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Notícias | São Leopoldo SÃO LEOPOLDO

Desenvolvimento na área psicossocial em destaque no Círculo Operário Leopoldense

COL promove o projeto social Tudo o que nóis tem é nóis

Por Alecs Dal'Ollmo
Publicado em: 23.06.2022 às 03:00 Última atualização: 23.06.2022 às 17:16

A equipe do Círculo Operário Leopoldense (COL), avaliando os movimentos voltados para os direitos humanos, especialmente de crianças e adolescentes, percebeu a necessidade de formas de cuidado em saúde mental decorrentes da pandemia de Covid-19. Odete Zanchet, diretora executiva do COL, ressalta que a pandemia, que ainda segue exigindo atenção, deixou repercussões: o isolamento social; o fechamento dos espaços públicos, como escolas, creches e praças; e aumento das formas de violência intrafamiliar e violações de direitos de crianças e adolescentes.

Ações e conversas no projeto Tudo o que nóis tem é nóis
Ações e conversas no projeto Tudo o que nóis tem é nóis Foto: Fotos COL/Divulgação
E mais: a acentuação da desigualdade e pauperização das comunidades fragilizaram os vínculos sociais e familiares que atingem de forma prejudicial a saúde mental. A partir dessas percepções da realidade, o COL colocou em movimento um intenso projeto inspirado nas artes e no trabalho essencial que vai além da música. Trata-se do Tudo o que nóis tem é nóis, ação que segue em atividades em São Leopoldo.

"Tudo que nóis tem é nóis é o refrão de Principia, de Emicida, que inspira o título deste projeto de saúde mental. A música entoa diferentes formas de se fortalecer, de modo singular e coletivo, para o enfrentamento das adversidades da vida e seus múltiplos atravessamentos sociais contemporâneos", destaca Odete.

Segundo ela, o COL entende que é fundamental investir em estratégias que possibilitem o fortalecimento e o desenvolvimento psicossocial é essencial para um convívio mais saudável e estreitamento dos vínculos. Ela avalia, que neste sentido, o projeto, apoiado pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, busca oportunizar ambiente de escuta acolhedora, promovendo a comunicação e o protagonismo, fomentando o bem-estar e a qualidade de vida das crianças e dos adolescentes atendidos pelo COL nas comunidades.

Conforme dados do projeto, as atividades em andamento envolvem mais de 150 crianças, adolescentes e jovens estão ocorrendo durante este ano no período diurno para as crianças e vespertino para os adolescentes e jovens.

Participação

São vários encontros com ações que buscam promover espaços para a arte e cultura, ampliando as condições para o protagonismo e também o exercício do direito à participação. "São espaços que oportunizam também momentos de acolhida e escuta individual, proporcionando rodas de conversa sobre a saúde mental nos tempos atuais e seus atravessamentos, estimular a participação de adolescentes, além de articular com a rede inter setorial para encaminhamento e acompanhamento dos casos necessários", salienta Odete.

Com atividades desenvolvidas em São Leopoldo, o Círculo Operário Leopoldense é uma organização não-governamental e filantrópica, que tem seu foco principal a ação junto às classes populares, visando melhoria de qualidade de vida, desenvolvimento de cidadania e garantia de direitos humanos de crianças, adolescentes, mulheres, famílias e comunidade em geral.

Atividades com crianças, adolescentes e famílias
Atividades com crianças, adolescentes e famílias Foto: COL/Divulgação

Aprofundar os laços

De acordo com o psicólogo Plínio Simon Neto, que integra a equipe do projeto Tudo o que nóis tem é nóis, "este trabalho busca aprofundar os laços deste grupo para que se espraie para além dos seus encontros ordinários. Intentamos que se fortaleçam dentro dos territórios possibilidades de apoio e ampliação das redes comunitárias, por intermédio destes adolescentes e jovens que, instrumentalizados por essa experiência, criem formas de autocuidado singulares e coletivas".

Encontros valorosos

Os grupos são acompanhados pela equipe do COL, especialmente psicólogo, assistente social e educadores sociais. "Os encontros proporcionaram valorosos espaços de produção de vida e enfrentamento de questões pujantes nas vidas desses adolescentes e jovens. Debatemos sobre a, por vezes, impossibilidade de escuta das famílias e sociedade em geral sobre os temas mais pulsantes deste momento do desenvolvimento humano tão peculiar", avalia Odete, enfatizando o relato de uma das adolescentes participantes: "Me sinto acolhida neste espaço, sinto que posso socializar aqui". Outra participante ressaltou, conforme dados do projeto: "Esse é um dos poucos lugares que me sinto bem, que sinto que posso ser eu mesma". Além das atividades de grupo, envolvendo muita arte e bate-papo, a semana tem atividades juninas, garantindo um momento mais festivo, descontraído. A festa de São João do projeto ocorreu ontem na Casa da Criança e do Adolescente (CCA), no bairro Feitoria.

Encontros de diálogos sobre saúde mental com a equipe
Encontros de diálogos sobre saúde mental com a equipe Foto: COL/Divulgação

Ampliação de direitos humanos

O COL iniciou suas atividades em 29 de julho de 1935 em São Leopoldo. Em trânsito, ações ligadas com as artes, oficinas e rodas de conversa. Atividades voltadas à proteção e ampliação de direitos humanos, no controle social, na produção de conhecimento e na gestão democrática. Para o andamento dessas ações, o COL conta, além da unidade no Centro, a Casa da Criança e do Adolescente, na Vila Paim e no bairro Feitoria. Trabalho com ênfase no público de crianças e adolescentes de 6 a 15 anos e suas famílias, com grupos de mulheres e moradores.

O mobilização do COL envolve o Centro de Defesa de Direitos Humanos (CDDH). Há ainda no trabalho a parceria com o Proame - Cedeca Bertholdo Weber, que tem como objetivo promover a dignidade e a defesa dos direitos, visando o exercício integral e universal dos direitos humanos e a promoção da cidadania plena.

O COL participa de outras iniciativas de discussões na área social e com outras entidades, por meio de propostas como Diálogos em Rede, que envolve ainda equipes da Prefeitura. O COL conta ainda com vários materiais na redes sociais, como o vídeo Vida Maria, que explica de forma lúdica e didática o ciclo da pobreza que mantém por gerações as crianças no trabalho infantil.

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