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Notícias | Região Cultura

Coro, solos e orquestra para A Paixão de Dante

Espetáculo, com artistas da região, faz homenagem aos 700 anos da morte do escritor Dante Alighieri

Por Alecs Dal'Ollmo
Publicado em: 14.09.2021 às 09:32 Última atualização: 14.09.2021 às 09:32

O espetáculo A Paixão de Dante, composição de Vagner Cunha; além de uma edição comemorativa do livro A Divina Comédia: Inferno, com tradução inédita de José Clemente Pozenato, estão no fluxo para marcar 700 anos da morte escritor italiano Dante Alighieri (1265-1321). A estreia mundial da composição poderá ser acompanhada nesta terça-feira (14) em transmissão ao vivo, pelo site www.apaixaodedante.com. A apresentação ainda acontecerá presencialmente nos dias 14, 17 e 18 de setembro, sempre às 20 horas, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Os ingressos para as récitas estão à venda na plataforma Sympla, com valor único de R$ 33 para quem optar por assistir on-line e preços de R$ 40 a R$ 160 no presencial.

Compositor Vagner Cunha (frente) e os solistas Carlos Rodriguez, Paola Bess e Flávio Leite (fundo) Foto: gilberto perin

 

A obra para coro, solistas e orquestra tem regência do maestro Antonio Borges-Cunha. A composição é inspirada em Inferno, a primeira parte do poema A Divina Comédia. Os solistas são o tenor Flávio Leite; a soprano Paola Bess; e o barítono Carlos Rodriguez. E há ainda o Coral Madrigal Presto, com preparação vocal de Lúcia Passos e regência de João Paulo Sefrin, de São Leopoldo. "Fomos convidados pelo compositor Vagner Cunha, nosso grande amigo de muitos anos.

Ele foi um dos primeiros ou o primeiro, a integrar a orquestra Unisinos, convite do maestro José Pedro Boessio. O Madrigal já cantou outras obras dele em primeira audição, como a Sinfonia Metafísica e Paraiso (também da obra de Dante). São 70 músicos escolhidos por ele para formar a orquestra.

São 41 cantores do Madrigal Presto e alguns convidados. Uma de nossas cantoras, Carine Fick, será uma das convidadas", destaca Lúcia. Os textos utilizados no espetáculo foram selecionados por Pozenato a partir da obra original de Dante. Durante as apresentações, o público poderá acompanhar as legendas em português com a tradução inédita feita pelo autor gaúcho. Já o livro com sessão de autógrafos hoje no São Pedro, das 18h30 às 19h45, com preço de R$ 33, estará disponível ainda entre outros pontos no site www.fundacaoam.org.br e no site da editora universitária da Antonio Meneghetti Faculdade.

 

ENTREVISTA: compositor Vagner Cunha

O que motivou mais esse trabalho?

A ideia foi do empresário e diretor da Bell’Anima, Claudio Carrara, há uns seis anos. Ou seja, antes da pandemia. A princípio nem nos ocorreu a data redonda de 700 anos de morte do poeta. A intenção sempre foi usar Dante e sua obra como ponto de partida para recuperar ideais humanistas, valorizando a arte e a tolerância. Queremos tocar as pessoas, estimular a empatia pela arte, por uma sala de concerto, pela cultura, não só a brasileira.

Como foi o processo de criação?

Li várias traduções da Divina Comédia, e me agradou aquela feita por Italo Eugenio Mauro. Li também a tradução que José Clemente Pozenato fez do Inferno. Gosto do estilo de Pozenato: simples e direto, sem vocabulário rebuscado. Não é tradução para “dicionário”. A preocupação em ser acessível também era a de Dante, que escreveu sua Comédia não em Latim, a língua culta da época, mas em dialeto florentino, uma variedade do toscano. Compus sempre tendo em mente o idioma italiano.

O texto de Dante é perfeito, a música já está ali, na sonoridade das palavras. Assim como Dante, também cumpri uma jornada ao compor. A Divina Comédia ensina que a transformação vem do movimento. Caminhar não é o mais fácil – temos de reconhecer os outros, nos expor, nos deixarmos influenciar, encarar os inimigos e respeitá-los. Apesar de estar em pleno Inferno, lidando com questões do seu tempo e até pessoais, o poeta mostrava respeito pelos seus inimigos, exercitando uma tolerância que hoje nos falta. O que move Dante é a paixão.

Qual a importância de contar com a presença de convidados como Madrigal, Lúcia Passos e João Paulo Sefrin?

Convivo com a Lúcia desde adolescente. Já trabalhei muito com ela e também com o João Paulo Sefrin, assim como com os demais integrantes do coral Madrigal Presto. Iniciamos nosso trabalho há muito tempo, na Orquestra Unisinos, com o José Pedro Boéssio. Inclusive, o primeiro arranjo que escrevi foi para o extinto e premiadíssimo Coral Unisinos, que tinha, na época, basicamente a mesma estrutura que o coral Madrigal Presto tem hoje.

Logo no começo desse projeto sobre Dante, já sabia que queria trabalhar com a Lúcia, conhecendo o som que ela tira de coro e conhecendo a relação humana e afetiva que ela tem com as pessoas. Tem sido uma tranquilidade ter esse grupo por perto, não só pelo aspecto técnico do coro, que é excelente, mas também pela questão de integração humana que, pra mim, é fundamental pra fazer arte.

 

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