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Não se testa eficácia da vacina com exames

A complexidade da resposta imunológica da proteção contra a Covid-19 não se traduz em simples teste

Por Ermilo Drews
Publicado em: 17.07.2021 às 07:00

Incentivados por vídeos que circulam pelas redes sociais, pessoas que se vacinam contra a Covid-19 têm recorrido a testes sorológicos na tentativa de medir o nível de anticorpos no organismo. No entanto, órgãos de saúde e entidades médicas alertam que testes sorológicos não são recomendados para verificar se uma pessoa vacinada está protegida contra a Covid-19. Isso porque os exames detectam somente a presença de anticorpos em determinado momento, mas são incapazes de avaliar outras variáveis no processo de defesa estimuladas pelas vacinas.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) não recomenda a realização de testes sorológicos para avaliar resposta imunológica aos imunizantes. "A complexidade da imunidade pós-vacinal ou mesmo após doença natural, no entanto, não corrobora a realização dos testes, pois os resultados não traduzem a situação individual de proteção", justifica a entidade, em nota técnica assinada pelo virologista José Eduardo Levi e pela diretora da SBIm, Mônica Levi.

Exames servem para detectar o vírus, nãos checar anticorpos Foto: Divulgação

Os especialistas explicam que a resposta imune desenvolvida pela vacinação não depende apenas de anticorpos neutralizantes. "Tanto a infecção natural quanto a vacinação estimulam o sistema imunológico de forma mais ampla, gerando também anticorpos não neutralizantes que agem de maneira diferente, e a estimulação de células que exercem importante papel na proteção contra a Covid-19", argumentam.

A SBIm entende que os resultados das vacinas têm sido "muito animadores" na proteção contra formas graves e óbitos pela Covid-19, independentemente da circulação de novas variantes. "Está claro que as vacinas licenciadas pelos diferentes órgãos regulatórios se mostraram eficazes e seguras."

A situação fez com que a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vinculada ao Ministério da Saúde e responsável pela aprovação do uso emergencial das vacinas, divulgasse um comunicado também com orientações sobre o assunto. "Até o momento não existe definição da quantidade mínima de anticorpos neutralizantes necessária para conferir proteção imunológica contra a infecção pelo SARS-Cov-2 (novo coronavírus), uma reinfecção, as formas graves da doença e nem contra as novas variantes circulantes", argumenta. "Desta forma, esses produtos não devem ser utilizados para determinar proteção vacinal", complementa.

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