Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Região VALE DO PARANHANA

Garças são alvo de reclamação de moradores de Três Coroas

Mau cheiro e sujeira são os principais problemas apontados

Por Joceline Silveira
Publicado em: 02.11.2021 às 06:03 Última atualização: 02.11.2021 às 12:57

Quem passa pelas ruas centrais de Três Coroas já deve ter notado que a cidade foi tomada pelas garças-vaqueiras. O movimento nas ruas Jorge Schaeffer e Indústria não inibe as aves, que chegam por todos os lados, dão vida aos galhos e pousam na copa das árvores às margens do Rio Paranhana. Cerca de 300 vivem no local, mas este número pode chegar a 2 mil no período de reprodução.

As garças dão show no céu, mas, para alguns moradores, a beleza dos animais acaba anulada pelo incômodo que causam.

Cerca de 300 garças tomam conta do Centro da cidade do Vale do Paranhana
Cerca de 300 garças tomam conta do Centro da cidade do Vale do Paranhana Foto: Inézio Machado/GES

A presença dessa ave branca com topete alaranjado tem tirado o sono de alguns moradores. "Elas chegam de manhã, às 5h30 e, no fim da tarde, ficam cantando e acordando a gente o tempo todo, porque o som é alto e elas não param", afirma a representante comercial Caroline Wagner Stumpf.

Questionada sobre como é a convivência com as garças, ela não hesitou. "Péssima, a sujeira e fedor são insuportáveis", comenta.

"No verão é um terror, estamos até com medo porque já dá para notar que o número delas está aumentando", disse o diretor de Patrimônio do Grupo Escoteiros Paranhana, Elói Bloedorn. A entidade chegou a suspender as atividades devido à presença do bando de garças.

Reflexo do desmatamento

Conforme o biólogo Fernando Jaeger Soares, da Secretaria de Planejamento, Habitação e Meio Ambiente de Três Coroas, devido ao desmatamento, cada vez mais as aves buscam abrigo nas cidades. Registros do órgão apontam que a migração ocorre há, pelo menos, nove anos, mas se intensifica entre a primavera - época em que também ocorre a reprodução das aves, que se estende até o fim do verão.

"As garças na área urbana já estão se reproduzindo e habitando o local há quase uma década. Segundo os moradores antigos, os primeiros indivíduos começaram a vir se alimentar e se adaptaram ao ambiente, e então se iniciou o processo de reprodução na área."

Garças em Três Coroas
Garças em Três Coroas Foto: Charrua Falcoaria

A permanência dos animais na área urbana tem gerado polêmica entre os moradores e comerciantes. Alguns questionam os impactos para a saúde pública.

"Temos que entender que, quando elas procuram esses locais, elas estão procurando um ambiente de reprodução, onde montam os ninhos. O ambiente passa a ser insalubre, embaixo e no entorno do espaço, criando um conflito", explica o biólogo.

Para Soares, a preocupação da Secretaria é em relação às doenças decorrentes da presença das aves. "Por causa das fezes e dos animais, o risco de contaminação é muito grande. Temos que pensar no futuro."

Aves de rapina e até drones

Em junho, uma tentativa surtiu efeito provisório. Uma empresa especializada em afugentamento, técnica que utiliza aves de rapina e drones para dispersar as garças, foi contratada. Foram 15 dias de trabalho para a realocação de mais de 300 animais.

Conforme a prefeitura de Três Coroas, "o problema sanitário que culminou neste trabalho, por ora estava resolvido. Mas as garças nesse tempo não desistiram de se acomodar na redondeza, a cerca de 500 metros do local original, subindo o rio".

"Elas subiram o rio e atravessaram para o outro lado, concentrando os ninhos na Rua da Indústria", pontua Soares. De acordo com o biólogo, para surtir o resultado desejado, o trabalho deveria ser executado por um ano, mas o valor estaria fora do orçamento atual. "Para essa primeira etapa contamos com o financiamento do Conselho Municipal de Meio Ambiente e já teve um valor alto. Estamos estudando alternativas", explica.

Falcões são alternativa para dispersar garças
Falcões são alternativa para dispersar garças Foto: Divulgação

Biólogo da empresa contratada, a Charrua Falcoaria, Julian Stocker comenta que o mais importante nesse trabalho foi a forma com que foi conduzido. "Através da falcoaria conseguimos inserir um predador natural neste ambiente. Além de ser uma forma ecologicamente correta de fazer o controle dessas aves, torna-se um trabalho de grande significância, pois só afeta as espécies pré-estabelecidas ou selecionadas."

Stocker acrescenta que tudo é realizado dentro do que estabelece a legislação e ressalta que a empresa conta com as autorizações ambientais exigidas para a execução desse trabalho.

Remanejo é apontado como alternativa

Órgãos do meio ambiente já apontaram ações para minimizar os transtornos causados pelas garças na área urbana do município. Entre as opções traçadas, está o remanejo dos animais para uma área maior, também às margens do Rio Paranhana, distante cerca de 1,1 km da região central.

"É um local apropriado que oferece condições para as aves viverem", explica o biólogo Fernando Jaeger Soares.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.