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Notícias | Região Investigação

Polícia Civil indicia dono de transportadora por furto de combustíveis cometido em Canoas

Esquema envolvendo transporte ilegal feito por caminhões saídos direto da Refap veio à tona há 15 dias. Na época, quatro foram levados à cadeia. Agora, a 1ª Delegacia de Polícia (DP) está fechando o inquérito com o indiciamento do responsável pela fraude

Publicado em: 04.11.2020 às 17:26 Última atualização: 04.11.2020 às 17:30

Ainda resta material apreendido na sede da 1ª Delegacia de Canoas Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
Foi no início de 2015 que a Polícia Civil descobriu um esquema envolvendo a venda de combustíveis através de caminhões-tanque que deixavam a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) e abasteciam uma rede irregular, em Canoas. A gasolina saia pela metade do preço graças ao bem articulado estratagema criado por um grupo de falsários da cidade. Passados cinco anos, mais uma bem estruturada fraude envolvendo combustíveis virou notícia, quando a Polícia Civil acabou com as atividades em um depósito que funcionava no bairro Mathias Velho. E na dianteira estava mais uma vez o empresário que já havia sido preso pela Polícia Civil. A apuração conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia (DP) levou à cadeia quatro envolvidos no furto de mais de 170 mil litros de combustíveis. Só que faltou a captura do responsável pelo esquema. Agora, não falta mais. A 1ª Delegacia acaba de divulgar que está fechando o inquérito envolvendo a venda irregular, indiciando, além dos quatro presos, o proprietário de uma transportadora que era o cabeça da organização.

Conforme havia sido divulgado pelo delegado Rafael Soares, que coordenou a investigação, o desvio era feito com caminhões saindo diretamente da Refinaria Alberto Pasqualini, durante a noite, rumo a depósitos no Mathias Velho. Nos galpões, pequenas quantidades de combustíveis eram transportadas para caminhões de terceiros e abasteciam uma rede de postos na cidade. Não havia funcionários da refinaria envolvidos. Acontece que os veículos que deixavam a Refap eram autorizados, porém os criminosos alteravam os números relativos ao produto nos tanques que deixavam a  refinaria e dessa forma a fraude não era descoberta. "A gente não pode afirmar há quanto tempo eles estavam fazendo isso, mas até pela estrutura organizada, acreditamos que o negócio não era novo. Foram necessários três meses de apuração para que a polícia chegasse aos envolvidos. Foram 170 mil litros furtados apenas em dois meses, de acordo com a investigação. "Funcionava porque eles revendiam tudo pela metade do preço depois", frisa. "Se a polícia não chegasse neles, o esquema continuaria por anos."

A estrutura criminosa era sólida também por ter o dono de uma transportadora à frente do negócio. Segundo o delegado, o homem, que não teve a identidade revelada, já respondia a um processo por crimes da mesma natureza. Só não é possível precisar a quantidade exata de combustíveis levada pelo grupo ou mesmo o tipo que era retirado da refinaria. Técnicos ligados a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) colaboram com a polícia na análise do material que foi apreendido nos galpões. "Os laudos técnicos não chegaram, mas serão anexados ao processo assim que possível", avisa.

Apurando denúncias

Na avaliação do diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), a investigação em torno do furto de combustíveis deve ser considerada um modelo contra este tipo de crime, além de servir de advertência a fraudadores que agem à margem da lei. "Se existia o esquema, é porque alguém estava comprando este combustível", avalia. "Muitas pessoas não percebem, mas este mercado ilegal, com adulteração, prejudica outros estabelecimentos por criar uma concorrência desleal", frisa. "Isso sem falar que o combustível vendido por eles era adulterado e certamente prejudicava os veículos." A Polícia Civil apura qualquer denúncia referente a combustíveis adulterados. As denúncias podem ser passadas, de forma anônima, pelo (51)3425-9056 da Polícia Civil. "Apuramos a qualquer denúncia que chega."

Ouviram, mas não viram nada

Nossa reportagem foi até o bairro Mathias Velho, mas precisamente aos endereços onde ficam os galpões onde a Polícia Civil encontrou os caminhões com combustíveis para conversar com os moradores. A maioria deles falta até ter ouvido os caminhões passando pela rua e "funcionando" à noite. Contudo, nunca viram nada que parecesse suspeito. "Tinha gente morando ali e parecia uma empresa normal funcionando", disse um homem que vive a metros do local e preferiu não ser identificado. "Só achei estranho mesmo quando a polícia bateu ali no galpão. Até então, nunca achei que havia algo de errado sendo feito."

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