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Notícias | Região CRIME

Grupo neonazista volta a atacar com rastros no Vale do Sinos

Agora são atos racistas contra ator da TV Globo, que suspeito de Novo Hamburgo nega ter feito

Por Silvio Milani
Publicado em: 28.01.2022 às 03:00 Última atualização: 28.01.2022 às 09:15

Depois de financiar lives com tortura e morte de animais, como a do cachorro na véspera de Natal em Lindolfo Collor, a rede sádica Elite Intelectual da Internet volta a atacar. O grupo neonazista, revelado mês passado pelo Jornal NH, fez ameaças racistas ao ator negro Douglas Silva, participante do programa BBB22, da Rede Globo, e a Polícia Civil suspeita de um morador de Novo Hamburgo de 26 anos. Filho de policial aposentado, ele nega. Sustenta que foi hackeado para ser incriminado. O nome não é publicado porque a investigação está no início.

Ator Douglas Silva foi alvo
Ator Douglas Silva foi alvo Foto: Divulgação

Os ataques contra o participante do BBB22 foram disparados em blog vinculado a membros da rede extremista, associada ainda à prática de pornografia infantil, homofobia e outro crimes, como zoofilia e necrofilia. A publicação, com foto do movimento supremacista branco Ku Klux Klan, dos Estados Unidos, questiona: "Desde quando são permitidos macacos como integrantes de reality shows? Douglas Silva não passa de um primata, nada mais e nada menos".

'Inconcebível"

A esposa do ator, Carol Samarão, posicionou-se nas redes sociais: "Familiares, amigos e fãs estão consternados com todas as mensagens de ódio que vêm sendo proferidas ao Douglas Silva e sua família, através de um blog anônimo veiculado ao WordPress." Em nota, ela prossegue: "Todas as medidas judiciais estão sendo tomadas pela família de Douglas a fim de que os responsáveis sejam investigados e punidos na forma da lei. É inacreditável, inadmissível e inconcebível e que isso ainda aconteça".

Hackers denunciam

"Anonymous" publica invasão à página com crime de ódio
"Anonymous" publica invasão à página com crime de ódio Foto: GES

Na noite desta quarta-feira, o grupo hacker Anonymous expôs o blog com teor racista, diz ter descoberto o jovem de Novo Hamburgo como autor e divulgou o nome dele com ameaças: "Seu fim está próximo. Tomara que te joguem numa cela só de negros quando você for preso". No mesmo dia, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que identificou o hamburguense, já investigado na Delegacia de Combate à Intolerância, em Porto Alegre.

'Nem blog utilizo', afirma investigado

O investigado afirmou, na manhã de ontem, que não estava sabendo dos fatos. "Nem blog utilizo. Que calúnia é essa?", comentou ele, em conversa por WhatsApp a que a reportagem teve acesso. E continuou: "Quero ver como irão fazer pra me juntar com isso, sendo que bbb é uma coisa que eu não assisto. Perda de tempo. Não conheço nem o nome dos participantes." Também escreveu que estava passando mal: "Irei voltar pra cama, porque estou febril e tô me sentindo fraco".

Pai do suposto supremacista é policial civil negro

Policial civil aposentado de 51 anos, o pai do investigado por racismo, que é negro, demonstra abatimento. "Hackearam o computador do meu filho e o Facebook também. Se apoderam e usam o perfil do meu filho.

Neste último caso do BBB, é ridículo acusar meu filho de racista. Ele é negro. Eu também. Eduquei meus filhos na retidão de caráter e agora, indevidamente, tudo o que ocorre relacionado a homofobia e nazismo recai sobre ele." A mãe do jovem é de origem alemã. "Há culpados que estão se divertindo com esta situação. Chamam o rapaz do BBB de macaco e culpam meu filho?" O policial observa, em tom de lamentação, que foram expostas, nas redes sociais, informações e fotos da família.

Cartilha extremista

Liderada por um goiano de 25 anos, de codinome Koppy, a "Elite Intelectual da Internet" tem uma cartilha para os membros, ilustrada por suásticas. A maioria das postagens é impublicável, como meninas em sexo com animais. A comunidade é formada por gamers que ficam noites sem dormir em jogos on-line e passam a viver uma realidade paralela.

Live vazada, internação e ameaças à delegada

A rede veio à tona na noite de 24 de dezembro, quando um adolescente de 17 anos torturou e matou um cachorro da vizinhança ao vivo em Lindolfo Collor. A live era para um grupo fechado, mas hackers rivais tiveram acesso e vazaram o conteúdo.

Pelo menos 30 assistiam e orientavam como era para o jovem maltratar o animal. No vídeo de quase três minutos, ele estrangula, espanca com golpes de martelo e corta o cão com uma faca, nos fundos da casa da mãe. "Agora mata", é possível ouvir de espectador de São Paulo. Há postagens que falam de outras lives cruéis protagonizadas pelo adolescente, como tortura e morte de filhotes de gatos e pássaros. Ele também já transmitiu sessões de automutilação nos braços.

O adolescente foi internado na semana seguinte no Centro de Atendimento Socioeducativo de Novo Hamburgo. A família do menor e a delegada que apura o caso, Raquel Peixoto, passaram a sofrer ameaças de morte.

Advogado põe celular e computador à disposição

O advogado André Von Berg, que defende o hamburguense, frisa que a família está colocando à disposição da Polícia o celular e o computador dele. "Montaram um blog com ameaças contra o participante do BBB como se fosse o (nome do cliente). Agora ele está sofrendo linchamento na Internet. Chegaram a divulgar vídeo com ele pedindo para a mãe falar em alemão, só que se trata de dialeto da imigração, que nada tem de racista ou nazista."

A respeito de outras acusações, entre elas a que o investigado estaria xingando um negro pela Internet e oferecendo uma banana, o advogado frisa que ele foi provocado e o vídeo apresentado e editado fora de contexto.

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