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Com festa para a criançada, Praça da Belinha é inaugurada em Sapucaia

Loteamento Nascer do Sol celebrou entrega do local, transformado após morte de cadelinha, ocorrida no ano passado

Por Priscila Carvalho
Publicado em: 12.10.2021 às 21:49 Última atualização: 13.10.2021 às 07:46

Emoção, gratidão e muita alegria marcaram um momento importante na história do Loteamento Nascer do Sol, bairro Ipiranga, em Sapucaia do Sul, nesta terça-feira (12). No Dia das Crianças, exatamente um ano após a morte da cadelinha Belinha, que comoveu o município, os moradores da área puderam curtir a inauguração da praça idealizada pelo seu tutor e que leva o seu nome. Com a presença de autoridades e apoiadores, a Praça da Belinha foi oficialmente entregue à comunidade, junto com a realização de uma festa em homenagem aos pequenos.

Gurizada curtiu os novos brinquedos na praça
Gurizada curtiu os novos brinquedos na praça Foto: PAULO PIRES/GES

Usando uma camiseta com a foto de sua cachorrinha, Jackson Delavechia, 14 anos, recebia a todos com um grande sorriso - bem diferente das lágrimas e as imagens de dor pela perda de Belinha, que correram as redes sociais em 12 de outubro de 2020 - e se mostrava muito orgulhoso pela entrega da área de lazer. "O sentimento é de felicidade, orgulho, e estou grato também por todo mundo e de ver a praça cheia assim", disse o jovem, enquanto admirava as centenas de pessoas que aproveitavam o espaço.

Junto de Jackson, estavam vários amigos e o primo Leonardo Freitas de Lima, 16 anos, que estava junto com ele quando Belinha foi morta. "Ele estava comigo naquele momento, ele que me ajudou. Sou muito grato a ele, a meus amigos e a todos que colaboraram para a praça", completou Jackson, abraçando o primo de forma emocionada, em seguida.

 

União de forças

A mesma alegria compartilhava a mãe de Jackson, Alexandra Moreira da Silva, 45 anos. "Gratidão é a palavra que define a gente. Gratidão pela comunidade, pelas pessoas que nos ajudaram até agora, por todo mundo. Estamos muito felizes com tudo isso", sublinhou, lembrando as doações recebidas também para que a festa fosse realizada. No local, lanches e doces foram oferecidos às crianças e apresentações artísticas marcaram o ato. Dentro das normas de prevenção ao coronavírus, voluntárias mediam a temperatura na entrada do espaço e passavam álcool gel nas mãos dos visitantes.

Presidente da Cooperativa de Habitação Nascer do Sol (Coopsol), responsável pelo loteamento onde a família vive, Vanessa Brum acompanhou o projeto se tornar realidade e a área hoje se tornar espaço de lazer para a loteamento, que tem 360 famílias associadas. "O sentimento é de alívio, de dever cumprido, porque da dor a gente fez a comunidade se solidarizar com a situação, unimos forças e abraçamos a causa."

Trabalho da sociedade

O prefeito de Sapucaia do Sul, Volmir Rodrigues, a vice Imília de Souza, e seu esposo, o deputado estadual Vilmar Lourenço, também acompanharam a abertura oficial do evento. "É uma alegria muito grande estar aqui no Loteamento Nascer do Sol, pra dizer que a comunidade está de parabéns pela bela praça que fez. Nós contribuímos com as mudas, com o que a gente pode, mas esse é um trabalho da sociedade", disse o prefeito, agradecendo e parabenizando os envolvidos no projeto.

Jackson, apoiadores, membros da comunidade e as autoridades presentes também participaram do desenlace simbólico de entrega do local.

Vontade agora é de trabalhar por mais melhorias

Durante o evento, foram entregues lembranças a voluntários e apoiadores do projeto de transformação do local. Um deles foi o morador do bairro, Valderi Jandir da Rosa, conhecido como Biti, 53 anos. "Vi o Jackson crescer aqui. E quando aconteceu, fiquei sabendo na hora, porque moro bem próximo do mercado. A cachorrinha se criou aqui no campo, com a gente. Eu convivia com a Belinha, não só conhecia ela", contou. "Não tinha outra coisa a fazer a não ser abraçar tudo junto", acrescentou, sobre se oferecer para construir brinquedos menores, realizar manutenções e outras tantas atividades, que às vezes saíam do próprio bolso.

"Isso é só o começo, porque o ano que vem queremos ter coisas melhores ainda. A vontade, o desejo e a dedicação nossa é que ela cresça cada vez mais, ela se expandir", colocou Biti, sobre a intenção de continuar trabalhando em melhorias para a praça. "Nossas crianças são o nosso futuro, nossa esperança e nossas promessas. Nós temos que acreditar nisso, porque o pouquinho de cada um nesse mundo, vai fazer a diferença."

Comunidade aprova transformação: "é um sonho"

Proprietário de uma fábrica de brinquedos de Estância Velha, João Grandão, 67, também participou da inauguração do espaço, para onde ajudou a construir estruturas como balanços e parte do escorregador. "Me sinto maravilhado", disse, ao ver a Praça da Belinha pronta.

Quem também ficou feliz com o que viu foi o casal Neli e Ones Carneiro, 65 e 73 anos. Acompanhando as notícias sobre o caso e sobre a pracinha pelos jornais, eles resolveram sair do bairro Sete e visitar o local com sua cadelinha, que também se chama Belinha. "Quando eu soube [da inauguração], disse 'temos que ir lá e levar a nossa Belinha'", comentou Ones. "A praça está maravilhosa. E que união de todos, né? Ficou muito linda", destacou Neli.

Admiração também estava estampada nos rostos das centenas de crianças e moradores da comunidade, que aproveitaram a praça ontem. Lisiane de Souza dos Santos, 39 anos, mora em frente a praça e viu a transformação realizada. Hoje, ela foi ao local com os filhos Bruno, 15 anos, e Brian, 3. "É um sonho. Ele acorda e quer vir pra cá todos os dias", relatou, sobre o mais novo. "Moro aqui faz 15 anos e antes era um areião, era largado. A gente vinha sentar, mas tinha que ficar cuidando os matos, agora tá um sonho", enfatizou.

Relembre o caso

A Praça da Belinha leva esse nome em referência a cachorrinha morta em 12 de outubro do ano passado, pelo dono de um minimercado do bairro, enquanto o animalzinho esperava pelo seu tutor, Jackson Delavechia, hoje, com 14 anos, na porta do estabelecimento.

Irritado com a presença de Belinha, o proprietário, de 42 anos, a acertou com tiros de chumbinho. O homem foi preso, mas liberado no dia seguinte ao crime, e segue respondendo na Justiça.

A dor da perda de seu bichinho de estimação motivou que Jackson tivesse a ideia de transformar o campinho em frente a sua casa, onde ele passeava com Belinha todos os dias, num espaço de lazer para toda a comunidade. Com o apoio da família, vizinhos e doadores, o projeto saiu do papel.

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