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Notícias | Região Ensino

Como a maior escola técnica da região se vira na pandemia

Na Fundação Liberato, ensino híbrido está priorizando laboratórios no presencial

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 27.05.2021 às 03:00 Última atualização: 27.05.2021 às 08:21

Alunos e professor em laboratório da Liberato nesta quarta Foto: fotos Luis Eduardo Selbach/Divulgação
Os corredores vazios compõem um cenário ainda estranho, mas que já está se tornando habitual na Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha. Com 2.730 alunos, a maior instituição de ensino técnico da região e uma das maiores do Estado costumava ter grande movimentação de estudantes na área de 22 hectares no bairro Primavera.

A Liberato é uma fundação estadual que oferece ensino técnico à noite e técnico integrado ao ensino médio durante o dia. Com as restrições decorrentes da pandemia, a escola adotou um modelo híbrido.

Nas disciplinas teóricas, as aulas seguem ocorrendo à distância. Professores e alunos ficam em suas casas e se reúnem virtualmente por meio da plataforma Google Meet e os conteúdos são disponibilizados on-line. Parte desse modelo já estava em operação em 2020.

Este ano, as aulas práticas voltaram a ocorrer de forma presencial após a liberação do governo do Estado, em 10 de maio. Entre as adaptações, bar, loja e biblioteca fechados. Não há contraturno. O número de salas se informática dobrou.

A escola adaptou ainda algumas salas de aula com projetor, tela e equipamento de som, para as aulas práticas, nos dias em que o aluno vai à escola.

Ainda assim, o diretor-executivo do Liberato, Ramon Fernando Hans, afirma que as atividades práticas que puderem ser adiadas ficarão para o segundo semestre. A decisão visa reduzir ao máximo o deslocamento de alunos.

"Temos alunos de 59 municípios diferentes. Como eu vou dizer para um pai trazer o filho de São Sebastião do Caí para ter uma aula teórica que ele pode ter em casa? Ou ele pega um ônibus até Novo Hamburgo e outro até aqui. Não posso me responsabilizar pelo que acontece do portão para fora", afirma.

Segundo Ramon, a adaptação do ensino à pandemia foi facilitada pois a escola já utilizava a plataforma on-line Google Classroom antes da pandemia, como apoio. Entre adaptação de salas, aquisição de novos computadores, projetores e equipamentos de som, a escola investiu cerca de R$ 300 mil, estima Hans.

 

Do simulador à aula prática

Na manhã de ontem, o professor de eletrotécnica Pedro Röhr dava aula e atendia um grupo de 10 alunos, parte de uma turma de 30 que foi dividida para garantir distanciamento. Eram alunos do quarto ano que estavam compensando aulas práticas que não tiveram no terceiro. Eles trabalhavam com instalações elétricas industriais.

"A maioria dessas montagens eles já fizeram virtualmente, por meio de simuladores. Mas é uma coisa virtual. Aqui é praticamente como eles vão ter que fazer, é real", disse o professor.

A estudante Luana Zimmer, de 19 anos, sentia falta das práticas, mas achou o retorno mais fácil do que esperava. "Sem as práticas, você não consegue ter uma boa compreensão do todo, mas a parte teórica foi mais bem detalhada do que seria normalmente. Não me sinto completamente preparada como eu acho que deveria me sentir, mas aos poucos vamos recuperando."

Aula síncrona desde 2020 e ajustes no ensino e nas avaliações

No segundo semestre de 2020, a Liberato adotou as aulas síncronas por vídeo. Na época, entre 200 e 300 alunos não tinham computador com Internet em casa. Hoje, a escola calcula que sejam nove sem computador, mas com celular.

"Fizemos a busca ativa para ver quem não estava acompanhando e por quê. Aí descobrimos que vários alunos não tinham a tecnologia. Fizemos campanhas internas com vários parceiros e conseguimos arrecadar 54 computadores."

Além das doações, parte dos alunos conseguiu resolver a demanda por conta própria. A Associação de Pais e Mestres ajudou pagando Internet para alguns alunos. As aulas presenciais retornaram em outubro de 2020.

Em 2020, a escola decidiu reprovar apenas os alunos que tinham condições, mas não acompanharam o conteúdo sem justificativa. Aqueles que tiveram desempenho abaixo da média em determinadas disciplinas podem cursá-las em paralelo às atividades de 2021.

O diretor avalia que a formação sofre prejuízo, em função da pandemia, mas acredita que os alunos terão oportunidades profissionais, pois a demanda das empresas por mão de obra está alta.

"Esse problema atinge todas as escolas, então o mercado de trabalho está precisando desse aluno da área técnica. Mesmo com a deficiência que tem, esse aluno vai ser bem visto e querido pelo mercado. Eles precisam desse cara", conclui.

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