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Notícias | São Leopoldo Criminalidade

Cuidado: existem buracos sem tampas espalhados pelo meio do caminho em São Leopoldo

Ladrões levam as proteções para vender e deixam as vias "esburacadas" no Centro e São Miguel

Por Isabella Belli
Publicado em: 04.05.2021 às 03:00 Última atualização: 04.05.2021 às 15:02

Rua Independência, no Centro Foto: Diego da Rosa/GES

O conselho "olhe por onde anda" nunca fez tanto sentido em São Leopoldo. Alguns bairros, como Centro e São Miguel, estão sofrendo com a falta de tampas em acessos que, de acordo com a Prefeitura, são de responsabilidade de empresas de telefonia e Internet. São tampas que protegem os buracos por onde passam cabos de rede de forma subterrânea.

Por isso, um passo em falso ou uma distração pode causar um acidente em plena calçada, local que deveria ser um espaço seguro para o pedestre caminhar.

Sabendo disso, a própria população vem buscando alternativas para chamar a atenção das pessoas e assim, evitar quedas. Para isso, é usado tudo: galhos, plantas, caixas de papelão, pedaços de móveis e cavaletes. Alguns prédios, zelando pelos moradores, decidiram improvisar e fizeram pequenas tampas de madeira e encaixaram no acesso. Já algumas lojas no Centro estão juntando o útil ao agradável e tampando os buracos em frente aos estabelecimentos com cavaletes e banners de propagandas.

Notificação

De acordo com o superintendente de Urbanismo do Município, João Henrique Dias, o problema é recorrente e as empresas responsáveis já foram notificadas. "Duas já se manifestaram. Ainda faltam quatro entrar em contato. Estamos aguardando para conversar com todas juntas", afirmou.

As empresas que já se posicionaram, porém, solicitaram todos os locais onde as tampas foram retiradas para poder fazer a instalação de novas. Segundo Dias, porém, é preciso fazer um levantamento, trabalho que pode ser demorado. "No momento não temos essa identificação. Não sabemos onde estão os acessos sem tampa de cada empresa. Estamos verificando uma maneira de fazer esse levantamento e passar para elas."

O caso, porém, é antigo. Em 2019, o Jornal VS chegou a fazer uma matéria sobre a mesma situação. Na época, as empresas de telefonia e Internet também foram notificadas e recolocaram as tampas, mas antes, para evitar acidentes, as secretarias Geral de Governo e de Obras e Viação (Semov) precisaram agir em parceria.

Improviso

Conforme Dias, uma equipe da Semov mediu acesso por acesso e fabricou tampas novas de madeira. Foi uma maneira de improvisar enquanto as novas não chegaram. "Cada acesso tem um tamanho diferente, então foi necessária fazer essa medição para produzir tampas específicas. Para agora não sabemos ainda se será possível seguir o mesmo método. Ainda estamos aguardando o posicionamento das demais empresas", explicou.

Após a notificação da Prefeitura, caso as empresas não se manifestem, é aplicada uma multa.

Encontrei um buraco e agora?

Na Rua Santo Agostinho, tem cone Foto: Fotos Taciano Pirolla/GES-Especial

Enquanto isso, os moradores seguem precisando tomar cuidado redobrado para não se machucar. A orientação dada pela Secretaria Geral de Governo à população é de, quando verificar a falta recente de uma tampa, acionar a Guarda Civil Municipal e depois entrar em contato com a Ouvidoria da Prefeitura para registrar o caso.

A ouvidoria está funcionando em horário reduzido por conta da pandemia, das 9 às 14 horas. É possível ir até o Centro Administrativo fazer a queixa, mas o aconselhável no momento, para evitar aglomerações, é buscar outras alternativas como os telefones 156 ou 2200-0362. É possível também falar com a ouvidoria de maneira virtual. Pelo e-mail ouvidoria@saoleopoldo.rs.gov.br, pelo aplicativo Colab ou pela sala de conversa no site da Prefeitura: www.saoleopoldo.rs.gov.br.

Na quarta-feira, 28 de abril, o tema foi tratado na reunião do Gabinete de Gestão Integrada (GGI). De acordo com Dias, a Guarda Civil Municipal não tem imagens dos furtos, mas uma investigação será aberta. Segundo ele, as tampas são atrativas por serem de ferro, material que tem valor de venda nos pontos de reciclagem e ferro-velho. "Sabemos que elas são furtadas para serem vendidas ou para servirem como moeda de troca na compra de entorpecentes", contou ele, que não pôde dar detalhes sobre as investigações. "Será feita de forma integrada entre a Polícia Civil, Brigada Militar e Guarda Civil Municipal, mas por enquanto não vamos detalhar pra que tenhamos sucesso na operação", explicou.

 

Estudo para possíveis soluções

Situação se repete na Rua São Vicente Foto: Taciano Pirolla/GES-Especial

Em paralelo a isso, soluções estão sendo buscadas para evitar que, futuramente, novos sumiços ocorram. Às empresas de telefonia e Internet, será solicitado que elas encontrem uma maneira de prender a tampa mais firmemente ao chão. Além disso, um estudo deverá ser feito em busca de novos materiais, que não tenham valor no mercado da reciclagem, para substituir as tampas de ferro fundido. "Estamos tentando viabilizar outro tipo de material que não seja atrativo ao roubo, mas antes temos que fazer uma pesquisa."

 

Desviando para não cair

A aposentada Astemia Argenti, 72 anos, faz pilates no Centro de São Leopoldo e é obrigada a desviar dos buracos para não cair. "Acho isso uma injustiça com o pedestre, porque tira a nossa tranquilidade de caminhar. Nós somos da melhor idade, mas corremos um grande risco de tropeçar. É um perigo para qualquer um, principalmente à noite", afirmou.

O motorista Taciano André Pirolla, 41, é morador do bairro São Miguel e enviou para o Jornal VS diversas fotos de acessos sem proteção em algumas ruas do bairro. Ele trabalha em Novo Hamburgo e entra em São Leopoldo pela Rua Osvaldo Aranha, onde logo no início, existe um buraco sem tampa e com um pedaço de papelão dentro chamando a atenção de condutores e pedestres. "Qualquer dia vem um carro e dá no meio daquilo ali e bate. E muitas vezes os motoristas têm que entrar na contramão para desviar do buraco. É complicado, porque tem até nas calçadas. A gente caminha à noite e se não cuida, cai em um buraco desse", contou ele, que já mora no local há quatro anos e disse nunca ter visto isso acontecer antes.

"Acho que tem, pelo menos, seis tampas faltando só nas ruas em que eu frequento. Tem rua com duas tampas faltando, por exemplo." A maior preocupação, segundo ele, é com as crianças que têm o costume de brincar na rua. "É um bairro com muitas crianças andando de bicicleta e por ter os condomínios Charrua e Viver, também tem muito motoboy fazendo entregas e circulando à noite."

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