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Notícias | Região Pandemia

Cidades da região têm taxa de mortes por Covid maior que a do RS

Mortalidade por 100 mil habitantes é mais alta em Esteio, Sapucaia do Sul e Portão

Por Renata Strapazzon
Publicado em: 11.06.2021 às 03:00 Última atualização: 11.06.2021 às 07:58

São Leopoldo está abaixo da média estadual de mortes a cada 100 mil habitantes Foto: Thales Renato Ferreira/ Prefeitura de São Leopoldo
Dentre os dados tabulados diariamente no monitoramento da pandemia, um deles diz respeito a taxa de mortalidade da doença em relação à população. No Rio Grande do Sul, conforme estatísticas de ontem eram 258,0 mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes. No total, o RS somava, até as 15h40 de quinta-feira, 29.351 casos fatais da doença.

Das cinco cidades de abrangência do Jornal VS, somente São Leopoldo e Capela de Santana apresentam taxa de mortalidade inferior à média estadual. A cidade com mais mortes a cada 100 mil habitantes na região é Esteio, seguida por Sapucaia do Sul e Portão.

Alta testagem

Em Esteio, conforme dados do Painel Coronavírus da Secretaria Estadual da Saúde (SES), são 409.8 óbitos por 100 mil habitantes. Desde o início da pandemia, o município soma 341 mortes. Por meio de sua assessoria de imprensa, a prefeitura informou que o alto índice tem referência com dados do começo da pandemia, quando os municípios ainda estavam em um período de aprendizado de protocolos e políticas para lidar com a Covid-19.

"A mortalidade na cidade sempre foi tratada com duas hipóteses para a situação. A primeira está ligada à idade dos pacientes, a expressiva maioria idosos acima de 70 anos. Também enfrentamos surto ocorrido no início da pandemia em um lar de idosos, que resultou em oito óbitos", pontua a assessoria do município em nota.

A prefeitura cita, ainda, a alta testagem e o rastreamento como razões para os altos índices. "A baixa testagem em muitos municípios acaba mascarando os óbitos por Covid. Esteio é o município que mais testa na região, e por isso apresenta índice mais elevado de casos confirmados, mas a menor taxa de subnotificação. Desde o começo da pandemia, a administração decidiu testar todos aqueles que apresentavam qualquer sintoma gripal. Então, se obteve uma detecção sempre precoce, com o objetivo de atender o paciente mais rapidamente possível", esclarece o texto.

São Leopoldo

São Leopoldo, que contabiliza 610 vítimas fatais pela doença, mantém a taxa de mortalidade abaixo da média estadual. Na cidade, são 257.6 óbitos por 100 mil habitantes. Para o prefeito Ary Vanazzi, estar entre as grandes cidades gaúchas com menores taxas de mortalidade por Covid-19 demonstra uma série de ações acertadas desde o início da pandemia.

"Desde março do ano passado, tomamos como decisão política cuidar da vida da população. Por isso, investimos em testagem, em busca ativa e no monitoramento de quem estava em isolamento. Também dividimos o atendimento da área Covid do Hospital Centenário e preparamos a rede pública, como a UPA, para atendimento e acompanhamento dos casos, entre outras medidas", pontua.

O prefeito cita, ainda, a democratização do enfrentamento à pandemia, por meio da criação de um comitê, com participação da sociedade civil, e o rigor na fiscalização do cumprimento dos decretos como outros pontos que colaboram para os índices positivos da cidade até agora.

"Democratizamos o enfrentamento à Covid e isso nos deu muita segurança. Para manter o isolamento das famílias, distribuímos mais de 120 mil kits de alimentos. Também sempre tivemos restrições mais duras e fiscalização rigorosa para se fazer cumprir os decretos", enumera.

"Tivemos desde o início a parceria de universidades. Tomamos decisões em cima da ciência e atacamos e enfrentamos o negacionismo. Nos orgulha termos feito as escolhas certas e os números provam isso", frisa Vanazzi.

Pós-pandemia

Vanazzi reforça que apesar de priorizar a vida, São Leopoldo seguiu com dados positivos em outros setores, como a economia. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de maio de 2020 a maio de 2021, o saldo da cidade foi de 3.085 empregos formais, tendo 26.869 admissões e 23.784 desligamentos. Os números colocaram o Município com o quarto do Estado que mais gerou empregos de carteira assinada no período.

“Nossa estratégia vai nos levar a superar a crise pós-pandemia de forma muito mais ágil e eficiente, seja na educação, na saúde ou na economia. Agora concentramos nossos esforços na vacinação, na fiscalização e na prevenção, porque a pandemia ainda não acabou.  Mas ao mesmo tempo estamos agilizando incentivo a novas empresas, investindo em melhorias nas escolas e deixando nossas praças em melhores condições para assim que for possível, a população possa usufruir de uma cidade cada vez melhor”, destaca.

Mortalidade x letalidade

Outro dado que é avaliado nos painéis que monitoram a pandemia e a taxa de letalidade da doença, que é algo distinto da taxa de mortalidade. Enquanto que para se calcular índices de mortalidade o número de óbitos é calculado em relação à população total de determinado local, a letalidade avalia o número de mortes em relação às pessoas que apresentam a doença ativa. Quanto a letalidade, a taxa nacional atualmente é de 2,8% e no RS de 2,6%.

Como é feito o cálculo

A taxa de mortalidade é calculada dividindo o número de pessoas que morreram por uma causa específica (neste caso, em decorrência da Covid-19), pelo número total de habitantes de um local. No Brasil, a taxa de mortalidade pela Covd-19 até esta quinta-feira, era de 229,4, segundo o Painel Coronavírus, abastecido pelo Ministério da Saúde. São mais de 482 mil brasileiros mortos desde o início da pandemia no ano passado.

O número, coloca o País entre os que apresentam maior taxa de mortalidade no mundo, conforme informações organizadas pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. O conteúdo, disponível no site https:// coronavirus.jhu.edu/data/mortality colocava, até o início desta semana, o Peru como líder mundial em mortalidade, com taxa de 572.35 óbitos por 100 mil habitantes.

. Foto: Reprodução

A tristeza vista na TV que chegou na família

Moradora do Centro de São Leopoldo, Magda Margareth Eberle, 64 anos, viu a tristeza que acompanhava pela TV acontecer dentro de casa. Em agosto do ano passado a mãe, Sueli Eberle, de 84, positivou para a Covid-19 falecendo cinco dias depois de apresentar os primeiros sintomas. “Assistia na TV tanta gente morrendo e ficava muito triste. Até que aconteceu com a minha mãe. É uma dor que dificilmente vai passar”.

Magda conta que no dia 14 de agosto dona Sueli acordou com muita dor no corpo. “Peguei um limão e dei para ela cheirar. Ela não sentiu cheiro algum e fomos imediatamente para o Hospital Centenário”, diz. “Lá ela sentiu falta de ar, foi hospitalizada e em seguida intubada. Em cinco dias ela faleceu. Foi tudo muito rápido”, lamenta.  

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