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Caminhada na Independência pede por justiça a leopoldense preso pelo Denarc

Ato é mais uma iniciativa de amigos de Diogo Rodrigues de Oliveira, 36 anos, pedindo a soltura do instalador hidráulico, que teria sido preso injustamente há uma semana

Por Renata Strapazzon
Publicado em: 21.05.2022 às 11:11 Última atualização: 21.05.2022 às 14:29

Amigos do instalador hidráulico Diogo Rodrigues de Oliveira, 36 anos, realizaram na manhã deste sábado (21) uma caminhada pela Rua Independência, no centro de São Leopoldo. Eles pediram por justiça e pela soltura de Oliveira, que teria sido preso injustamente em uma ação do Departamento Estadual do Narcotráfico (Denarc), na semana passada.

Caminhada acontece na manhã deste sábado (21), no Centro de São Leopoldo
Caminhada acontece na manhã deste sábado (21), no Centro de São Leopoldo Foto: Vanessa Saraiva/Especial

A caminhada teve início em frente à Câmara de Vereadores e seguiu até a Avenida João Corrêa. O ato foi realizado com apoio do Movimento Negro. “Nosso objetivo é denunciar a prisão injusta do Diogo, bem como pedir sua liberdade. Diogo não era alvo de investigação e acabou sendo acusado por associação ao tráfico. No sábado passado, horas antes de ser preso ele estava fazendo vaquinha para ter R$20 para cortar o cabelo. Foi preso deixando R$16 para a esposa, grávida de 38 semanas”, comenta Vanessa Saraiva, amiga de Oliveira há mais de 20 anos.

“Visitei o Diogo ontem (na Penitenciária Estadual de Sapucaia do Sul). Ele estava muito abalado, preocupado em como está sendo visto aqui fora. Confortei ele dizendo que não temos dúvidas quanto a sua inocência. A luta pelo Diogo não finaliza com sua soltura, é mais um preto sendo marginalizado. A justiça é cega, mas enxerga nossa cor”, completa Vanessa.

Prisão

Oliveira foi preso sábado (14) em uma ação da 1ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (DIN) do Denarc, no bairro Rio Branco. No andar superior da casa onde ele morava, na Rua Gregório de Matos, os policiais encontraram 36 quilos de cocaína e outros 40 quilos de maconha, além de prensas, adesivos e embalagens usadas para armazenar a droga. Os entorpecentes seriam de um outro homem, de 31 anos, que não estava no local no momento da abordagem policial.

No pedido de liberdade encaminhado ao poder Judiciário, a advogada de Oliveira, Márcia Silva de Almeida, esclarece que o acesso à parte superior do imóvel se dá por meio de uma escada externa, e que Oliveira não tinha relação alguma com o local onde foi encontrado o entorpecente. O primeiro pedido de liberdade provisória foi encaminhado ao juízo da 4ª Vara Criminal da comarca de São Leopoldo, mas negado pelo órgão. Na noite da quinta-feira (19), Márcia impetrou pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado, que também negou liminarmente a soltura de Oliveira.

No despacho, a desembargadora relatora Andreia Nebenzahl de Oliveira escreveu: “(…) ressalto que predicados pessoais favoráveis, como residência, emprego ou primariedade técnica, por si só, não autorizam a revogação da medida, se outras razões mais contundentes a justificam, como no caso dos autos. Caso fosse o paciente posto em liberdade imediatamente, imperaria a sensação de ineficiência da Justiça e descrédito das instituições, sendo insuficiente qualquer medida cautelar diversa da prisão”.

Deputada levou caso à Comissão de Direitos Humanos

O caso da prisão de Oliveira foi levado pela deputada Luciana Genro à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia e ao Conselho de Direitos Humanos. A deputada foi informada do caso pelo vereador de Porto Alegre Matheus Gomes (PSOL), que participou de uma mobilização realizada por amigos e familiares de Oliveira em frente ao Fórum de São Leopoldo quarta-feira (18). "(A prisão) É uma ação visivelmente racista. Diogo é um trabalhador, pai, que foi preso por ser um homem negro que mora no mesmo prédio de um suposto traficante”, aponta a parlamentar.

Gilvandro Antunes, assessor do mandato e representante do Movimento Vidas Negras Importam, também segue acompanhando o caso de perto. “Quando a pessoa é preta e pobre, o sistema de Justiça age sobre a presunção da culpa, e não da inocência. Se o Diogo fosse um jovem branco, de classe média, e fosse achada droga em outro imóvel, todo o sistema de Justiça iria cooperar no sentido de presumir a inocência”, destaca Antunes.

Inquérito em andamento

Diretor de Investigações do Denarc, o delegado Alencar Carraro, responsável pela ação que resultou na prisão de Oliveira, conta que o inquérito sobre a apreensão da droga deverá ser concluído em 30 dias. “Ele (Oliveira) será indiciado, mas ainda é prematura a tipificação legal. Há outras pessoas sendo investigadas devido a apreensão daquela grande quantidade de drogas, inclusive há um foragido”, pontua Carraro.

“Estão sendo realizadas novas diligências investigativas envolvendo esse senhor que acabou autuado em flagrante e o juiz decretando a prisão preventiva, e outras pessoas”, completa.

No local onde os policiais apreenderam as drogas, foram encontrados, também, documentos pessoais de um homem de 31 anos, com antecedentes policiais por associação ao tráfico, indiciado pela 3ª DIN do Denarc em operação policial deflagrada em fevereiro, em São Leopoldo, Alvorada e Porto Alegre.

“Este homem de 31 anos, que fugiu, havia sido indiciado por associação ao tráfico recentemente. Seria ligado aos Manos. Há ainda mais pessoas envolvidas, estamos na fase inicial da investigação. Foram apreendidos celulares e anotações que serão devidamente analisados durante o inquérito", destaca o delegado.

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