Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Região AMOR PELAS PALAVRAS

Jornalista sapucaiense escreve diários há 30 anos: "É terapêutico"

Camila Rocha comemora três décadas de um hábito que começou na adolescência

Por Renata Strapazzon
Publicado em: 06.01.2022 às 07:53 Última atualização: 07.01.2022 às 16:08

O que você estava sentindo, o que estava fazendo e com quem estava em 6 de janeiro de 1992? As perguntas que muita gente seria incapaz de responder com certeza, a jornalista e escritora sapucaiense Camila Rocha consegue em poucos segundos, basta uma consulta rápida ao diário da época. Em 2021, Camila celebra 30 anos de um hábito que começou na adolescência e que, garante, vai fazer parte da sua vida para sempre.

Memórias da escritora e jornalista Camila inspiram livro
Memórias da escritora e jornalista Camila inspiram livro Foto: Acervo Pessoal

Em agendas Camila relata seus dias e emoções. As situações destacadas por ela nas páginas tiveram papel fundamental no seu livro mais recente. Lançado em novembro passado, “Fissurada pela Vida” é uma espécie de autobiografia de Camila. A publicação, das editoras Cinco Gatas e Metamorfose, aborda, em 230 páginas, o tema da fissura labial e palatina. Assim como Carol, a protagonista do livro, Camila também nasceu com fissura labial. Para criar a história da personagem, a autora buscou, nos diários, situações que aconteceram com ela mesma.

“Sempre que digo que escrevo diários há 30 anos as pessoas falam que preciso escrever um livro. E o livro nasceu dos meus diários, quando caiu a ficha sobre o que eu escrevia neles e que a minha trajetória como fissurada poderia ajudar as pessoas. Sou uma jornalista, trabalho com comunicação. Muitos fissurados têm problema de fala, o que eu nunca tive, tive problemas de respiração, fiz fono, mas minha dicção sempre foi boa. Em 2014 conseguiu trabalhar na televisão, que era o meu sonho. Eu amo me ver na televisão, amo minha imagem. Trabalhei muito, foram cinco cirurgias, e hoje eu sou muito satisfeita com a minha imagem”, diz Camila.

Segundo ela, a paixão pelos diários começou aos 14 anos. “Não sei muito por que comecei, acho que mais por um desabafo de adolescência, já que eu estava numa idade muito significativa, mas não consigo parar. Hoje com certeza faz parte da minha vida e acho que vai ser para sempre”, revela. Camila conta que escreve todos os dias antes de dormir e que o diário, desde o primeiro, nunca teve chave.

“Coloco o que eu fiz, como foi o dia, se teve algum estresse, questão de família, trabalho. Às vezes a página da agenda não chega. No tempo em que morei na Austrália, eu tive um caderno separado, pois era tanto sentimento, tanta coisa, alegria, tristeza, saudade da família. Nas épocas mais difíceis eu escrevo além. Passei por várias no ano passado, como em fevereiro, quando perdi meu pai”, recorda.

 “Escrevo para mim. E frequentemente recorro ao diário. É acalentador saber que ninguém sabe mais da minha vida como eu. Sempre que alguém vier discutir eu posso ir lá e provar. Ter minha vida documentada é muito terapêutico. E até por ser jornalista e documentar a vida de todo mundo eu acho justo ter a minha vida documentada também. Ter esta minha visão da minha realidade”, diz. “Meu diário me acalma, me organiza, me deixa com dados para discutir dúvidas com pessoas”, resume.

Caminho natural

A habilidade com as palavras e o gosto pela escrita desde criança, para Camila fizeram com que o futuro como jornalista e escritora fosse um caminho natural. Hoje ela celebra o sucesso da sua obra, presente em 18 estados e cinco países. No próximo dia 12, a autora tem sessão de autógrafos do livro “Fissurada pela Vida” no Food Hall Dado Bier no Shopping Boubon Country, em Porto Alegre, das 18 às 21 horas.

Em 2020, Camila foi empossada como embaixadora da ONG americana Smile Train, que trabalha no tratamento de crianças que nasceram com fissura labial e palatina. “Queremos divulgar a causa, somos muitos. Nascem no mundo 540 crianças por dia com algum tipo de fissura labial ou palatina e as pessoas ainda não se deram conta que a gente existe e segue por aí vivendo, trabalhando e realizando sonhos, como eu estou agora”, completa.

Mesmo tendo nascido com um caso considerado simples, de fissura labial unilateral sem comprometimento de palato, Camila precisou passar por cinco cirurgias. A primeira delas aos cinco meses de vida. As demais se seguiram aos 12, 19 e 21 anos e a última em 2011, quando a jornalista passava dos 30.

O livro de Camila está à venda nos sites das editoras Cinco Gatas  e Metamorfose e também no Instagram @fissuradapelavida. O livro custa R$40 e R$50 pelo correio. 

 

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.