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Apaixonado é o torcedor

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 02.07.2022 às 03:00

Em todas as profissões pessoas se destacam e causam admiração e respeito de quem as acompanha e as utilizam como referência para seguir os mesmos passos. E até quem não atua no mesmo segmento, quando se destaca, tem o reconhecimento inclusive de pessoas de outras áreas. Por que carinho e credibilidade se misturam quando alguém que gostamos executa suas funções com maestria.

O futebol, por todo seu papel emocional e social de milhões de apaixonados, transforma anônimos em heróis em um lance. E faz de histórias de vitórias e conquistas o nascimento de um ídolo. Existe a diferença entre o herói e o ídolo. Um tem ações pontuais de visibilidade e consagração, o outro tem importância atemporal após uma caminhada vitoriosa.

Os jogadores de gerações passadas entendem esse papel. Até hoje vejo torcedor parando Mazzaropi na Arena, tatuagens com o Fernandão eternizado na pele dos colorados, Renato e sua identificação imediata com o Grêmio, D’Alessandro e seu papel incontestável de referência de liderança do vestiário do Internacional. São eles alguns nomes que se juntam a tantos outros que são intocáveis para as torcidas, e mesmo que sequer atuem mais, garantem a irreparável reverência pelo que fizeram e eternizaram. Nomes tão próximos dos torcedores, mas tão distantes do que se vê do comportamento dos atuais atletas.

O jogador de hoje é profissional, apenas. Identificado com a carteira assinada e o salário na conta. Apaixonado pela carreira e pelas oportunidades. Veste as cores da paixão da arquibancada durante o tempo de vigência de contrato. Depois disso, é comum vermos outros brasões serem apontados com orgulho.

Portanto, romantizar o comprometimento de quem joga com a incondicionalidade de quem torce, é idealizar uma realidade distante do que muitos gostariam.

Essa semana Yuri Alberto foi apresentado no Corinthians e acabou com a esperança dos colorados de que voltaria ao clube que lhe rendeu a vitrine para o Zenit, primeiro contrato internacional dele. Frustração que se ampliou para indignação após a “corneta” corinthiana na apresentação do atleta, citando o famoso DVD apresentado pelo colorado ao entender o time paulista beneficiado pela arbitragem na gestão de Fernando Carvalho como vice de futebol, e compartilhado pelo atacante. É simples, Yuri Alberto não vê o Inter como paixão.

Douglas Costa voltou ao Grêmio com honras de ídolo, e jogou no ralo o histórico da própria vida profissional no clube ao ir embora da forma que foi para os Estados Unidos. Thiago Galhardo, mesmo tendo contrato com o colorado, escolheu o Fortaleza neste momento em que o clube daqui almeja um nome de referência no ataque. Cebolinha cantou com o Flamengo semana passada a música que debocha do Grêmio ao perder Ronaldinho Gaúcho, no “agora eu sou Mengão”... e assim vamos reiterando que o futebol identificação deu lugar ao futebol projeção.

Infelizes os profissionais da bola que não se dão conta da troca maravilhosa que se pode conquistar com a arquibancada, e o quanto essa ligação pode ir além de qualquer negociação se mantido o respeito e a consideração. Estaríamos cercados de visitantes bem-vindos, mesmo que nos adversários, porque o que foi construído ficará enraizado e para sempre saudado.

Apaixonado é o torcedor. Com o jogador, esse sentimento tem sido, muitas vezes, platônico. É o futebol vibrando com a frequência da desilusão.

 


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