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'Golpe da arara' | Operação mira estelionatários que compravam e não pagavam fornecedores

Além de Porto Alegre e Guaíba, policiais cumprem mandados em Xangri-lá, Tramandaí, Cachoeirinha, Canoas e Esteio

Publicado em: 08.06.2021 às 07:56 Última atualização: 08.06.2021 às 08:01

Uma operação contra grupo especializado no "golpe da arara" foi desencadeado na manhã desta terça-feira (8) na região metropolitana. Os estelionatários, que têm dívidas milionárias, compravam de outras empresas com entrega antecipada ou com pagamento parcelado, mas não pagavam pelos produtos ou realizavam somente o pagamento da entrada aos fornecedores.

A ofensiva reúne 70 policiais civis e rodoviários federais distribuídos em 13 equipes em cumprimento a 74 ordens judiciais, sendo elas: 35 afastamentos de sigilo bancário, fiscal e financeiro, dez bloqueios de contas bancárias, dois sequestros de bens imóveis, indisponibilidade de 14 veículos e 13 mandados de busca e apreensão;

O cumprimento das ordens judiciais ocorre em sete cidades da região metropolitana, incluindo Guaíba, Porto Alegre, Xangri-lá, Tramandaí, Cachoeirinha, Canoas e Esteio.

Os bens móveis e imóveis indisponibilizados na ação totalizam o montante aproximado de sete milhões de reais.

Venda abaixo do valor de mercado

Após o golpe, a quadrilha comercializava as mercadorias abaixo do valor de mercado. Os criminosos, segundo a investigação, tinham duas fontes de capital ilícito, sendo elas: as mercadorias arrecadadas sem o pagamento, bem como a comercialização dos produtos os quais nem pagos foram.

Em consulta ao site da Central Nacional de Protestos, verificou-se que o CNPJ da principal empresa utilizada pela organização criminosa conta com mais de 460 protestos somente na cidade de Guaíba, totalizando um montante aproximado de dois milhões e setecentos mil reais em dívidas não pagas.

A incompatibilidade do capital movimentado pelos investigados com o patrimônio registrado em seus nomes gerou suspeita de lavagem de ocultação de valores e bens. 

 

Investigação

Após seis meses de investigação, a Polícia Civil, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), deflagrou a Operação Laverna, com foco no crime de lavagem e ocultação de bens, direitos e valores provenientes de infração penal.

A investigação teve início em janeiro, com a prisão em flagrante por estelionato, de homem já monitorado pelos agentes.

A prisão ocorreu em ação conjunta com a PRF no momento em que o alvo transportava, em um caminhão, uma carga de produtos químicos pela qual não havia efetuado o pagamento. Ele foi preso em flagrante no momento em que se realizava mais um golpe de tantos já aplicados na cidade de Guaíba.

A primeira etapa do golpe consiste na procura que o líder da organização criminosa executa em busca de CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) com boa reputação no mercado, tal como ampla linha de crédito. Utilizando nome falso e CNPJ de terceiros mediante procuração, o investigado e seus comparsas passam a concretizar a segunda fase do esquema, popularmente conhecido como “Golpe da Arara”.

No modus operandi constatado, os fornecedores cumpriam com a obrigação da entrega, contudo os golpistas não executavam o pagamento posterior.

Os fornecedores vitimados estão localizados em diversos estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Entre os produtos alvo dos criminosos estão construção, eletroeletrônicos e até mesmo mercado calçadista.

Contudo, mesmo de localidades e áreas diversas, relataram o mesmo modus operandi por parte dos golpistas, o único fator variável era a pessoa que negociava com os credores, demonstrando vasta rede de apoio ao esquema criminoso.

Credores relataram que, ao procurarem pelos representantes da empresa de fachada utilizada na cidade de Guaíba por meio dos canais que usualmente mantinham contato, não obtiveram mais nenhuma resposta a partir do mês de dezembro de 2020.

Ainda, em meados do mesmo mês, os golpistas colocaram um cartaz de férias coletivas na sede da empresa de fachada e todo o prédio foi deixado vazio.

Durante os seis meses de investigação criminal, diversas pessoas físicas e jurídicas ligadas de diferentes maneiras aos investigados passaram a ser analisadas, resultando em 35 alvos investigados relacionados tanto ao crime antecedente, quanto ao crime de Lavagem e ocultação de bens, direitos e valores provenientes do Estelionato.

Já são pelo menos 20 vítimas, com 20 empresas lesadas.

O nome é LAVERNA devido a referência da Deusa romana da trapaça.

 

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