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Notícias | Região INVESTIGAÇÃO

Policial militar é afastado por suspeita de envolvimento em ataques a bancos

Operação nesta sexta-feira (4) prendeu dois homens que teriam atacado agência no Vale do Sinos em novembro de 2021. Brigadiano teria ligação com a quadrilha

Publicado em: 04.03.2022 às 17:02 Última atualização: 04.03.2022 às 19:15

Um policial militar que mora e trabalha em Novo Hamburgo foi afastado das funções após investigações da Polícia Civil apontarem para o envolvimento dele com um grupo criminoso suspeito de cometer pelo menos seis ataques a agências bancárias no Rio Grande do Sul. Entre elas, uma agência do banco Itaú, localizada na cidade onde o agente reside.

Coronel Vladimir Luís Silva da Rosa e delegado João Paulo de Abreu em coletiva nesta sexta-feira (4)
Coronel Vladimir Luís Silva da Rosa e delegado João Paulo de Abreu em coletiva nesta sexta-feira (4) Foto: PAULO PIRES/GES
O crime na cidade do Vale do Sinos aconteceu na manhã do dia 3 de novembro de 2021, uma quarta-feira, quando três homens armados invadiram o estabelecimento na Rua Bartolomeu de Gusmão, no bairro Canudos. Minutos depois do assalto, um suspeito foi preso em flagrante pela Brigada Militar com parte do dinheiro roubado, o revólver de um vigilante e uma pistola usada no assalto. 

A partir dessa prisão, a Polícia Civil deu início às investigações da operação Bartolomeu e, na manhã desta sexta-feira (4), prendeu mais dois suspeitos, que teriam invadido a agência. Além das prisões, a Polícia Civil e a Corregedoria da BM cumpriram mandados de busca e apreensão, um deles na casa do policial militar de Novo Hamburgo.

Em coletiva de imprensa na sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a Polícia explicou que o agente estaria vinculado à quadrilha de assaltantes. Isso porque o aparelho celular encontrado na casa dele estaria sendo usado para um contato direto com os criminosos. A troca de mensagens foi identificada, inclusive, no dia em que a agência do Itaú foi atacada.

"A suspeita é que exista a vinculação dele tanto ao crime que aconteceu em Novo Hamburgo, quanto àquele que aconteceu em Alvorada", disse o delegado João Paulo de Abreu, que comanda a investigação. A identidade do PM afastado não foi divulgada pelas autoridades. 

Corregedor-Geral da Brigada Militar, o coronel Vladimir Luís Silva da Rosa garante que todas as medidas serão adotadas durante a investigação conduzida pela Polícia Judiciária Militar. "Agora, começa com mais força a investigação em cima da conduta deste policial militar", garantiu. "Se existir a prova de culpabilidade, vamos garantir que ele não possa sair ileso do processo", concluiu.

Entrevista com o delegado João Paulo de Abreu

DC - Como a prisão de um assaltante durante a fuga do Itaú colaborou para a identificação de policial militar (PM) durante a investigação?

O homem preso pela Brigada Militar na saída do banco era uma pessoa já bastante conhecida da polícia. O nome dele é Érisson Ivan de Souza Balhejo. É conhecido com Neco. Tem 56 anos e é um veterano de assaltos no Estado. Percebemos, através do aparelho celular apreendido com ele, que teria interagido com uma pessoa que descobrimos depois ser um policial militar da cidade de Novo Hamburgo.

DC - Havia alguma suspeita de envolvimento de um PM até este ponto da investigação?

Um dos assaltantes foi preso porque uma viatura da Brigada Militar passava pelo local bem no momento do ataque ao Itaú. Acreditamos que ao todo cinco participaram do ataque em Novo Hamburgo. A ação criminosa estava muito bem organizada. Por isso os outros conseguiram fugir. Não pensamos no envolvimento de um policial, mas que houve algum tipo de informação privilegiada passada ao bando.

DC - Então a prisão fora do Itaú foi decisiva para que se chegasse as prisões e a identificação do PM?

Colaborou decisivamente para o que aconteceu hoje. Ela ratificou toda a investigação que estávamos conduzindo em cima dos roubos cometidos pelo grupo criminoso. Já a apreensão do telefone celular hoje ratificou o indício de participação do policial militar no roubo de Novo Hamburgo. Resta saber se ele colaborou ou não com o crime. Nos parece que sim. Ele, no contexto, sendo um policial militar, teria acesso a algumas informações privilegiadas ou comportamentos que colaboraram para a ação criminosa.

DC - E há suspeita de envolvimento do PM no roubo que aconteceu em Alvorada?

A suspeita é que exista a vinculação dele tanto no crime que aconteceu em Novo Hamburgo quanto aquele que aconteceu em Alvorada. Agora vamos conseguir esclarecer se ele participou de fato ou não. Existia interação através de interlocuções tanto em Alvorada quanto em Novo Hamburgo. Infelizmente, ao que tudo indica, se confirmou esta vinculação quando encontramos o aparelho na casa dele nesta sexta-feira.


DC - O PM foi detido ou preso?

Não. Cumprimos um mandado de busca e apreensão com o objetivo de conseguir provas na casa dele. E conseguimos obter objetos de interesse da investigação criminal. Além do celular, foram achadas armas e munições suspeitas. A Corregedoria da Brigada Militar acompanhou, com a Polícia Civil, o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa do policial militar. Ela vai conduzir a própria investigação relacionada ao PM.

 Entrevista com o Corregedor-Geral da Brigada Militar, o coronel Vladimir Luís Silva da Rosa

DC - Quando a Brigada Militar passou a participar da investigação?

A Brigada Militar entrou, em apoio na investigação, no momento em que a Polícia Civil identificou que podia existir alguém da Brigada Militar vinculado aos criminosos. Nosso pessoal de Inteligência entrou com um trabalho conjunto. A Inteligência repassou as informações para a Corregedoria. Quando surgiu a informação do cumprimento dos mandados de prisão, busca e apreensão, a Brigada Militar estava junto com a Polícia Civil.

DC - O que vai acontecer com o policial militar a partir de agora?

Ele está afastado das atividades. A investigação pode resultar em ingresso em uma unidade de contenção militar da Brigada Militar. É que neste caso, foram encontradas armas e munições que ao natural necessitam de esclarecimentos sobre a procedência. As armas foram apreendidas pela Polícia Civil para que se faça um levantamento. Continuamos com a investigação da Polícia Judiciária Militar para saber que delito este policial militar pode estar vinculado. Agora começa com mais força a investigação em cima da conduta deste policial militar.

DC - As armas e munições achadas representam um indício do envolvimento dele com criminosos?
Não posso dizer muito para não atrapalhar a investigação, mas ele vai ter que explicar qual a orgiem e a procedência deste material apreendido. Como chegou até ele? O que fazia lá? Não há interesse da Brigada Militar que exista um agente que depois vá facilitar a vida dos delinquentes. Vamos tomar as medidas adequadas e se existir a prova de culpabilidade, vamos garantir que ele não possa sair ileso do processo.

De onde é o PM investigado?
Ele serve e mora em Novo Hamburgo. No 3º Batalhão da Brigada na cidade. E mais não pode ser dito.

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