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Notícias | Região SECA NO RS

Volta o medo do racionamento com o baixo volume de água nos rios da região

Profundidade dos mananciais preocupa, mas companhias da região ainda não projetam medidas extremas

Por Priscila Carvalho
Publicado em: 15.01.2022 às 08:00 Última atualização: 15.01.2022 às 15:38

O ambiente ainda é de aparente tranquilidade, mas a preocupação existe. A falta de chuvas consideráveis no Estado somada aos dias tórridos registrados nesta semana, tem criado temor não só em agricultores, como na população em geral, que tem se perguntado: "será que há risco de desabastecimento ou racionamento?".

Na captação de água do Semae, Viviane, Ary e Ronan monitoram situação do Rio dos Sinos
Na captação de água do Semae, Viviane, Ary e Ronan monitoram situação do Rio dos Sinos Foto: Diego da Rosa/GES

Pela região, as companhias de água afirmam que, neste momento, não há risco, mas ponderam receio e monitoram a situação dos mananciais.

Em São Leopoldo, por exemplo, a régua usada para medir a profundidade do Rio dos Sinos, no Centro da cidade, apontava apenas 32 centímetros (cm) na tarde desta sexta-feira (14) - o menor nível do ano. Mas, no ponto onde a água que abastece o município é captada, na Elevatória de Água Bruta (EAB), que fica no bairro São José, o nível estava em 90 cm, o que ainda garante o fornecimento, mas já demanda mais insumos para o tratamento da água.

50 centímetros

Conforme o Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae), o limite para manter a captação de água sem alterações maiores é 50 centímetros - ou seja, só 40 cm a menos do que a medida observada nesta sexta. O diretor-geral da autarquia e vice-prefeito de São Leopoldo, Ary Moura, disse que, por enquanto, o município ainda não pensa em racionamento. "Mas já estamos fazendo estudos, porque, se acontecer, temos que estar preparados", justificou.

Embora destaque que os reservatórios estão em níveis "tranquilos" ainda, a diretora de Operações do Semae, Viviane Feijó Machado, demonstrou temor pelo restante da estação mais quente do ano. "Nos últimos três anos, até com a grande estiagem de 2019/2020, esse é o menor nível que registramos", colocou. "No ano passado, chegamos no nível de 1 metro (na captação) já no final do verão. Esse ano, recém terminou o primeiro mês, dezembro, que foi quente, e já está em 90 centímetros. Ainda temos quase três meses pela frente", lembrou.

Investimentos

Mas a situação poderia estar bem pior em São Leopoldo. Em 2016, o Semae inaugurou o novo sistema de captação de água na EAB, num investimento de R$ 15 milhões. Por ele, a água é captada por bombas dentro de um chamado "poço", em nível mais baixo do que o fundo do rio, explica o engenheiro Ronan de Jesus. "A calha aqui é negativa ao rio. O fundo do poço é mais baixo que o fundo do rio", esclarece. Por isso, ainda é possível captar água sem interferências até 50 cm de medição. Antes da inauguração da estrutura, medidas extremas já precisavam ser adotadas a partir de 1,10 metros. O último racionamento em São Leopoldo ocorreu no verão de 2011/2012.

Apelo

Buscando conscientizar para o uso consciente da água, Ary Moura salienta que uma campanha deve ser lançada nos próximos dias na cidade, e faz um apelo para que a população evite o desperdício. "Pedimos que cada um faça a sua parte. Agora não é o momento para lavar carro em casa, lavar calçadas toda hora. Nesse momento, cada um tem que doar um pouquinho de si pra que a gente possa sair dessa situação."

Antiga captação de água do Semae deixou de funcionar em 2016, quando novo sistema foi inaugurado
Antiga captação de água do Semae deixou de funcionar em 2016, quando novo sistema foi inaugurado Foto: Diego da Rosa/GES

Comusa afirma que não há risco

Na região, o receio também existe e as preocupações são as mesmas, embora ainda não se fale efetivamente em falta d'água. A Comusa Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo e a autarquia Água de Ivoti não acreditam em risco de desabastecimento ou racionamento, mas estão preocupadas com a falta de chuvas em todo o Estado, especialmente com o aumento das temperaturas.

"Não há risco de desabastecimento nem racionamento. A Comusa tem tecnologia para captar a água em níveis mais baixos. No entanto, quanto mais baixo o nível do rio, pior é a qualidade da água captada, por isso, incentivamos o consumo consciente da população", declara a diretora-geral da Comusa, Andrea Braun.

A Comusa explica que não há um nível específico para risco de racionamento. O nível é de alerta, sublinha, quando começa a baixar de dois metros, mas passa a preocupar se chegar no mesmo nível de maio de 2020, quando atingiu a menor marca da história da Comusa: 1,75 metro. No final da manhã desta sexta, estava em 2,02 metros.

Sujeira e poluição podem dificultar operações

"São duas coisas que precisamos levar em consideração: estamos apenas em janeiro e, na nossa captação, já atingimos uma média baixa em relação a outros anos, o que preocupa a longo prazo. Mas, além disso, temos ainda a situação que, nesse nível tão baixo, o tratamento de água fica ainda mais complicado, por conta da sujeira e poluição do rio, o que também dificulta as operações", ressalta Andrea.

Já na próxima semana, a Comusa deve reforçar sua campanha de verão. Com o tema #FechaPraPreservar, a autarquia continuará tratando sobre o uso consciente de água tratada neste verão. "Temos que, como um todo, trabalhar juntos para realmente evitar o desperdício de água. Cada atitude impacta diretamente", explica a diretora da companhia hamburguense.

Desabastecimentos pontuais não são descartados, diz autarquia de Ivoti

O diretor da autarquia Água de Ivoti, Adriano Graeff, declara que a expectativa é de que não haja desabastecimento em nenhuma região da cidade, mas pondera que, devido ao calor, naturalmente há aumento de consumo no verão, fazendo com que o sistema opere em capacidade elevada. “Dessa forma, caso tenhamos algum incidente que provoque a interrupção da captação e/ou adução no sistema, não se descarta a possibilidade, ainda que de forma localizada, de algum desabastecimento pontual”, salienta, reforçando o pedido para a comunidade consumir água com o máximo de consciência, evitando qualquer tipo de desperdício.


Corsan pede cooperação

A Corsan, que abastece a maioria das cidades da região, informou que ainda não há cenário para racionamento. "Nesse momento, é precoce tratar do tema. Nesse contexto crítico, é vital a cooperação de toda a população, praticando o uso responsável da água e evitando desperdícios", ressaltou a estatal, por nota, onde também reiterou que está permanentemente reforçando seus sistemas de água, de forma a garantir o abastecimento da população mesmo em períodos críticos como o atual. Além de monitoramento contínuo dos mananciais, a Corsan também destaca que lançou a campanha Verão 360°, para alertar a população. "É fundamental adotar atitudes como: não tomar banhos demorados; não deixar a torneira aberta se não estiver usando; e, de forma geral, não desperdiçar água, usando somente o necessário."

Vazamentos, problemas ou denúncias

Semae - 0800 510 2910
Comusa - 0800 6000 115
Corsan - 0800 646 6444

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