Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Região COMUNIDADE

Entenda os motivos da elevada dos preços de itens da cesta básica

Na passagem de março para abril, o conjunto de bens alimentícios básicos registrou alta de 6,34%, conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos

Publicado em: 11.05.2022 às 03:00 Última atualização: 11.05.2022 às 07:36

O Comitê de Política Monetária (Copom) utilizou nesta semana uma expressão que a grande maioria dos brasileiros conectados com a realidade conhece bem: aperto monetário. No aperto estão projeções observáveis, como a taxa de juros, inflação, alta do petróleo, guerra na Ucrânia. O consumidor também observa tudo isso e precisa ir para as compras, pagar impostos, pagar pelo transporte, pela habitação. E com um salário bem distante da realidade observada.

11 itens da cesta básica ficaram mais caros
11 itens da cesta básica ficaram mais caros Foto: Diego da Rosa/GES

 

Essa situação fica mais destacada quando se observa a elevação do preço dos produtos alimentícios essenciais. Na passagem de março para abril, o conjunto de bens alimentícios básicos registrou alta de 6,34%, conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Escalada

E as projeções que se apresentam são preocupantes. O reajuste do diesel, aumento de 8,87%, que entrou em vigor terça-feira (10), deverá complicar e talvez deixar quase sem efeito a ideia de redução de impostos sobre alguns produtos básicos. "O aumento no diesel vai impactar na cadeia produtiva. Frete para trigo, frete para farinha. Vai chegar no pão da padaria. Tem acúmulo do transporte impactando nos produtos finais. Então, tendência dos preços dos alimentos a responder a isso", avalia Lisiane Fonseca da Silva, economista e professora da Universidade Feevale.

Para além da escalada de preços com o aumento no custo com transporte, há outra questão. "A questão principal, que estamos visualizando, é que alguns alimentos básicos estão com oferta comprometida em função da guerra na Ucrânia. Oferta de milho e trigo, por exemplo. Há uma discussão sobre a produção que não consegue embarcar e com nova safra chegando."

Preocupação ainda com impacto do dólar sobre as commodities. Trigo, milho, soja na balança. Lisiane lembra ainda, para completar o ciclo de projeções, que existe um processo eleitoral em andamento. "Esse processo gera certa instabilidade em termos de expectativas do que pode acontecer."

Chuvas x estiagem

Mesmo em meio das projeções pouco otimistas, Lisiane aponta um dado positivo e importante: o fim da estiagem. “A estiagem comprometeu muito o hortifrutigranjeiro. As chuvas mais regulares estão auxiliando na produção local de alimentos.” Reforçar a produção local é um caminho necessário. Mas a evolução para um cenário mais promissor e com certa estabilidade precisa da ação de outros fatores e retomadas.

“Com o conflito na Ucrânia, situação da pandemia (que em alguns países envolve retomada e em outros, como a China, lockdown), commodities e processo eleitoral no Brasil, não conseguimos vislumbrar um cenário melhor”, destaca. “Pode ser que tenhamos algumas ajustes de impostos em produtos da alimentação básica. Mas será preciso entender como o mercado vai repassar isso. O Banco Central precisa defender o poder de compra, isso faz parte das ações. Só que as pessoas já estão com dificuldade de comprar. A política mais agressiva contra inflação tem sido a alta de juros, mas até isso tem limite”, afirma.

Um caminho a se percorrer e a se debater para travar a alta de preços no País poderia passar pelo corte de gastos públicos e a falada reforma tributária. Mas, aí, é preciso esforço e vontade política.

Gêneros alimentícios essenciais

Conforme o Diesse, dos 13 produtos que compõem o conjunto de gêneros alimentícios essenciais 11 ficaram mais caros: o tomate (25,79%), a batata (14,63%), o leite (13,46%), a farinha de trigo (10,07%), o óleo de soja (7,15%), o pão (7,07%), a manteiga (6,30%), o arroz (3,87%), o café (3,04%), a carne (3,01%) e o feijão (2,51%). A banana registrou queda (-4,41%) e o açúcar ficou estável. Nos quatro meses do ano, a cesta acumula alta de 14,34%. Registraram alta: a batata (49,75%), o tomate (36,72%), o leite (26,60%), a farinha de trigo (20,37%), o óleo de soja (17,18%), o café (15,55%), o pão (14,68%), a banana (14,17%), a carne (7,49%), o arroz (6,79%), o feijão (6,15%), a manteiga (5,46%) e o açúcar (1,12%).

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.