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Notícias | Região CERCAMENTO INFORMAL

Brigada Militar usa grupos de WhatsApp para prevenir e combater crimes

Aplicativo de troca de mensagens viralizou na BM, que usa ferramenta para monitorar o que acontece nas cidades da região

Por Ermilo Drews
Publicado em: 21.05.2022 às 07:00 Última atualização: 21.05.2022 às 14:57

Não é só para dar bom dia, pedir comida ou discutir com a família que servem grupos de WhatsApp. Na pandemia, o Whats salvou muito lojista da bancarrota, aproximando quem vendia de quem queria comprar. E é seguindo a lógica de estreitar laços que a Brigada Militar (BM) implementou há alguns anos este expediente, por meio dos conhecidos grupos. Há batalhões na região com 30 deles, como acontece em Novo Hamburgo. E autoridades policiais e integrantes desta rede confirmam que o aplicativo de troca de mensagens é uma excelente "arma" contra a criminalidade.

Em Novo Hamburgo, monitoramento das mensagens ocorre na Sala de Operações da BM
Em Novo Hamburgo, monitoramento das mensagens ocorre na Sala de Operações da BM Foto: Diego da Rosa/GES
"A alma do negócio é a gente se aproximar da comunidade. E que maneira melhor do que pelo Whats hoje em dia? É assim que a gente se comunica com nossos familiares", aponta o comandante da BM em Parobé e Taquara, capitão Tiago Reimann. Vindo de uma experiência exitosa em Campo Bom, o oficial implantou há cerca de 20 dias um grupo que reúne lojistas da área central de Parobé, atendidos pela Patrulha Comercial da corporação. Neste meio tempo, apenas um furto foi registrado. E o ladrão acabou preso ao tentar o segundo furto justamente pelo alerta dado no aplicativo de mensagens.

"Funciona como uma espécie de cercamento eletrônico. A BM não tem como ter um policial em cada quadra. Mas há um lojista em cada quadra. Quando eles observam algo suspeito, alertam o grupo, mandam imagens", explica Reimann. É esta prática que deve ser aplicada na cidade vizinha, Taquara, mas com outro enfoque. Por lá, foi a própria prefeitura que sugeriu a criação de um grupo semelhante, com participação da BM e Polícia Civil, mas com foco no combate ao abigeato - furto de animais no campo.

Em Campo Bom e Estância Velha, a BM mantém grupos voltados à rede bancária e ao comércio. "Em Campo Bom, o monitoramento acontece pelos próprios policiais da Patrulha Comercial, que trafegam pela região central. Em Estância, é direto pela Sala de Operações", explica o comandante da Brigada nas duas cidades, capitão Fábio Lima da Silveira.

Peculiaridades

Reimann destaca que cada rede tem suas peculiaridades que são levadas em conta até na hora de aceitar os integrantes. "Se é um grupo voltado ao comércio, lojistas participam. No caso do abigeato, o pessoal precisa viver no interior, ter propriedade rural. A gente sempre checa o histórico criminal da pessoa", enumera.

As adaptações também envolvem os tipos de crimes que a BM espera combater. "No Centro, o foco são furtos e roubos. Então, o monitoramento das mensagens ocorre em horário comercial. O abigeato não tem hora. Então o controle será 24 horas por dia."

Rede reúne 1,7 mil de pessoas em Novo Hamburgo

Apenas no 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM), sediado em Novo Hamburgo, são 20 grupos coordenados pela BM que reúnem 1.736 pessoas. Além disso, a corporação participa de outros dois como convidada, do Moradores do Bairro Liberdade e o da Rede Lilás, que congrega entidades de defesa e apoio à mulher.

Assim como nas cidades vizinhas, o propósito se modifica conforme o perfil. Quinze dos grupos incluem moradores de diferentes bairros de Novo Hamburgo, que somam 22 localidades. Outros dois são da Patrulha Escolar, mais dois da Base Móvel Comunitária (voltada aos comerciantes da Santo Afonso e do Centro) e um de lideranças comunitárias.

Oficial analista da Seção de Operações e Treinamento do 3º BPM, o primeiro-tenente Sandro Ricardo da Silva considera que a ferramenta permite uma real interação entre o cidadão e a corporação, ajudando, inclusive, a evitar e elucidar crimes.

"Auxilia de diferentes formas. Já fomentou denúncias de depredação ambiental e patrimonial, pontos de tráfico de drogas, suspeitos de delitos. Já aconteceram prisões utilizando deste expediente. Por meio de denúncia, apreendemos uma carreta de contrabando de 455 mil maços de cigarros no bairro Ideal em maio de 2018."

Além de alertas e denúncias da comunidade, a BM disponibiliza nos grupos informações de utilidade pública, como tabela de licenciamento de veículos, e dicas de segurança. Também materiais institucionais sobre ações da BM, algumas ocorrências de interesse do bairro e recados, como convites para eventos da Brigada.

Como entrar e o que não pode ser feito?

De maneira geral, para fazer parte da rede da BM o cidadão depende do aval da corporação. No caso de Novo Hamburgo, moradores podem manifestar o desejo de participar por meio de mensagens nos próprios grupos, mediante e-mail, telefone ou contato com os policiais. São solicitados dados pessoais do interessado, que são encaminhados à Patrulha Comunitária, que faz uma visita pessoal, quando é apresentado um termo de adesão. Nele, constam as regras. Após, o documento é levado até a Seção de Operações e Treinamento, que analisa os antecedentes policiais do requerente e decide pela inclusão ou não.

Pessoas que forem aceitas não podem fazer comentários políticos, mensagens de ódio, discriminação racial e promover debates fora do contexto. Ainda não são permitidas divulgação de propaganda.

Proximidade pela tela do celular

Presidente do Conselho Pró-Segurança Pública de Novo Hamburgo (Consepro-NH), Jurandir Moraes dos Santos entende que o Whats se tornou uma forma de aproximar a BM da comunidade. "A maioria das pessoas tem o hábito de usar."

Entre eles, está o presidente da Associação de Moradores do Bairro Ideal, em Novo Hamburgo, Argeu Rodrigues dos Santos. "Em 2012, 2013, quando criaram o policiamento comunitário, a BM fazia rondas frequentes no bairro perguntando para morador, comerciante, se estava tudo ok. Agora, esse contato é feito pelo WhatsApp. E se tiver algum problema, daí se manda a viatura. O importante é ter esta proximidade", defende.

Só não pode perder o bom senso. "Não é lugar para dar bom dia. É para ajudar na segurança de todos", pondera Argeu.

Não substitui o 190

Os policiais militares ponderam que os grupos são complementares, mas não substituem o telefone 190. "A utilização do WhatsApp é para caso que a pessoa pode esperar, que não é urgente a sua demanda. Como exemplo, um carro suspeito abandonado, que pode ser checado com algum tempo para verificação de furto/roubo, denúncia de um crime ambiental, pedido de informações da área da segurança pública. Casos urgentes devem ser comunicados pelo 190", afirma o tenente Silva.

"Se for urgente, precisa ligar porque a central vai acionar imediatamente todas as viaturas próximas do crime. No grupo, serve para alertar as demais pessoas daquele entorno e também auxiliar a BM de que há algo suspeito, enviar alguma foto, vídeo. Mas para agilizar, precisa ligar para o 190. Isso é fundamental", reforça o capitão Reimann.

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