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Notícias | Região DISPARADA DOS PREÇOS

Inflação faz conta do mês ficar cada vez mais apertada

Dólar e estiagem afetam combustíveis e energia elétrica e caem na mesa da população

Por Alecs Dal'Ollmo
Publicado em: 18.11.2021 às 03:00 Última atualização: 19.11.2021 às 09:42

Fez as contas? Nessas contas os alimentos seguem subindo. Nessas contas estão o câmbio e problemas climáticos, além dos impactos da alta dos combustíveis, energia elétrica e estoques reguladores. Quem ganha um salário mínimo, R$ 1.100,00, e cumpre uma jornada de 44 horas semanais, precisa trabalhar três semanas para comprar a cesta básica. Um pouco mais: 138 horas e 13 minutos. E lá se vão 67,92% do salário só em comida. A conta não fecha.

Na avaliação apresentada no início do mês, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta básica registrou aumento de 2,78% em outubro. Isso levando em conta as capitais.

Elevação no preço da batata é destaque nas pesquisas
Elevação no preço da batata é destaque nas pesquisas Foto: Diego da Rosa/GES

Em São Leopoldo, a pesquisa realizada mensalmente pelo Procon de São Leopoldo, divulgada também no início do mês, apontou que não houve variação em relação ao mês de outubro. Mas que houve variações específicas em mais de 50% entre produtos alimentícios, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza.

Os principais aumentos, conforme o Procon SL, ocorreram no café de 500g com (53%) e a batata (48%). Houve redução no preço da dúzia dos ovos de 29%. Sintonia em variações específicas com o Dieese, que aponta que ficaram mais caros a batata (22,68%), o tomate (16,49%), o café (4,18%), o açúcar (3,84%), o pão (2,29%), o óleo de soja (1,33%) e o arroz (1,10%).

Em sentido contrário, pelos dados do Diesse, seis itens registraram redução de preço: o leite (-4,91%), a farinha de trigo (-2,15%), o feijão (-1,33%), a manteiga (-0,23%), a banana (-0,13%) e a carne (-0,09%). O custo médio da cesta aumentou em 16 das 17 capitais pesquisadas. E se você for comprar alimentos hoje, a pesquisa segue atual.

Avaliação

"Os vilões do aumento de preços têm sido os alimentos e os preços administrados pelo governo (gasolina, gás, energia elétrica e tarifas públicas). Essa situação que agrava as condições de vida de grande parte da população é resultado de um conjunto de questões conjunturais e estruturais e do projeto econômico e político implementado após 2016", avalia Daniela Sandi, técnica do Dieese.

Ela destaca que a alta volatilidade cambial, que trouxe a desvalorização rápida e excessiva do real frente ao dólar. E trouxe aumento das exportações, encareceu as importações e aumentou os alimentos e custos de produção. "Ao mesmo tempo houve abandono das políticas de estoques públicos de grãos reguladores que poderiam ajudar a frear essas altas em momentos como esse. Ademais, a crise sanitária desarticulou as cadeias produtivas e consequente falta de insumos e matérias-primas. Além disso há um avanço da produção de soja sobre as áreas de arroz e feijão, que reduz a oferta desses itens essenciais do prato do brasileiro", completa ela.

Salário do trabalhador e dolarização de produtos

A maior parte dos produtos e tarifas estão dolarizados e o trabalhador não tem como se defender. Os salários não conseguem acompanhar a alta dos alimentos, do gás, das tarifas e combustíveis, conforme pondera Daniela.

"Desde outubro de 2016, o brasileiro passou a conviver com a escalada nos preços dos combustíveis e gás de cozinha resultado de decisão da gestão da Petrobras em mudar a política e seguir a variação do preço internacional do barril de petróleo e a variação do câmbio uma realidade vivida apenas por países que não possuem petróleo e um parque de refino capaz de abastecer a população e que, portanto, têm que importar estes produtos. Longe de ser o caso do Brasil. Essa política que privilegia o retorno aos acionistas tem contribuído para o descontrole da inflação, pois impacta direta ou indiretamente em praticamente toda a atividade econômica."

Pesquisa de preços do Procon São Leopoldo
Pesquisa de preços do Procon São Leopoldo Foto: Arte/Alan Machado

Escalada de preços dos alimentos

Em uma avaliação mais ampla é possível perceber o tamanho da escalada de preços dos alimentos e com isso o impacto no bolso. Conforme o Dieese, de janeiro a outubro, dez produtos básicos ficaram mais caros: tomate (61,16%), o açúcar (56,32%), o café (37,70%), a farinha de trigo (17,20%), a carne (16,70%), o pão (12,15%), o feijão (7,29%), a manteiga (7,23%), o leite (3,49%) e óleo de soja (0,30%). Em doze meses, 11 itens da cesta registraram aumento de preços, sendo as maiores altas verificadas no açúcar (65,90%), no café (38,32%), na carne (33,16%) na batata (30,68%) e no tomate (22,95%). Por outro lado, a banana (-18,12%) e o arroz (-11,18%) ficaram mais baratos.

Articulações e estoques públicos

Para projetar um final de ano um pouco melhor, e já focando em 2022, seria necessário, conforme Daniela, contar com políticas de combate à fome que vão do campo até o prato, além de políticas no âmbito local articuladas com demandas no setor educacional e com movimento de agricultura familiar/agricultura urbana. "É preciso retomar a política de estoques estoques públicos de alimentos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) abandonada pelo governo desde 2016 e que poderia abastecer o mercado e frear esses altas e momentos como este." Também na avaliação dela, é necessário retomar a política de valorização do salário mínimo.

Assunto considerado estratégico

Para a equipe do Dieese, a alimentação deve ser assunto estratégico para qualquer país, relacionado com a Segurança Nacional. "O governo brasileiro segue em outra direção, sem entender o papel que lhe cabe, que é proteger a população, garantindo saúde, alimentação e auxiliando, por meio monetário, as famílias mais vulneráveis. Deixar a situação ser regulada pelas "leis do livre mercado" penaliza principalmente a parcela mais pobre da população, para a qual o gasto com alimentos é proporcionalmente mais alto do que nas demais camadas sociais. E o problema não é falta de produção agrícola", reforça Daniela Sandi, técnica do Dieese. "O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas e proteína animal do mundo, mas tem mais da metade da população (116,8 milhões de pessoas) com algum grau de insegurança alimentar", lembra a técnica.

Pesquisa é fundamental
Pesquisa é fundamental Foto: Diego da Rosa/GES

Inflação e a taxa básica de juros

Dados do mercado financeiro de novembro, do Banco Central, via boletim Focus, apontam que pela trigésima vez consecutiva a inflação oficial no País foi de alta. Na avaliação feita pela Agência Brasil o patamar alcançou 9,17%. E na projeção dessa conta, também por meio de informações da Agência, a taxa básica de juros, a Selic, principal ferramenta de controle da inflação, é que para 2022, a taxa, que atualmente está em 7,75% ao ano, fique em 10,25%.

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