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Conheça o mecânico de Novo Hamburgo que se dedica à paixão pelo DKW há mais de 50 anos

Graciano Coin mantém o negócio criado por ele aos 16 anos, no bairro Ideal

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 11.06.2022 às 16:41

A chave vira na ignição, soa o peculiar motor dois tempos, o cano começa a cuspir fumaça e a mágica está feita. “O barulho do DKW é inconfundível. Pode ter 100 carros, ele se destaca” resume o mecânico Graciano Coin. Aos 70 anos, Graciano está à frente da Auto Mecânica Graciano DKW, oficina especializada na marca, desde 1968. Quando criou seu negócio, tinha 16 anos, idade insuficiente até mesmo para dirigir automóveis. “Meu pai teve de me emancipar para eu poder abrir a oficina”, recorda.

Oficina especialziada em dkw em novo hamburgo - Graciano
Oficina especialziada em dkw em novo hamburgo - Graciano Foto: Matheus Chaparini / GES-Especial
O estabelecimento fica na esquina das ruas Santa Maria e Tupiniquins, no bairro Ideal, em Novo Hamburgo e conta com centenas de clientes por todo o Brasil, além de Argentina e Uruguai. Ali, Graciano e o filho Jackson, seu sucessor, fabricam as peças, consertam mecânica e elétrica, todo o restauro, exceto a parte de lataria. As peças, raras de se encontrar no mercado, são o forte do negócio.

A marca alemã foi criada na década de 1910 e fabricava inicialmente motocicletas. Em 1956, a brasileira Vemag começou a produzir os carros no país, onde ficou conhecido como "DKV". Foram cerca de 110 mil veículos fabricados no Brasil até 1967. 

Graciano conta que quem tem DKW tem uma história com o carro. Ou a mãe, grávida, foi conduzida ao hospital para o parto em um deles. Ou então era o veículo dos encontros com a primeira namorada.

“Meu pai tinha DKW, trabalhava com DKW, eu trabalhei na agência de DKW em Porto Alegre, era revenda e mecânica. E por ali foi começando o amor.”

Na estrada

Em agosto, Graciano vai participar de um encontro de carros antigos em Minas Gerais. Vai rodando, é claro, com um de seus cinco DKWs, modelo Belcar. Ele garante que o motor três cilindros, de mil cilindradas e 60 cavalos de potência, tem ótimo desempenho na estrada.

“Só cuidar do óleo, da gasolina, da temperatura e não tem problema nenhum. Ele vai embora, acompanha o trânsito, vai a 100, 110 km/h.”

Na década de 1980, Graciano começou a participar de corridas automobilísticas. “Fiquei 12 anos campeão em pista de terra sem perder um campeonato de DKW”, recorda. Nas paredes da oficina, fotos e troféus conquistados como corredor dividem espaço com certificados de reconhecimento do trabalho como mecânico.

“Não vendo”

Aos sábados, a oficina vira ponto de encontro dos apaixonados pela marca. Um dos frequentadores é o representante comercial Luiz Henrique Brito. Seu exemplar é um modelo Belcar, ano 1961, vermelho, que comprou em 1985.

Oficina especializada em dkw em novo hamburgo - luis henrique brito
Oficina especializada em dkw em novo hamburgo - luis henrique brito Foto: Matheus Chaparini / GES-Especial
Ele conta que é reconhecido pelo veículo onde chega. E mesmo onde não chega. “Já teve amigo que foi comprar peça para DKW no Uruguai e na oficina me conheciam”, conta.

Na época da compra, o carro tinha baixo valor e não era muito bem visto. Era apenas um “carro velho”. Ele conta que comprou por um valor equivalente a cerca de R$ 2 mil. Restaurado e, com o passar dos anos, tornou-se em “veículo antigo”, de colecionador. Ele garante que já recusou proposta de mais de R$ 100 mil.

"Não vendo. É como se fosse um pedaço de mim, um braço, uma perna. Como eu vou vender?"

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