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Notícias | São Leopoldo Violência

São Leopoldo é a sexta cidade do Estado em medidas protetivas para mulheres

Em São Leopoldo, no primeiro semestre deste ano, foram aplicadas 1.607 medidas protetivas. No Estado foram 51 mil medidas deferidas.

Por Alecs Dall' Olmo
Última atualização: 02.12.2019 às 13:37

Falar sobre feminicídio e a violência que o precede Foto: Alecs Dall´Olmo/GES-Especial
A exposição Agora ou na Hora de Nossa Morte, que foi aberta na última semana em São Leopoldo, tem um recado bem objetivo: impactar. Impactar as pessoas para evidenciar a necessidade de falar sobre feminicídio e sobre a violência que o precede. "É uma exposição sobre feminicídio. São 20 relatos de casos reais de mulheres que foram mortas brutalmente pelos seus companheiros. Relatos com dados estatísticos de casos de várias comarcas do Estado. Queremos impactar o público. Impactar mesmo com esses relatos, com essas vidas que foram tiradas de forma brutal para que se consiga pensar em formas de como combater a violência contra mulher juntamente com o poder público e a sociedade", ressalta Michele Scherer Becker, juíza do juizado da Violência Doméstica, do Fórum da Comarca de São Leopoldo.

Indicativo

Michele destaca que há motivos para apreensão, pois a violência contra mulher não está diminuindo. "Em São Leopoldo, no primeiro semestre, foram aplicadas 1.607 medidas protetivas. É um número bastante alto." Na avaliação dela, isso também é um indicativo que as mulheres estão se sentido mais seguras em procurar ajuda e confiando na rede de proteção. "O número geral de ocorrências novas, ameaças, perturbação da tranquilidade lesão corporal, vias de fatos aumentaram. E são situações que podem culminar em tentativa de feminícidio ou feminicídio." Ela destaca que no ano passado, em dados gerais, de janeiro a junho, primeiro semestre, foram em torno de 1.400 medidas protetivas. Além disso há desde 2014, 1.100 processos de feminicídios tentados ou consumados ativos no Rio Grande do Sul. O resultado do segundo semestre, em relação ao número de medidas protetivas, só será divulgado no fim do ano.

Alerta

"A exposição é para dar alerta. Chamar a atenção para enfatizar que a violência contra a mulher está ao nosso lado e que temos que nos meter, que aconselhar. De janeiro a junho foram deferidas 51 mil medidas protetivas. O que isso significa? A mulher está mais encorajada, está mais confiante. Está percebendo que há uma rede de apoio", ressalta Gioconda Fianco Pitt, juíza corregedora da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS). O primeiro semestre de 2018, foram aplicadas aproximadamente 45 mil medidas. "Outro ponto positivo foi a correta classificação: feminicídio e não homicídios", completa ela, que também acompanhou a abertura da exposição no Foro da Comarca de São Leopoldo, juntamente com outras autoridades, incluindo a nova titular da Deam na cidade, a delegada Michele Mendes Arigony.

Campanha

A exposição é promovida pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e faz parte do cronograma da campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres e também da Semana Justiça Pela Paz em Casa, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma ação que ocorre em março agosto e novembro, quando são intensificadas as ações nos tribunais. Agora ou na Hora de Nossa Morte, que retrata casos de feminicídio, conta com um caso que ocorreu na cidade.

Em 25 de novembro é comemorado o dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher.

A data é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1999 e tem o objetivo de alertar a sociedade sobre os casos de violência contra as mulheres. O dia marca o início da campanha "16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres" em todo o mundo. No Brasil, a iniciativa dura 21 dias, pois se inicia no dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. A mobilização busca conscientizar a população sobre os diferentes tipos de agressão contra as meninas e mulheres.

A importância de buscar por ajuda e denunciar

Segundo Michele, São Leopoldo está em sexto em aplicação medidas protetivas no RS. "São Leopoldo fica atrás apenas de Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Rio Grande e Santa Maria." E dados da mostra reforçam a importância de buscar ajuda, pois 15,7% das assassinadas têm entre 25 e 29 e outras 15,7%, entre 35 e 39 anos. Para Patricia Wisnieski, estudante de Jornalismo, a mostra e toda a mobilização são importantes. "É essencial falar sobre o enfrentamento de violência contra mulher, sobre medidas protetivas. E a mostra muito importante, pois expõe casos reais. Acho que isso ajuda a encorajar para denunciar."

No Estado

Conforme a exposição, a partir de dados da Secretaria da Segurança Pública do RS (SSP/RS), 84,7% das vítimas não contavam com medida protetiva; em 40,9% dos casos foram usadas armas de fogo e 31,8%, armas brancas para cometer os crimes; 30,4% tinham filhos com o agressor; e 52,1% dos crimes ocorrem em relacionamentos atuais.

Visitação pode ser feita até fevereiro

A mostra pode ser visitada de segunda a sexta até fevereiro no saguão do 4° andar do Foro de São Leopoldo, que fica na Avenida Unisinos, 99.

Mobilização no Centro de São Leopoldo

A Caminhada Pela Vida das Mulheres está marcada para dia 10 de dezembro, às 18h30, com saída em frente a Câmara de Vereadores de São Leopoldo.

Momento essencial de reflexão e enfrentamento

Vanessa Saraiva, titular da Secretaria de Políticas para Mulheres (Sepom), de São Leopoldo, enfatiza que o momento é fundamental por conta da promoção e articulação de atividades pelos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. "Estamos provocando a reflexão, além de promover a prevenção com a exposição e outras atividades. Tudo para que seja possível entender a problemática da violência e para que seja possível romper o ciclo de violência." Entre os destaques da campanha está o Círculo de Construção de Paz com mulheres em situação de violência doméstica que no dia 6, às 9h30, na sala 101 do Fórum.

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