantida.

E no pátio, outro aspecto chama a atenção dos visitantes: o capricho com o jardim, em cada detalhe, desde os vasos, as flores, os objetos decorativos, as pedras dispostas com cuidado... Tudo leva um toque especial e não é por simples acaso. A história das famílias está em todas as partes.

Esse zelo também está presente na pintura, no telhado e no piso. "Fizemos reformas, mas alguns materiais são bem difíceis de serem encontrados, então é preciso substituir por outra opção", comenta Kreuz.

Essa dedicação com a preservação do patrimônio serve de ensinamento para as próximas gerações. A professora Mainara Kreuz, 23, testemunha esse engajamento dos pais.

Com um ambiente acolhedor, o hábito de beber chimarrão fica mais agradável – apesar das limitações causadas pela pandemia de Covid-19.

 

Outros meios para estocar mantimentos

Antigamente, não havia refrigeradores. O porão era o espaço para armazenar grande parte dos mantimentos que não eram possíveis de serem consumidos imediatamente. Era comum estocar conservas e bebidas. A temperatura mais amena ajudava na conservação. Outra maneira para evitar as perdas dos perecíveis era recorrer aos vizinhos para dividir as gêneros alimentícios. Quando algum animal era carneado, por exemplo, partes eram entregues aos moradores próximos. Havia uma espécie de "sistema de trocas".

Construção do sentimento de pertencimento

A valorização da herança cultural é uma forma de reverenciar os antepassados. A data de 25 de julho também é dedicada aos imigrantes, colonos e motoristas.

Segundo a professora e escritora Solange Hamester Johann, esse legado ajuda a construir um sentimento de pertencimento às comunidades teuto-brasileiras.

 

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