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Notícias | Região DE OLHO NO CÉU

Primeiro centro de astrofotografia do Brasil será em Cambará do Sul

Espaço está em obras e deve ser inaugurado oficialmente no mês de março

Por Fernanda Fauth
Publicado em: 22.01.2022 às 06:00 Última atualização: 22.01.2022 às 19:17

Quando você olha para o céu, o que mais lhe chama atenção? A lua, as estrelas ou todo o conjunto? A localização do Rio Grande do Sul é considerada um privilégio por especialistas em astronomia. A chance de observar o centro da Via Láctea e a ausência de poluição luminosa em diversos pontos do Estado aumentam a visibilidade e a magnitude do universo.

Primeiro centro de astrofotografia do Brasil será em Cambará do Sul
Primeiro centro de astrofotografia do Brasil será em Cambará do Sul Foto: Egon Filter/Divulgação

Segundo Egon Filter, astrofotógrafo que reside há um ano em Cambará do Sul, do município é possível enxergar até 30 mil estrelas. "Numa lua nova, em cidades grandes, como Porto Alegre, se vê apenas 0,5% do que na cidade dos Aparados da Serra", afirma. Não à toa, a cidade vai receber o primeiro centro de astrofotografia do País, com inauguração prevista para o mês de março.

O fundador do espaço é o próprio Egon, referência no mercado fotográfico quando o assunto é astronomia. Desde 1985, ele possui uma câmera profissional, mas, na época, via a fotografia como um hobby. O especialista já visitou diversos lugares ao redor do mundo: do Iraque ao Chile, da Antártida à Mongólia.

"Sempre tive um desafio. Desde o início da década de 1990 eu viajava para os lugares mais remotos do mundo, porque queria chegar antes da Coca-Cola. Nunca consegui. Estava no meio do deserto do Saara, lá estava o caminhão. E era sempre assim. No interior da Mongólia, nas montanhas da Antártida, no Chile, Himalaia, Oriente Médio, Iraque. A todos esses lugares eu já fui, até ao interior das tribos da África", conta.

Em 2012, decidiu fotografar a famosa aurora boreal, que pode ser vista ao norte da Noruega. "Me apaixonei por fotografar a aurora boreal. E, consequentemente, por fotografar o céu. Fiz seis expedições, guiei grupos de fotógrafos e chegou um momento em 2015 em que pensei: 'Não dá para ir duas ou três vezes para o norte da Noruega, eu vou montar um projeto pessoal pra mim, vou fotografar os céus mais bonitos do Rio Grande do Sul'."

Caminho das Estrelas

Para realizar a proposta, Egon estudou astronomia e aprofundou os conhecimentos sobre a Via Láctea. "Era uma atividade inédita no Brasil. Quando eu iniciei, não havia pessoas no País que trabalhassem, que soubessem fazer. Então, fui aprendendo com amigos pelo mundo e, devagarinho, fui me tornando referência no Brasil", afirma.

Desde 2015, o astrofotógrafo desenvolve o projeto Caminho das Estrelas, autorizado e aprovado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e pelo ICMBio, com acesso a todos os parques estaduais e federais.

Ele também ministra cursos para quem se interessa pela área. Em 2021, foram cinco, número reduzido devido à pandemia da Covid-19. Alunos de diferentes pontos do País buscam o profissional para adquirir conhecimento. "Tem alunos de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, até dos Estados Unidos já veio", relata.

Pioneirismo no País e reconhecimento internacional

O primeiro centro de astrofotografia do Rio Grande do Sul e do Brasil, que ficará em Cambará do Sul, ainda está em obras, mas tem previsão de conclusão para este mês. Já a inauguração oficial deve ocorrer em março.

O empreendimento terá salas de aula, galeria de arte, cursos e atividades de visita guiada para observação das estrelas. "Se a pessoa quiser tirar uma selfie com a Via Láctea ao fundo, ela vai poder. Para mim, é uma nova fase de vida dedicada a isso", avalia Egon, que deixou o emprego fixo em uma multinacional e se mudou de Porto Alegre para os Aparados da Serra.

Foto chamou atenção da Nasa

Apesar de confessar não ser fã de concursos, o fotógrafo entrou na competição do International Dark Sky Association e venceu o prêmio. Teve reconhecimento, inclusive, da Nasa, que entrou em contato e pediu para publicar a foto. Antes, porém, quis saber se a imagem era de verdade.

"Podemos publicar? Essa foto é real?", questionou a agência dos Estados Unidos.

Imagem de lago e espelho refletindo o céu rendeu ao profissional um prêmio internacional
Imagem de lago e espelho refletindo o céu rendeu ao profissional um prêmio internacional Foto: Egon Filter/Divulgação

"Eu usei o lago para refletir o céu, e na água eu segurava o espelho. No reflexo dele estava o centro da via láctea, que não chega a aparecer no céu nesta foto", detalha Egon.

Mas se engana quem pensa que o registro foi feito de primeira. Em busca de ângulos diferentes, ele viajou oito vezes de Porto Alegre à região de Mostardas. Foram ao menos 200 tentativas para conseguir fazer o alinhamento até acertar. "Eu sempre faço as fotos unindo elementos do céu e da terra, e eram muitos elementos que precisavam estar num conjunto, até que finalmente consegui e o resultado foi esse", conclui.

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