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Quando bate o desânimo

Por Cris Manfro
Publicado em: 01.08.2020 às 03:00 Última atualização: 01.08.2020 às 17:23

O filósofo Jaques Elluf falou que o "homem e mulher da sociedade tecnológica suprimiram as pausas necessárias ao ritmo de vida, esse tempo para escolher, adaptar-se, recolher-se sobre si mesmo, não existe mais". Recordo minha mãe chamando ao entardecer, quando eu, pequena, brincava na rua, dizendo pra entrar para dentro de casa, porque era hora de se recolher. Nesse momento as famílias sentavam para tomar um mate, bebida típica do sul, e conversar.

Você pode dizer que em época de pandemia, todos os casais e famílias estão cansados de conversar. Pois não é verdade. A grande maioria fica "recolhida" no seu celular, ou computador, afastando os casais ainda mais. Isso traz grande desesperança na relação. A falta de diálogo, a sensação de se estar longe do outro, mesmo perto, e o sentimento de vazio fazem com que a desesperança cresça na relação.

Quando a desesperança bate é esperado o desânimo, você se sente no fim da linha, no fundo do poço e pensa: Não tem mais por que continuarmos juntos, meu casamento não tem solução. Mas não permita que a decepção e a falta de ânimo impeçam vocês de seguirem em frente e se superarem. Esse momento é de muita desregulação emocional e nada deve ser decidido agora.

É preciso lembrar que o desânimo é parente da preguiça e muita gente quer que as coisas melhorem, mas não quer fazer esforço algum. Por exemplo, se você quer fazer uma viagem, você tem que se preparar para ela. Se você ficar pensando que não vai dar certo e colocar um monte de empecilhos, você nunca vai viajar. Também não dá para querer tudo perfeito, que a viagem nunca sairá. Relacionamento é uma grande viagem onde devemos fazer tudo para dar certo, sabendo que imprevistos acontecerão. Você pode ter a crença irrealista de que os outros casais não têm problemas, porque fica olhando o palco dos outros e comparando com os próprios bastidores. Olhar o palco dos outros e imaginar que estão sempre felizes é irreal. Palco é diferente de bastidor. Cada um sabe os incêndios que acontecem por trás das cortinas na sua vida privada.

Se estiver muito ruim o seu casamento, separe-se, mas, não do seu amor. Separe-se de um funcionamento que não está dando certo, criando uma nova dança. O mal-estar que vocês podem estar sentindo pode ser uma grande oportunidade de mudança para melhor. Sem culpados, mas com responsáveis em fazer melhor o que estão fazendo.

Tente não agravar os períodos turbulentos pensando errado no seu relacionamento. Encare como um desafio - e para ter sucesso em qualquer desafio é preciso ter esperanças realistas e cuidado com as expectativas. Parta da desesperança ao seu poder pessoal e da relação. Da frustração ao trabalho cheio de boa vontade, atitude e generosidade. Muitos casais já estiveram na beira do abismo e superaram, redescobrindo o amor. Invista, porque vale a pena.


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