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Notícias | Região Comunidade

Aos poucos, aulas presenciais são retomadas nas escolas da região

Depois de decreto estadual liberar, municípios e educandários organizam a volta dos alunos às escolas

Por Priscila Carvalho
Publicado em: 29.04.2021 às 03:00 Última atualização: 29.04.2021 às 21:25

Colégios Gusch, Sinodal (foto), São José e Concórdia retomam as aulas a partir desta quinta Foto: Diego da ROSA/GES-arquivo
Ainda com receio de novas mudanças ou de uma possível judicialização do caso outra vez, as prefeituras e educandários da região começaram a definir o retorno presencial dos estudantes às aulas. A permissão veio, oficialmente, após anúncio do governador Eduardo Leite e a publicação de decreto estadual, no fim da noite de terça-feira, que passou todo o Rio Grande do Sul para bandeira vermelha no Modelo de Distanciamento Controlado, permitindo assim, a volta dos alunos às instituições de ensino.

Com isso, os municípios começaram a debater a temática e decidir sobre o tema. Em São Leopoldo, a definição saiu antes mesmo do decreto do governo do Estado, com o prefeito Ary Vanazzi afirmando que não autorizaria o retorno da rede pública de ensino. Um decreto municipal foi divulgado ontem, confirmando a decisão. "Manteremos as escolas estaduais e municipais fechadas. Vamos acompanhar o processo nas escolas privadas, fiscalizando, de acordo com os protocolos e de acordo com COE Municipal", frisou. O prefeito também ponderou que, a cada sexta-feira, nas reuniões do Comitê Municipal de Atenção ao Coronavírus, a situação será avaliada assim como o comportamento da pandemia na cidade.

Portão autoriza retorno

Pela região, nem todas as cidades definiram como acontecerá o retorno presencial dos estudantes às escolas. O município de Portão, porém, publicou decreto permitindo a retomada nas escolas privadas, em todos os níveis, já a partir de hoje; e da educação infantil, 1º e 2º anos do ensino fundamental, em escolas da rede pública municipal a partir da próxima segunda-feira, 3 de maio.

"Seguimos o que governador decidiu. Ele tem uma equipe preparada para decidir e acreditamos que o momento está propício para isso, com queda no número de infectados em Portão", justificou o prefeito Kiko Hoff. "Estamos com todos os protocolos para serem seguidos. E lugar de criança é na escola", completou, lembrando que as escolas estão devidamente equipadas para o retorno e que as crianças têm resistência maior ao vírus.

Região dividida

Em Sapucaia do Sul, a assessoria de comunicação da prefeitura informou que as escolas privadas e estaduais poderão voltar, mas as municipais, ainda não. "O município ainda vai aguardar para ver a questão das vacinas para os professores. Enquanto isso, as escolas ainda estão fazendo algumas adaptações para o retorno das aulas", explicou a assessoria, em nota. As cidades de Esteio e Capela de Santana ainda não definiram o retorno às aulas na rede pública.

Ensino privado programa retorno escalonado

A orientação do Sindicato do Ensino Privado (Sinepe) às escolas é de que organizem o retorno às atividades presenciais de forma escalonada, começando pelos alunos mais novos. E assim a maioria dos educandários tem feito. De acordo com pesquisa da entidade, 82% das escolas privadas já retornarão até esta quinta-feira. O presidente do sindicato, Bruno Eizerik, destaca que, apesar da recomendação, as escolas têm autonomia na decisão.

O sindicato orienta às famílias que esperem o comunicado da escola para saber como e quando os estudantes poderão retornar ao atendimento presencial. Entre as escolas privadas leopoldenses, a maioria já começa a receber alunos hoje. Os colégios Gusch, Sinodal, São José e Concórdia retomam as aulas para estudantes de educação infantil, 1º e 2º anos já nesta quinta-feira.

Os outros níveis voltarão de forma escalonada nos próximos dias, conforme cronograma de cada educandário. Já o Instituto Rio Branco e os colégios Divino Mestre, Sagrado e São Luís ainda estão definindo a programação de retomada das aulas.

Protestos em Sapucaia do Sul e São Leopoldo

A autorização do governo estadual para o retorno das aulas presenciais provocou manifestações de entidades e pessoas contra a decisão. Em São Leopoldo, em um protesto silencioso que iniciou às 9 e seguiu até as 14 horas, a vice-diretora do sindicato, Cristiane Mainard, e o tesoureiro Felipe Diego da Silva, do Sindicato dos Professores Municipais de São Leopoldo (Ceprol) percorreram dez escolas que estavam abertas para a entrega de trabalhos escolares, com uma grande faixa pedindo ‘vacina já’.

“Reabrir as escolas nesse momento significa a morte de mais pessoas. Escola sem vacina é chacina”, ressaltou ela. Já em Sapucaia do Sul, um grupo de estudantes, formado por integrantes do Grêmio Estudantil L.U.T.A.R. do Campus sapucaiense do Instituto Federal Sul-riograndense (IFSul) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), se reuniram em frente ao instituto, no bairro Piratini e, em frente à Escola Estadual Sapucaia, no Centro, para protestar. Os estudantes fixaram faixas nas escolas, com as frases ‘Só perdeu o ano quem morreu’ e ‘Escola sem Vacina é Chacina’.

Infectologista faz alerta sobre medidas

Comitê destinado a acompanhar a evolução da Covid-19 dentro da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI) discorda da abertura generalizada de escolas. Quem alerta é o presidente da SRGI, o infectologista Alexandre Vargas Schwarzbold. “Há uma tendência de aumento da mobilidade na ordem de 20% se liberarem as aulas para as crianças maiores e adolescentes, isso sem contar o ensino universitário. No momento que temos cerca de 80% de ocupação de leitos de UTI no Estado, com a circulação de cepas virais mais transmissoras, com pacientes demorando mais a ter alta, a generalização da abertura escolar, sem o devido escalonamento, nos coloca absolutamente preocupados do ponto de vista de tomada de decisão”, alerta.

Entretanto, apesar de frisar que não há consenso entre os infectologistas a respeito, destaca que a maioria dos especialistas apoia o retorno das aulas presenciais entre as crianças menores neste momento. De acordo com o infectologista, a volta deste público não implica em riscos sanitários maiores a crianças e professores.

Ele acrescenta ainda que “não há nenhuma dúvida sobre a grande contribuição que seria o retorno das escolas do ponto de vista comportamental e de aprendizagem”. Ele lembra que apesar de o Brasil figurar entre os cinco países do mundo com maior período de fechamento de escolas, isso não se refletiu na queda da transmissão do coronavírus.

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